11:15 PM
6 de abril de 2026

Presidente de Cuba denuncia “danos criminais” causados ​​pelo governo Trump

Presidente de Cuba denuncia “danos criminais” causados ​​pelo governo Trump

PUBLICIDADE


O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou os “danos criminais” que, segundo ele, foram causados ​​pelo embargo de petróleo dos EUA contra a ilha, após se reunir com parlamentares democratas americanos que visitaram Cuba para ver em primeira mão as implicações das recentes políticas do governo Trump.

Durante a reunião com Pramila Jayapal, representante de Washington, e Jonathan Jackson, representante de Illinois, que também contou com a presença do ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, e membros do parlamento cubano, Díaz-Canel afirmou que as sanções causaram danos significativos à infraestrutura e à vida cotidiana do país.

Em uma mensagem publicada na rede social X, o presidente declarou que denuncia “os danos criminais causados ​​pelo embargo, particularmente as consequências do bloqueio energético decretado pelo atual governo dos EUA e suas ameaças de ações ainda mais agressivas”.

Ele também reiterou que seu governo permanece disposto a manter “um diálogo bilateral sério e responsável” com Washington, com o objetivo de encontrar soluções “para as diferenças existentes”.

A CNN entrou em contato com o Departamento de Estado dos EUA para comentar as declarações de Díaz-Canel e aguarda uma resposta.

Por sua vez, Jayapal e Jackson descreveram as medidas como “punição coletiva cruel” e pediram o fim imediato do embargo de petróleo após testemunharem seu impacto no país durante sua visita de cinco dias.

“Esta é uma punição coletiva cruel — praticamente um bombardeio econômico à infraestrutura do país — que causou danos permanentes. Deve parar imediatamente”, disseram os congressistas democratas em uma declaração conjunta.

Os Estados Unidos mantêm um embargo econômico contra Cuba desde a década de 1960, ao qual o governo Trump adicionou um bloqueio neste ano para impedir o envio de petróleo para a ilha, ameaçando com tarifas adicionais os países que fornecem petróleo bruto.

Há uma semana, o petroleiro russo Anatoly Kolodkin chegou à ilha com 100 mil toneladas de combustível, o equivalente a cerca de 700 mil barris.

Especialistas consultados pela CNN afirmaram que a carga, que atracou no porto de Matanzas, precisa ser transportada para Havana para ser refinada e mal seria suficiente para abastecer o país por pouco mais de 10 dias.

Este foi o primeiro carregamento de petróleo bruto que Cuba recebeu em três meses, após o embargo imposto pelos EUA à ilha em decorrência da operação que resultou na prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

A escassez de combustível aumentou a frequência e a duração dos apagões, agravados pela deterioração da infraestrutura devido à falta de manutenção e investimentos. A falta de petróleo também paralisou hospitais e interrompeu serviços públicos e o transporte de alimentos, gerando descontentamento na população.

Em algumas cidades, surgiram protestos, incomuns em Cuba, com cidadãos batendo panelas e acendendo fogueiras na escuridão.

Após a visita a Cuba, Jayapal e Jackson descreveram os efeitos da crise energética da ilha.

“Vimos em primeira mão bebês prematuros em incubadoras correndo sério risco porque não podem sobreviver sem eletricidade; crianças impossibilitadas de frequentar a escola devido à escassez de combustível; pacientes com câncer sem acesso a tratamento; escassez de água devido a apagões; comércios fechados; e famílias incapazes de conservar alimentos, enquanto a produção mal cobre 10% das necessidades.”

Os congressistas democratas acreditam que o governo cubano deu “sinais claros de que este é um novo momento para o país”, com medidas recentes como a abertura da economia a certos investimentos cubano-americanos, o anúncio da libertação de mais de 2 mil prisioneiros e a presença de uma equipe técnica do FBI para investigar o tiroteio entre soldados cubanos e a tripulação de um barco ocorrido em fevereiro.

“Os obstáculos restantes ao progresso em Cuba agora dependem de os Estados Unidos mudarem sua política ultrapassada de medidas econômicas coercitivas e pressão militar herdada da Guerra Fria”, acrescentaram os congressistas.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, insistiu há uma semana que uma mudança de regime é necessária em Cuba para que sua economia melhore. O presidente Donald Trump exige reformas políticas, econômicas e de direitos humanos em Cuba, enquanto Díaz-Canel acusa Washington de interferir e provocar a crise na ilha.



Fonte: CNN Brasil

Leia mais

Rolar para cima