CRÍTICA | SP
Manduque Massas e Maçãs
Quatro estrelas (Ótimo)
R. Pedro Cristi, 89, Pinheiros, região oeste. @manduque.massas
Poucos restaurantes italianos de São Paulo servem pratos de massa com a qualidade dessa casa despretensiosa, acomodada discretamente dentro do Mercado de Pinheiros. Das que servem, será difícil encontrar opções com valores tão em conta quanto lá.

Raviolo do restaurante Manduque
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Priscila Pastre/Folhapress
Pela entrada da rua Pedro Cristi, logo se vê a cozinha do Manduque Massas e Maçãs por um vidro. Ao lado dela, uma vitrine exibe belas massas frescas e recheadas. Organizadas como pequenas joias, elas convidam a uma parada mais atenta. E aí você descobre que o lugar, que num primeiro momento parece só uma rotisseria, tem algumas poucas mesas onde é possível almoçar.
Eu já sabia disso porque fui por indicação de um amigo. Não de qualquer um. Mas o responsável por este espaço da crítica antes de mim. Nem preciso dizer que o Daniel Buarque conhece muito de comida. E quando ele disse: “Você conhece o Manduque? Fui lá e fiquei encantado. Massas frescas muito boas em torno de R$ 70”, coloquei imediatamente na lista dos lugares a visitar.
Ao abrir o cardápio, algumas surpresas. A primeira foi constatar pratos com valores ainda mais amigáveis —que, descobri depois, também são bem servidos. Caso do linguini pomodoro (R$ 52) e do tortelloni recheado de muçarela de búfala (R$ 55).
A segunda foi encontrar receitas autorais com sutilezas que fizeram da minha refeição de meio de semana um almoço especial. Um dos pratos que sinalizam isso é o caramelle, massa recheada com queijo de cabra e maçãs cozidas no hidromel, finalizada na manteiga tostada. Parece uma bala comprida, torcidinha nas pontas formando pequenos babados nas laterais (R$ 64). Um mimo.
Como não resisto a uma gema mole, comecei com a entrada de raviolo (R$ 32). Massa recheada com ela (a gema), ricota e espinafre, passada na manteiga tostada. Quando senti o cheiro do azeite de trufas, achei que me arrependeria. É comum encontrar azeites aromatizados artificialmente que deixam aquele gosto de gás na boca. Mas, ao provar, senti que não era o caso. Perguntei sobre isso e me informaram a marca que usam na casa. De fato, uma das poucas que faz infusão com trufas de verdade. Ainda assim, a cozinha poderia apostar menos no azeite (que deixa um sabor bem marcado) e mais na manteiga tostada.
De principal, pedi o pappardelle de camarão (R$ 82). Junto à massa, saborosa e delicada, os crustáceos aparecem de duas formas: macios e firmes, resultado de um cozimento adequado, e no molho de manteiga, no qual são infusionados depois de tostados.
A única sobremesa, uma torta de maçã com sorvete (R$ 35), dá tranquilamente para duas pessoas. Cozida em suco de laranja com canela, a fruta cortada em lâminas é disposta sob um crumble de noz-pecã. Difícil resistir, mesmo quando você já está satisfeito e comendo sozinho.
A pracinha onde me sentei estava tomada pelo aroma dos queijos, especiarias e embutidos vendidos no mercado. Para mim, parte do passeio. Para quem se incomoda, é melhor ficar numa mesa dentro do restaurante.
Antes de sair, parei em frente à vitrine para comprar massa fresca e levar para casa. Aproveitei para observar a cozinha, comandada pela chef Mari Adania. Ela é sócia de Ana Paula Sater, sobrenome que rende uma boa pista sobre a origem do nome da casa e faz você sair de lá cantando: “Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs”.
Fonte.:Folha de São Paulo


