Uma força-tarefa coordenada entre mais de dez agências de três países diferentes será responsável pela segurança da Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, no Canadá e no México. A operação é considerada inédita, principalmente pelas dimensões continentais do evento nesta edição.
O editor de Internacional Diego Pavão explicou ao Live CNN desta quarta-feira (10) que a cooperação não tem precedentes porque nunca antes uma Copa do Mundo foi realizada em três países simultaneamente.
“Temos um número recorde de seleções, 48, e serão 104 jogos disputados em uma dimensão continental. Na Copa do Catar [em 2022], a gente tinha tudo acontecendo em um raio de cerca de 50 quilômetros, é uma situação muito diferente”, observa Pavão.
A realização do evento em três nações impõe desafios específicos à coordenação das forças de segurança. “A gente tem ali uma situação muito inédita no sentido de que essas forças precisam trabalhar de forma sincronizada, mas respeitando essas autonomias internas”, explicou Pavão.
Nos Estados Unidos, por exemplo, os estados possuem um grau de autonomia significativamente maior do que em outros países, o que torna a sincronização das operações ainda mais complexa.
Cada país sede também apresenta ameaças distintas. No México, a preocupação central envolve cartéis de drogas e grupos criminosos que disputam território entre si e com o Poder Público. Já nos Estados Unidos, o foco recai sobre a questão dos atiradores solitários e o amplo acesso a armas de fogo.
Áreas de atuação
A operação de segurança está estruturada em diferentes frentes. Na área de fronteiras e vistos, a agência de migração dos Estados Unidos (CBP) atuará em conjunto com as agências equivalentes do Canadá (CBSA) e do México (INM), realizando a triagem inicial de visitantes.
No combate ao terrorismo, o FBI trabalhará de forma coordenada com a agência de espionagem canadense (CSIS), em uma ação que envolve o compartilhamento incomum de informações sigilosas de inteligência, incluindo alvos monitorados pelas agências, com parceiros de outros países.
A Interpol também participará, auxiliando na identificação de suspeitos ou procurados em outras partes do mundo que possam ter a Copa como alvo.
Na defesa aérea, o NORAD (Comando Norte-Americano de Defesa do Espaço Aéreo), que é uma organização conjunta entre EUA e Canadá, terá papel central. A Agência Federal de Aviação Civil dos Estados Unidos (FAA) ficará responsável por restringir a operação de drones nas proximidades dos estádios.
Quanto ao policiamento urbano, a Guarda Nacional dos Estados Unidos prestará apoio logístico, mas a segurança efetiva ficará a cargo das polícias locais de cada cidade, uma vez que a legislação americana proíbe a atuação direta de forças militares junto a civis.
No México, a situação é distinta: a Guarda Nacional, que na prática funciona como uma força militar, poderá atuar ostensivamente em contexto civil.
Além das frentes mencionadas, as forças de segurança também serão responsáveis por realizar varreduras antibombas nos locais do evento. A prevenção de brigas entre torcedores, incluindo os chamados hooligans, é apontada como outra preocupação relevante para as equipes de policiamento urbano.
“Na prática, são várias agências muito diferentes, com trabalhos diferentes, mas que vão precisar trabalhar juntas em sincronia total para garantir que esse evento saia na completa segurança“, concluiu Pavão.
Fonte: CNN Brasil


