5:22 AM
13 de maio de 2026

Caso de aluno expulso da USP após perseguição política motiva criação de projeto de lei

Caso de aluno expulso da USP após perseguição política motiva criação de projeto de lei

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O caso de Victor Henrique Ahlf Gomes, que em 2024 foi expulso da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), motivou a proposição de um projeto de lei na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Batizado de “Lei Victor Ahlf”, o PL 423/2026 busca estabelecer diretrizes que protejam a integridade acadêmica, liberdade de expressão e pluralismo nas universidades públicas do estado de São Paulo.

De acordo com o projeto de lei, constranger, intimidar ou expor publicamente qualquer pessoa por suas convicções políticas, filosóficas, religiosas ou ideológicas, ou dificultar o acesso a atividades acadêmicas, administrativas, culturais ou esportivas pelos mesmos motivos, passa a ser proibido nas instituições de ensino públicas estaduais do estado. Além disso, usar o poder disciplinar e abrir processos administrativos contra professores, servidores ou alunos, com finalidade de perseguição político-ideológica, como o que aconteceu com Victor Henrique Ahlf Gomes — conhecido como “estudante de direita” desde seu ingresso na USP, em 2020 —, se torna uma medida abusiva, pela proposta.

O deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos), autor do PL 423/2026, reforça que o objetivo do seu projeto é garantir a liberdade de expressão para todos, independentemente da posição político-ideológica em que estejam. “Hoje vem da ‘esquerda para a direita’, mas pode ser o contrário em algum momento. O que acontece agora é que só um lado pode se manifestar e colocar a opinião, fazendo um ruído grande. E quem é contrário, para não ser cancelado, fica com medo de se posicionar”, diz ele. “Inclusive porque essas pessoas vêm com agressividade e desrespeito, com imposição”, completa. 

Tomé exemplifica essa situação de intimidação lembrando da ocupação recente ao prédio da reitoria no campus Butantã da USP, e comenta sobre algo pessoal: a convocação feita na página do Instagram pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, para irem até a Alesp, nesta segunda-feira (11) pressionar parlamentares pela rejeição do projeto.

“Nós queremos com esse PL justamente evitar intimidações como essa, na porta do meu gabinete. Eles nos acusam do que eles são e fazem. Queremos que isso não aconteça mais, independentemente da posição das pessoas. É para proteger a todos e não permitir que se sintam incomodados aqueles que pensam diferente”, finaliza. 

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Surpresa positiva

Victor Henrique Ahlf Gomes diz que recebeu a notícia do projeto de lei com uma surpresa positiva, e acredita que o PL 423/2026 é essencial, sobretudo em São Paulo, estado em que estão localizadas três das principais universidades do Brasil. 

Para ele, seu caso foi emblemático, especialmente porque além de o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reconhecer a inexistência dos fatos utilizados pela USP para incriminá-lo (importunação sexual, violência de gênero e racismo), ainda reconheceu que houve abuso de poder por parte da instituição, por apresentar fatos externos à vida universitária. 

“Embora meu caso não seja único, muito pelo contrário, sei de diversos alunos e professores de outras instituições paulistas que são perseguidos mediante processos administrativos por suas opiniões políticas,  considero o PL essencial para garantir a liberdade de expressão e até mesmo a liberdade de cátedra dentro das universidades paulistas”, pontua Victor. 

O processo dele transitou em julgado em 25 de fevereiro deste ano. Victor conseguiu realizar a colação de grau e pegar seu diploma em uma cerimônia na sala do diretor do curso, que ocorreu com tranquilidade. 

Relembre o caso

Conhecido desde 2020, ano de seu ingresso na Faculdade de Direito da USP, como “estudante de direita”, Victor Henrique Ahlf Gomes foi expulso da instituição após a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) com viés político que o expulsou da instituição e o proibiu de se formar na época correta.

O PAD foi instaurado em 2022, partindo de uma reclamação feita pelo próprio Victor na Ouvidoria da Faculdade de Direito, contra uma ex-namorada, diante de rumores de que um encontro entre eles teria sido forçado, inclusive com afirmação de que ela estaria com um braço roxo devido a um suposto “puxão” dado por Victor ao tentar conversar com ela em sala de aula. 

Ao não ser ouvido pela faculdade, ele abriu um processo por calúnia e difamação, mas ainda assim enfrentou o PAD e, por conta disso, sofreu perseguição política e foi expulso da faculdade. Semanas depois, a juíza Gilsa Elena Rios, da 15ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo decidiu anular o processo administrativo, e em dezembro de 2025 o TJSP manteve a anulação após recurso apresentado pela USP.



Fonte. Gazeta do Povo

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