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6 de maio de 2026

Desenrola cria cultura que ignora razão do endividamento recorde, diz pesquisador do ‘Brasil dos boletos’

Desenrola cria cultura que ignora razão do endividamento recorde, diz pesquisador do ‘Brasil dos boletos’

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Consumidores fazem compras durante a Black Friday em um supermercado em São Paulo, Brasil, em 27 de novembro de 2025

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, ‘O parcelamento entra em todas as frentes da vida, inclusive para comprar alimentos e roupas’, aponta Kauê Lopes dos Santos

  • Tempo de leitura: 13 min

O investimento em programas de renegociação de dívidas mostra que o governo brasileiro está atento aos problemas da população e funciona como uma injeção de renda para permitir a volta ao consumo, afirma o geógrafo Kauê Lopes dos Santos, que estuda a cultura da compra parcelada nas periferias de São Paulo.

Por outro lado, diz o professor da Universidade de Campinas (Unicamp), programas como o Desenrola, que teve sua segunda versão lançada oficialmente pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta semana, podem criar uma cultura de renegociação de débitos que não resolve o problema estrutural causado pelo consumo via crédito no Brasil.

“Essas iniciativas são importantes, porque mostram que o governo está atento aos problemas da sociedade e não simplesmente agindo como se essa fosse uma questão apenas entre a população e os bancos ou redes de varejo”, diz Lopes dos Santos, autor do livro Parcelado (Editora Fósforo).

“Mas, como muitas políticas públicas, tem um impacto de curto e médio prazo.”

Segundo o pesquisador, programas como o Desenrola 2.0 podem criar uma cultura de renegociação que podem “complexificar o jogo”. “Pode criar uma lógica de resolver sempre no curto prazo, sem buscar entender as questões mais estruturais”, diz.



Fonte.:BBC NEWS BRASIL

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