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9 de abril de 2026

Lisboa: veja o que visitar em roteiro de três dias – 08/04/2026 – Turismo

Lisboa: veja o que visitar em roteiro de três dias – 08/04/2026 – Turismo

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Cidade europeia mais visitada pelos brasileiros, a capital portuguesa tem se firmado também entre outros grupos de estrangeiros. Ela reúne uma combinação de história, comida e o charme do sul da Europa, com verões tórridos e invernos amenos.

Veja a seguir o que conhecer numa primeira visita a Lisboa, considerando um período de três dias.

Dia 1

Comece o roteiro por Belém, região mais afastada do centro da capital portuguesa, mas imprescindível numa primeira visita. A freguesia tem história indissociável da era das navegações —dali partiram as frotas de Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral.

A Torre de Belém, símbolo da cidade, fica às margens do rio Tejo. Costumava ter uma função de defesa do porto da cidade na época de sua construção, por volta de 1520, depois virou masmorra. Hoje, a visita a seu interior está fechada para obras, mas o prédio pode ser contemplado de fora.

É um símbolo da arquitetura manuelina, por isso, preste atenção aos elementos náuticos que estão por toda a parte, um aceno às conquistas portuguesas da era dos descobrimentos.

Siga para o Mosteiro dos Jerônimos, ali próximo. Trata-se do monumento mais visitado do país, e é fácil entender o porquê. O edifício, concluído no início do século 17, é uma demonstração da opulência portuguesa da época em que o país era a maior potência do planeta.

O conjunto monástico, em estilo gótico carregadíssimo, abrange igreja e claustro, todos ricamente adornados. Abriga ainda túmulos de heróis portugueses como Vasco da Gama, Fernando Pessoa e dom Sebastião. O bilhete custa 18 euros (R$ 107).

O Padrão dos Descobrimentos fica perto. Trata-se de um monumento de mais de 50 metros em calcário, construído na época da ditadura de Salazar para homenagear os feitos portugueses. Não vale mais do que rápidas fotos.

O bairro também é conhecido pela gastronomia. Fica ali a centenária Pastéis de Belém, com seus famosos pastéis de nata. Mas as filas são imensas e o hype, injustificado: melhor poupar tempo e provar a iguaria em outro lugar.

Hora de rumar para o leste, pois há três museus interessantes no caminho. Talvez não haja tempo para fazer os três no mesmo dia, então vale saber um pouco mais a respeito do perfil de cada um deles para escolher.

O primeiro é o Museu do Tesouro Real, aberto em 2022 no Paço da Ajuda. Ele guarda, como o nome diz, a coleção de joias, pedras preciosas e outros itens de imenso valor da família real portuguesa.

Um detalhe é que todo o material expositivo fica atrás de vitrines à prova de balas, por sua vez mantidas dentro de um cofre cujas portas chegam a cinco toneladas. Dentro, corredores expõem coroas, mantos, anéis, colares, cetros e um punhado de pepitas extraídas de Minas Gerais na época da colonização, entre eles uma de ouro que pesa mais de 20 quilos.

Outro é o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, encostado no Tejo. Expõe instalações, performances, projeções e obras interativas por trás de um edifício ondulante. Bilhetes custam 15 euros (R$ 89).

Mais novo é o Macam, inaugurado em 2025. Um palacete do século 18 outrora abandonado, unido por um jardim a um anexo contemporâneo, hoje hospeda a coleção de Armando Martins, que fez fortuna no ramo imobiliário.

Suas galerias trazem um apanhado da arte portuguesa no século 20, mostrando como artistas locais estavam bem afinados às vanguardas europeias e como as traduziam. Há ainda obras de outros medalhões contemporâneos como Marina Abramovic, Olafur Eliasson e os brasileiros Dora Longo Bahia e Vik Muniz. A entrada custa 15 euros (R$ 89).

Não perca o À Capela, ao lado da galeria, que costumava ser uma igreja e que foi dessacralizado. Hoje é um bar que serve vinhos e música ao vivo. É curioso ver obras projetadas no altar e ver a bebida saindo da sacristia.

Para encerrar o dia cheio, a dica é ir à LX Factory, centro de arte que ocupa galpões antigos. Há ali bares, restaurantes moderninhos e uma infinidade de lojas descoladas. A mais famosa é a livraria Ler Devagar, com livros empilhados do chão até o seu imenso teto.

Dia 2

Comece pela praça Marquês de Pombal e desça a avenida da Liberdade rumo à praça dos Restauradores. A via é um bulevar que, no século 19, ganhou ares parisienses. Concentra grifes, hotéis, teatros e um punhado de edifícios históricos, alguns com fachadas bem portuguesas, azulejadas. O destaque é a Estação do Rossio, terminal ferroviário com portas em formato de arco.

Ela desemboca na Baixa, formada por uma série de ruas menores, com seus calçadões repletos de lojas e adegas. Se optar por tomar a rua Áurea, vai topar com o Elevador de Santa Justa, que tem mais de cem anos, e leva ao Chiado, na parte alta da cidade.

Vale fazer esse pequeno desvio. O Chiado é repleto de cafés, famoso por ter reunido a intelligentsia lisboeta nos séculos 19 e 20. É citado na obra de Eça de Queiróz e homenageia Pessoa, um de seus frequentadores, com uma estátua de bronze em frente ao tradicional café A Brasileira, de 1905.

Dê uma volta por ali, passe pelo largo do Carmo, com seus famosos jacarandás, e conheça aquela que é tida como a livraria mais antiga do mundo, a Bertrand, fundada em 1732. De lá, volte por onde veio e desça de volta à Baixa.

É hora de tomar a mais famosa das ruas da região, a rua Augusta, que vai terminar onde um arco dá as boas-vindas à praça do Comércio. Toda essa área, situada junto ao Tejo, constitui o centro, digamos, mais histórico de Lisboa, criado por ordens do marquês de Pombal após o terremoto de 1755 ter devastado a cidade. Símbolo do poder lisboeta, a praça do Comércio, cercada por arcadas, ainda reúne departamentos do governo, que hoje dividem espaço com cafés, caves e lojas turísticas.

Ao lado fica o Cais do Sodré, outrora região portuária degradada e hoje um dos lugares mais vibrantes da capital. Tem uma infinidade de ofertas gastronômicas.

A mais famosa é o Mercado da Ribeira, também conhecido como Time Out, nome da revista que tem a concessão para explorar a praça de alimentação: os preços salgados dão a pista de que tem um pouco de cara de cilada turística. Melhor é rumar para a Ribeira das Naus, abrir um vinho e ver o Sol batendo na superfície do Tejo.

A rua Cor de Rosa costumava concentrar bordéis portuários. Hoje tem bares, restaurantes e figura em listas das mais badaladas do mundo. Ideal para começar a noite e provar ginjinhas —licor tradicional, meio adocicado.

Que tal esticar a noite no Bairro Alto? Até as 21h funciona o Elevador da Bica, um daqueles conhecidos bondes amarelos que são a cara de Lisboa. De 15 em 15 minutos ele sobe uma estreita rua no Cais do Sodré e deixa o passageiro na parte mais alta da cidade.

É no Bairro Alto que se concentra o melhor da vida noturna local. O entorno da rua da Barroca fica coalhado mesmo em dias de inverno. É um dos corações da vida gay na cidade, aliás. O ideal é ir de bar em bar, intercalando vinho e ginjinha e uns aperitivos.

Dia 3

Comecemos por Alfama, um dos bairros mais característicos. Foi habitado por mouros, por pescadores, teve prédios que resistiram ao grande terremoto e depois viveu uma fase de abandono ao longo do século 20 para virar ponto turístico nas últimas décadas.

O lugar é repleto de ruas tortuosas, fazendo um convite a se perder por entre casarões históricos e igrejas. Se for sábado, dá ainda para visitar a Feira da Ladra, que acontece por ali. São dezenas de vendedores que expõem na rua antiguidades, cacarecos e roupas usadas. Alguns deles vendem azulejos para decoração que, diz-se por ali, são dos séculos 17 e 18.

Embora cheio, o Miradouro Santa Luzia permite uma boa vista de Lisboa com o Tejo ao fundo. Dali de cima, todo o bairro de Alfama parece uma colina branca.

A sete minutos a pé se chega ao Castelo de São Jorge. Trata-se, como boa parte das fortificações de uma sobreposição de construções levantadas séculos afim por gregos, fenícios, romanos, visigodos e mouros. Os ibéricos cristãos deram a elas a cara que têm hoje, com torres de pedra e ameias. Bilhetes custam 15 euros (R$ 89).

A região de Parque nas Nações fica a meia hora de transporte público. Trata-se de um bairro mais moderno, criado para sediar a Exposição Mundial de 1998. Crianças vão gostar do Oceanário de Lisboa (25 euros ou R$ 149). Abriga tanques e viveiros de animais marinhos de várias regiões, entre eles pinguins e lontras. O destaque é o aquário central, que ocupa dois andares e permite ver tubarões, arraias e uns peixões esquisitos.

Tome o teleférico rumo à Torre Vasco da Gama, edificação mais alta do país. Ali, o centro comercial homônimo é um shopping que pode entreter alguns adultos.

Quando a noite cair, volte para Alfama e ver uma apresentação de fado numa tasca —para se despedir com certa melancolia.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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