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29 de abril de 2026

Bar que hostilizou israelenses tem alvará cassado no Rio

Bar que hostilizou israelenses tem alvará cassado no Rio

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O bar Partisan, da Lapa, reduto boêmio do Rio de Janeiro, que virou notícia no início do mês após exibir um aviso na entrada dizendo que israelenses e americanos “não são bem-vindos”, teve seu alvará cassado pela prefeitura. A decisão que retirou o registro do bar foi publicada nesta terça-feira (28).

O bar havia sido multado pelo Procon carioca em R$ 9.520. A Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor disse que a conduta configuraria prática abusiva e discriminatória, proibida pelo Código de Defesa do Consumidor. Segundo a lei, nenhum negócio pode recusar atendimento sem justificativa legítima nem fazer distinções baseadas em origem ou nacionalidade.

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Na época, o vereador Flávio Valle (PSD) já havia pedido a cassação do alvará do bar, citando “atitudes discriminatórias” e “respeito aos direitos fundamentais”.

Em postagem no Instagram do estabelecimento, o dono do bar manifestou “perplexidade” com a medida, que reputou como “desproporcional”.

“A defesa técnica do Sr. Thiago Vieira, proprietário do Bar Partisan, manifesta profunda perplexidade e indignação diante da decisão da Prefeitura do Rio de Janeiro, publicada nesta terça-feira (28), que determinou o cancelamento da inscrição municipal do estabelecimento. Tal medida é considerada desproporcional, carente de razoabilidade e eivada de vício de finalidade”, diz a nota do estabelecimento.

Gonzaguinha e Madame Satã

Também no Instagram, o Partisan se apresenta como um “ambiente antifascista” e chama seus clientes de “camaradas”. “Partisanos” eram guerrilheiros, muitos deles judeus, que combateram o nazismo na Europa durante a Segunda Guerra. Ironicamente, os autoproclamados herdeiros cariocas dessa resistência agora querem barrar israelenses na porta.

Além de bar, o espaço funciona como livraria, cineclube e centro de debates políticos. Uma das postagens convida o público a conhecer o acervo literário: “Sim, o Partisan também é uma livraria da esquerda. Se você ainda não sabia, está na hora de nos visitar e conhecer o que pode fortalecer sua luta”.

Entre as organizações que já realizaram eventos por lá estão a União da Juventude Comunista, o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, o Cineclube Madame Satã, o Grupo de Estudo de Ecologia e Marxismo e o Coletivo Gonzaguinha (dedicado a debates sobre violência de Estado).

A programação inclui discussões sobre temas como o “genocídio” em Gaza, “posseiros do campo brasileiro” e o “sequestro de Maduro” pelos EUA. Mas também há espaço para a esquerdismo identitário: segundo outra postagem, “o capitalismo racista e o Estado burguês impõem um isolamento estratégico sobre a mulher negra periférica”.



Fonte. Gazeta do Povo

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