
Quase 50 anos após o desastre que matou o ex-presidente Juscelino Kubitschek na Via Dutra, um novo relatório oficial da CEMDP sugere que ele foi vítima de um crime político articulado pela ditadura militar, contrariando teses anteriores de acidente rodoviário comum.
Qual é a nova conclusão sobre a morte de JK?
A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos deve aprovar um relatório que define a morte de Juscelino como assassinato político. A historiadora responsável pelo documento valoriza falhas em perícias antigas e o contexto de perseguição da época para concluir que o ex-presidente era uma ameaça ao regime militar e, por isso, foi eliminado.
O que foi a Operação Condor mencionada no caso?
Foi uma aliança secreta entre as ditaduras da América do Sul (como Brasil, Chile e Argentina) para perseguir e eliminar opositores políticos. Cartas da época mostram que o serviço secreto chileno considerava JK uma ameaça à estabilidade da região, reforçando a tese de que ele estava na mira dessas operações coordenadas.
Quais são as principais falhas apontadas nas investigações anteriores?
Especialistas apontam que os laudos da época foram mal feitos. Por exemplo, os exames de sangue não buscavam outras substâncias além de álcool, o que impediu a confirmação de um possível envenenamento do motorista. Além disso, novas simulações em 3D rejeitaram a ideia de que o carro se desgovernou após bater em um ônibus, tese que sustentou a versão de acidente por décadas.
O que significa o conceito jurídico in dubio pro victima usado no relatório?
É um princípio que diz que, em casos de incerteza onde a produção de provas é difícil (como em crimes cometidos pelo Estado na clandestinidade), deve-se decidir a favor da vítima. É o oposto do benefício da dúvida para o réu. Como não há provas definitivas para nenhum dos lados, a historiadora optou por proteger a memória e a condição de perseguido político de Juscelino.
Quais serão os efeitos práticos se o assassinato for oficializado?
Como os prazos para indenizações financeiras já venceram, o principal impacto é histórico e simbólico. O resultado prático será a retificação da certidão de óbito de Juscelino Kubitschek e de seu motorista, Geraldo Ribeiro, para que conste oficialmente que morreram em decorrência de perseguição política durante o regime militar brasileiro.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
Fonte. Gazeta do Povo


