Quem convive um longo tempo com o vinho acaba desenvolvendo pequenas manias. Compartilho aqui cinco das minhas.
› A primeira é sempre levar uma garrafa reserva quando vou abrir outra de uma safra antiga fora de casa. Exemplares velhos trazem emoção — mas também risco. Para evitar tragédias enológicas, carrego escondida uma segunda garrafa na minha malinha de vinhos, aquela que me acompanha em restaurantes e casas de amigos. Hoje, mesmo quando a garrafa principal está ótima, alguém pergunta: “Mas e a backup?”. Resultado: quase sempre essa é aberta também.
› Outra mania envolve logística doméstica. Em muitas casas, uma pessoa acaba assumindo o papel de responsável pela bebida. No meu caso, minha esposa delegou completamente o assunto. O problema é que eu viajo bastante e, como qualquer ser humano normal, ela, às vezes, tem sede etílica na minha ausência. Como escolher em uma adega que não é pequena? A solução foi tecnológica: tudo está catalogado em planilha. Quando ela quer vinho, manda mensagem dizendo o estilo. De qualquer lugar do planeta, consulto a planilha e respondo com as coordenadas: coluna, prateleira, número da garrafa. Funciona surpreendentemente bem.
› Uma lição aprendida ao longo do tempo: não basta preservar o vinho, é preciso preservar também o rótulo. Poeira, umidade e atrito podem manchá-lo ou rasgá-lo. Isso não altera o líquido, mas pode desvalorizar bastante o exemplar danificado. Nas minhas garrafas mais especiais, aplico plástico filme sobre o rótulo. Décadas depois, quando essa proteção é retirada, a etiqueta parece recém-impressa — quase uma pequena cápsula do tempo.
› Há também o problema das taças. Alguns tintos mais concentrados deixam manchas persistentes no vidro. Minha solução, eficiente e talvez um pouco controversa, é usar água sanitária em um borrifador. Um breve contato remove tudo — depois, é só enxaguar bem. Antes de servir, porém, sempre avinho taças e decanter com um pouco do próprio vinho. Coloque uma pequena dose no decanter, lave-o com vinho passe esse vinho para a primeira taça. Depois repita o processo de taça em taça até a última. No final, descarta-se o que restou.
› Existe ainda o dilema das confrarias: o encontro em que “cada um leva um vinho”. A ideia é ótima, mas às vezes alguém aparece com um grande vinho enquanto outro traz algo bem mais simples. Para evitar constrangimentos, gosto de usar uma referência objetiva: o preço médio internacional do vinho no site Wine-Searcher. A regra fica simples: cada participante leva uma garrafa que custe pelo menos um determinado valor. Não é um sistema perfeito — nenhum é —, mas funciona.

Do produtor JAWS, feito com as cepas alfrocheiro, aragonez e touriga nacional, sem madeira. Multiregional (mistura de uvas de diferentes regiões). Rubi entre claro e escuro. Aroma de frutas vermelhas e negras, especiarias. Paladar de médio corpo, macio e pronto, apenas 12,5% de álcool, simples para o dia a dia. R$ 49,90, na Evino.
Produzido pelo Grupo Peñaflor, 100% malbec, de Mendoza, sem madeira. Cor rubi entre clara e escura. Aroma de frutas negras, notas florais. Paladar leve e macio, acidez moderada, simples para o dia a dia. R$ 35,18, na Wine.
Publicado em VEJA São Paulo de 08 de maio de 2026, edição nº 2994.
BAIXE O APP COMER & BEBER E ESCOLHA UM ESTABELECIMENTO:
IOS: https://abr.ai/comerebeber-ios
ANDROID: https://abr.ai/comerebeber-android
Fonte.: Veja SP Abril


