Crítica | SP
NaPizza Napoletani
Três estrelas (Bom)
R. Dr. Cintra Gordinho, 183, Alto da Lapa. região oeste. @napizzaoficial
É indiscutível a atmosfera napolitana dessa pizzaria de bairro do Alto da Lapa. Está nas flâmulas e camisas de futebol (do Napoli, é claro), no clima familiar do atendimento, na agitação da clientela, no sotaque do chef e na atmosfera um tanto caótica do salão colado à cozinha.
Não é um lugar com sofazinhos aconchegantes, carta de vinhos muito interessante ou serviço de primeira. É tudo bem básico, com assentos até um tanto desconfortáveis. Mas entregar uma boa redonda de fermentação lenta e ingredientes importados num ambiente simples faz parte da graça da Na’Pizza Napoletani.

Pizza salsiccia e friarielle da NaPizza Napoletani
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Priscila Pastre/Folhapress
O nome sugere e o garçom afirma que a casa entrega a autêntica pizza napolitana. Mas mora aí certo exagero. Se seguido à risca, esse método de produção dá pouca margem a erros. E a massa da Na’Pizza, apesar de gostosa e com boa elasticidade, ainda precisa de acertos. Tanto in loco quanto no delivery, ela apresentou um assamento desigual, do qual falaremos mais adiante.
Os preços assustam. São equivalentes aos das melhores pizzarias da cidade, como a Carlos e a Leggera. Há de se levar em conta que as pizzas da NaPizza, mesmo individuais, são bem servidas e saciam logo. Apenas uma para duas pessoas seria pouco, mas pedindo entrada daria até para cogitar. Aliás, para começar o jantar há opções como o carpaccio (R$ 72) e a burrata (R$ 55).
Entre as pizzas há duas opções de marguerita. A mais simples (R$ 70,20) e a verace (R$ 76,80). A diferença é o queijo, que na segunda é de búfala. Nos dois casos, leva uma cobertura bem distribuída, com molho de tomate saboroso e a borda no tamanho ideal: nem exagerada nem pequena demais.
A de escarola (R$ 70,20) recebe a verdura sobre molho de tomate, com parmesão, muçarela, pinoli, uva-passa, orégano e azeitonas pretas. Uma combinação esperta de texturas numa pizza bonita, daquelas que enchem os olhos quando chegam à mesa. Na boca, a escarola revela-se mais decorativa do que saborosa.
Mais interessante é a salsiccia e friarielli (R$ 78), que vem com uma ótima linguiça fresca artesanal e essa verdura da região da Campânia. Uma pizza equilibrada em sabor, mas não em proporção. Tem muito de tudo, e acaba pesando.
Em todas as pizzas provadas no endereço a massa apresentou o mesmo dilema: bem assada nas bordas, mas não no centro. É importante dizer que nenhuma delas estava crua, mas ligeiramente encruda no meio.
Como chegamos às 18h30, só meia hora depois de a casa abrir naquela sexta-feira, pensei que o problema pudesse estar na temperatura do forno. Talvez ainda não estivesse quente o suficiente. Por outro lado, o restante estava bem assado. As bordas inclusive apresentavam aqueles queimadinhos que rendem charme e sabor.
Para tentar desvendar essa questão, eu consultei um especialista. A resposta teve a ver com o forno, mas não da forma como eu imaginei. Ele explicou que mais importante do que a temperatura momentânea (que estava correta, com o termômetro externo marcando 417ºC) é conseguir transferir calor suficiente (energia) ao alimento.
O uso do forno a lenha é eficaz nesse sentido, já que a brasa fica encostada no lastro (a base do forno em contato com a pizza). Já nos fornos a gás é necessário compensar essa falta.
É mais difícil, mas possível se for manejado de forma correta. Ao fazer o vídeo da crítica, notei que havia lenha guardada na parte de baixo do forno, mas ele estava funcionando a gás, o que pode então explicar a irregularidade no assamento da massa.
Voltando ao jantar, para finalizar pedimos o tiramissu (R$ 27). Ele chega numa apresentação despretensiosa. E, apesar das bolachas mais secas do que o esperado, chama a atenção pelo bom preparo do mascarpone, feito na casa. Mais aerado que untuoso, deixa essa versão do doce leve e original, sem ferir a tradição.
No fim, considerando a experiência geral, a NaPizza funciona como uma boa pizzaria de bairro: vale uma visita, se isso não exigir grande esforço.
Fonte.:Folha de São Paulo


