
Os voos com a British Airways podem ficar mais conectados, e potencialmente mais barulhentos. Recentemente, a companhia anunciou que permitirá chamadas de voz e vídeo durante a viagem, graças à implantação de internet de alta velocidade via satélite. A novidade permitirá usar aplicativos como WhatsApp, Zoom e Microsoft Teams diretamente a bordo.
A mudança faz parte da instalação da tecnologia da Starlink na frota da aérea. Com a nova conexão de 500 Mbps, passageiros poderão acessar redes sociais, assistir filmes em plataformas de streaming e participar de videochamadas durante o trajeto. O primeiro voo com o sistema aconteceu em março, em um Boeing 787-8 que partiu de Londres Heathrow com destino a Houston, nos Estados Unidos.
Segundo a companhia, o acesso será gratuito para todos os passageiros, independentemente da classe. Quem voava com a British precisava pagar entre £ 2,99 e 21,99 para usar o wi-fi a bordo, com valores variando conforme o tempo de conexão e o tipo de uso.
Com o novo sistema, será possível conectar vários dispositivos ao mesmo tempo, como celular, tablet e computador. A implementação será gradual e deve alcançar toda a frota de mais de 300 aeronaves da companhia em até dois anos, começando pelos voos de longa distância.
Chamadas durante o voo geram críticas
Apesar do entusiasmo com a internet a bordo, a novidade também levantou preocupações entre especialistas e passageiros. A principal crítica é que as chamadas podem transformar a cabine em um ambiente mais barulhento, prejudicando quem prefere descansar ou dormir durante a viagem. Alguns especialistas acreditam que a novidade pode até levar à criação de “zonas de silêncio” em aviões, semelhantes às existentes em certos trens europeus. A própria British reconhece a preocupação e recomenda que passageiros usem fones de ouvido e falem em tom baixo ao fazer chamadas.
A decisão da companhia britânica contrasta com a política adotada por empresas nos Estados Unidos. A American Airlines, por exemplo, proíbe chamadas durante o voo, seguindo regras da Federal Communications Commission sobre o uso de determinadas frequências móveis em aeronaves.
Já a United Airlines adotou uma política mais rígida. Passageiros que assistirem vídeos ou ouvirem áudio sem fones de ouvido podem ser impedidos de embarcar ou até retirados do avião. A medida foi incluída na Regra 21 do contrato de transporte e permite que a companhia tome providências caso o viajante ignore as orientações da tripulação. As punições podem ir de advertência à proibição de voos futuros ou até cobrança por eventuais prejuízos operacionais.
Parte do público concorda com a necessidade de silêncio. Uma pesquisa do Departamento de Transportes dos Estados Unidos com 1700 entrevistados mostrou que 96% dos passageiros apoiam a proibição de chamadas em aviões, principalmente por receio de conflitos entre viajantes, os chamados air rages – acessos de furia devido ao conteúdo das ligações.
Conectividade em aviões é tendência global
A British Airways passa a integrar o grupo de companhias que adotaram a internet via satélite da Starlink, tecnologia já utilizada por empresas como Air France, Emirates e Qatar Airways. No Reino Unido, porém, a companhia britânica será a primeira a implementar o serviço em seus aviões.
Na Europa, a pioneira foi a airBaltic, que introduziu o sistema em fevereiro de 2025. Mais tarde, empresas como SAS Scandinavian Airlines e a própria Air France também começaram a instalar a tecnologia em suas frotas. A companhia francesa, por exemplo, iniciou o processo com 30% das aeronaves e planeja equipar todos os aviões até o fim de 2026, recomendando que os passageiros usem seus dispositivos de forma discreta para manter um ambiente tranquilo na cabine.
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Fonte.:Viagen


