Os parlamentares do Vietnã elegeram por unanimidade o secretário-geral do Partido Comunista, To Lam, como presidente do país para os próximos cinco anos, informou um funcionário do parlamento após a votação nesta terça-feira (7), no horário local.
A medida amplamente esperada marca uma ruptura com o tradicional sistema de liderança coletiva do Vietnã, consolidando a autoridade em uma única figura de maneira que, segundo analistas, podem inclinar o Estado de partido único para um maior autoritarismo, ao mesmo tempo em que possibilita uma tomada de decisões mais rápida, semelhante ao que ocorre na vizinha China.
O ex-chefe da segurança pública agora tem um duplo mandato para governar o país pelos próximos cinco anos, após ter garantido um segundo mandato como secretário-geral em janeiro.
“Concentrar mais poder nas mãos de To Lam pode representar riscos para o sistema político do Vietnã, como o aumento do autoritarismo”, disse Le Hong Hiep, pesquisador sênior do Instituto ISEAS Yusof Ishak, em Singapura.
No entanto, essa consolidação “pode permitir que o Vietnã formule e implemente políticas de forma mais rápida e eficaz”, apoiando o crescimento, afirmou.
A combinação dos dois cargos “mudará a política interna do Vietnã para um novo normal, onde a maioria das antigas suposições sobre a política vietnamita, incluindo aquelas sobre liderança coletiva, não são mais válidas”, disse Alexander Vuving, do Centro de Estudos de Segurança Ásia-Pacífico, nos Estados Unidos.
Lam ocupou ambos os cargos por um período de alguns meses após a morte, em 2024, do falecido secretário-geral do partido Nguyen Phu Trong.
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Mesmo após renunciar à presidência do Estado em favor do general do exército Luong Cuong, Lam frequentemente agiu como se tivesse mantido o cargo, viajando extensivamente e representando o país em reuniões com líderes estrangeiros.
Em seu primeiro período como chefe do partido, Lam, de 68 anos, lançou amplas reformas econômicas destinadas a tornar o Vietnã mais competitivo, o que gerou tanto elogios quanto críticas.
Após sua recondução como chefe do partido, ele prometeu buscar crescimento de dois dígitos por meio de um novo modelo de desenvolvimento menos dependente da manufatura de baixo custo, há muito a espinha dorsal do boom exportador do Vietnã e liderado por multinacionais estrangeiras.
As medidas de Lam por vezes causaram inquietação na administração e nas empresas, mas ele demonstrou flexibilidade pragmática em sua execução.
Apoiou a expansão de conglomerados privados, mas antes de sua recondução, também emitiu uma diretriz enfatizando o papel de liderança das empresas estatais, em uma tentativa de tranquilizar os tradicionalistas do partido.
Investidores estrangeiros, um componente fundamental da economia vietnamita dependente de exportações, frequentemente elogiam a estabilidade política do país e veem Lam como um líder pró-negócios. No entanto, seu apoio a campeões nacionais e seu impulso por crescimento acelerado levantaram preocupações entre alguns sobre favoritismo, riscos de corrupção, bolhas de ativos e desperdício.
Na política externa, Lam também tem sido pragmático. Ele manteve a “diplomacia do bambu” do Vietnã e buscou equilibrar as relações com as grandes potências enquanto expande parcerias internacionais.
“O duplo cargo de Lam não sinalizaria mudanças na política externa do Vietnã, mesmo que haja preocupações de que o país esteja concentrando mais poder em um único indivíduo”, disse Khang Vu, pesquisador visitante do Boston College.
Fonte.:Folha de S.Paulo


