O jornalista e escritor Eduardo Bueno, conhecido como Peninha, foi indiciado nesta quinta-feira (7) pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul pelo crime de discriminação religiosa contra pessoas evangélicas. O delegado responsável pelo caso afirmou que concluiu a investigação com a análise do vídeo e enquadrou a conduta na Lei Federal 7.716/89, que também pune casos de racismo e é inafiançável e imprescritível.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul instaurou um inquérito em fevereiro para investigar o comunicador por causa do conteúdo, em que ele sugere não permitir pessoas de fé evangélica a votar. O vídeo não aparece mais no feed do canal Buenas Ideias, no Youtube, e a polícia informou que uma decisão judicial foi o motivo da remoção.
“A discriminação por motivação religiosa feita pela internet tem o entendimento que o fato de ter defendido a retirada de direitos políticos de um grupo social em razão de sua religião configura o crime de preconceito religioso, que não está protegido pela liberdade de expressão”, declarou o delegado Vinicius Nahan.
Com a conclusão do inquérito, a polícia o remete ao Ministério Público (MP) que aprecia e opta ou não por uma denúncia judicial. Além do inquérito na Polícia Civil, tramita também uma investigação na Polícia Federal de Porto Alegre pelo mesmo fato. Na opinião da defesa do escritor, a delegacia de Polícia Civil seria incompetente por se tratar de um crime federal.
No início de fevereiro, o deputado estadual Leonardo Siqueira (NOVO) protocolou uma representação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) com um pedido de investigação por possível “discurso de ódio” e “intolerância religiosa” contra o autor de livros de História do Brasil. Não há, até a conclusão desta edição, notícias de tramitação deste procedimento.
Acompanhado pelo advogado Alexandre Wunderlich, o autor de livros que contam a história do Brasil seguiu a orientação de se manter em silêncio. O argumento da defesa é o de que as declarações dele teriam “tom jocoso” e estariam protegidas pela liberdade de expressão, ao contrário do entendimento da polícia.
“A manifestação ocorreu dentro dos limites legais do exercício da liberdade de expressão e da manifestação do pensamento, trata-se de direito de crítica abstrata, tendo clara finalidade jocosa. Não ocorreu preconceito à liberdade religiosa e o indiciamento será revisto no Judiciário”, declarou Wunderlich.
“Evangélico não deveria votar”
Peninha disse no vídeo de janeiro que evangélicos não deveriam votar porque não escolhem seus pastores. Era um comentário, em tom cômico, relacionado ao evento de um raio que caiu durante uma manifestação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), ocorrida pouco antes. Ele se defendeu dizendo que seu canal é “repleto de metáforas e exageros” e que não quis dizer “exatamente” que evangélicos não deveriam votar.
O escritor argumentou ainda que sua frase foi “modo de dizer” e que só queria “lamentar” as escolhas eleitorais da maioria dos evangélicos. Ele reafirmou que os crentes se posicionariam eleitoralmente de maneira “retrógrada” e “nefasta”.
Histórico de polêmicas
Antes de falar sobre evangélicos, Bueno recebeu uma onda de críticas ao celebrar o assassinato de Charlie Kirk, em 2025. Mas o jornalista gaúcho já teve repercussão negativa por festejar ou desejar a morte de diversas personalidades ligadas à direita.
Em um podcast, Bueno comentou a morte do jornalista José Roberto Guzzo, veterano da imprensa e antigo colunista da Gazeta do Povo, com um exultante “Que maravilha!”. Em outra entrevista, confessou ter “vibrado” com o falecimento de figuras como Ronald Reagan, Henry Kissinger, Margaret Thatcher e Emilio Garrastazu Médici.
Sobre Olavo de Carvalho, a quem chamou de “escroto” e “terraplanista”, afirmou: “Um cara que mata urso não merece viver neste planeta”. A lista de figuras vivas que, para Peninha, “não deveriam viver” inclui o músicoRoger Moreira, do Ultraje a Rigor — para quem deseja um “fim horroroso” — e a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC).
Eduardo Bueno é autor de mais de 30 livros, incluindo a famosa Coleção Brasilis e Brasil: Uma História. Atualmente, comanda o canal Buenas Ideias no YouTube, que conta com mais de 1,5 milhão de inscritos.
Fonte. Gazeta do Povo



