O historiador e youtuber Eduardo Bueno, conhecido como “Peninha”, compareceu na quarta-feira (15) à delegacia de combate à intolerância de Porto Alegre para um interrogatório. Segundo o delegado Vinicius Nahan, que conduz o inquérito por suposta intolerância religiosa, Bueno preferiu se manter “em silêncio” durante o procedimento.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul instaurou um inquérito em fevereiro para investigar o comunicador por causa de um vídeo em que ele sugere que pessoas de fé evangélica não deveriam votar. Nahan informou também que espera ter concluído o inquérito e proceder com o indiciamento na semana que vem. O vídeo não aparece mais no feed do canal Buenas Ideias e a polícia informou que uma decisão judicial foi o motivo da remoção.
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No início de fevereiro, o deputado estadual Leonardo Siqueira (NOVO) protocolou uma representação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) com um pedido de investigação por possível “discurso de ódio” e “intolerância religiosa” contra o historiador. Não há, até a conclusão desta edição, qualquer notícia de tramitação deste procedimento.
“Evangélico não deveria votar”
Peninha disse no vídeo de janeiro que evangélicos não deveriam votar porque não escolhem seus pastores. Era um comentário, em tom cômico, ao raio que caiu durante uma manifestação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ocorrida pouco antes. Ele se defendeu dizendo que seu canal é “repleto de metáforas e exageros” e que não quis dizer “exatamente” que evangélicos não deveriam votar.
O escritor argumentou que sua frase foi “modo de dizer” e que só queria “lamentar” as escolhas eleitorais da maioria dos evangélicos. Ele reafirmou que os crentes se posicionariam eleitoralmente de maneira “retrógrada” e “nefasta”.
No interrogatório, o escritor foi acompanhado do advogado Alexandre Wunderlich, que foi procurado pela reportagem para comentar. Ele não retornou ao nosso contato, mas o espaço segue aberto para considerações.
Histórico de polêmicas
Antes de falar sobre evangélicos, Bueno recebeu uma onda de críticas ao celebrar o assassinato de Charlie Kirk, em 2025. Mas o jornalista gaúcho já teve repercussão negativa por festejar ou desejar a morte de diversas personalidades ligadas à direita.
Em um podcast, Bueno comentou a morte do jornalista José Roberto Guzzo, veterano da imprensa e antigo colunista da Gazeta do Povo, com um exultante “Que maravilha!”. Em outra entrevista, confessou ter “vibrado” com o falecimento de figuras como Ronald Reagan, Henry Kissinger, Margaret Thatcher e Emilio Garrastazu Médici.
Sobre Olavo de Carvalho, a quem chamou de “escroto” e “terraplanista”, afirmou: “Um cara que mata urso não merece viver neste planeta”. A lista de figuras vivas que, para Peninha, “não deveriam viver” inclui o músico Roger Moreira, do Ultraje a Rigor — para quem deseja um “fim horroroso” — e a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC).
Eduardo Bueno é autor de mais de 30 livros, incluindo a famosa Coleção Brasilis e Brasil: Uma História. Atualmente, comanda o canal Buenas Ideias no YouTube, que conta com mais de 1,5 milhão de inscritos.
Fonte. Gazeta do Povo




