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- Author, Paul Kirby
- Role, Editor digital de Europa
- e
- Author, Davide Ghighlione
- Role, de Roma (Itália) para a BBC News
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A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou ter ficado “surpresa” com a declaração à TV italiana do presidente americano, Donald Trump, de que ela teria “implorado” por uma foto com ele, o que gerou divergências entre os dois líderes.
Meloni afirmou que os comentários de Trump foram completamente “inventados” e o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, cancelou uma viagem para os Estados Unidos programada para o início da semana que vem.
Nesta semana, Trump e Meloni foram observados mantendo conversações próximas durante a cúpula do G7, em Evian-les-Bains, no leste da França. E a líder italiana declarou aos repórteres que suas relações estavam inalteradas e “não houve recriminações”.
Mas, em uma entrevista posterior ao canal de TV italiano La7 por telefone, Trump afirmou: “Ela me implorou para tirar uma foto com ela; fiquei com pena dela.”
Trump e Meloni foram filmados diversas vezes na França. Em uma das imagens, eles pareciam envolvidos em uma conversa em um pequeno sofá, com a primeira-ministra sorrindo enquanto eles falavam.
“Provavelmente, ela está feliz porque falei com ela”, disse Trump. A La7 não transmitiu as palavras originais de Trump em inglês, mas sim a dublagem em italiano.
Meloni reagiu em total descrença, declarando estar “francamente atordoada”, em um breve pronunciamento no Instagram, para seus sete milhões de seguidores.
“Não sei por que o presidente dos Estados Unidos se comporta desta forma em relação a aliados”, disse ela, destacando que não foi a primeira vez em que isso aconteceu.
“Só o que posso dizer é que é lamentável que ele não demonstre a mesma determinação em relação aos inimigos do Ocidente e aos inimigos dos Estados Unidos, cujos líderes ele trata com muito mais indulgência.”
“Mas ele precisa se lembrar de uma coisa: nem eu, nem a Itália, nunca imploramos”, concluiu Meloni.
A BBC entrou em contato com a Casa Branca, pedindo comentários sobre o episódio.
O evidente choque da primeira-ministra italiana em relação ao rompante de Trump surge após uma série de incidentes que enfraqueceram o que havia começado como um relacionamento político próximo.

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Eleita em 2022, Meloni foi a única líder europeia a comparecer à posse de Donald Trump para seu segundo mandato, em janeiro de 2025. Seus colegas da União Europeia a consideravam uma potencial fonte de aproximação com o presidente americano.
Mas a primeira-ministra manifestou sem rodeios sua oposição à guerra dos Estados Unidos contra o Irã. E, em abril, Trump rebateu em uma entrevista por telefone ao jornal italiano Corriere della Sera, dizendo: “Achei que ela fosse corajosa, mas eu estava errado.”

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Quando o presidente americano acusou o papa Leão 14 de ser “fraco em relação ao crime e terrível em política externa”, Meloni declarou que seu comentários eram inaceitáveis.
Em resposta à última entrevista de Donald Trump, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, telefonou imediatamente a Meloni oferecendo seu apoio. E figuras de todo o espectro político italiano saíram em defesa da primeira-ministra.
Ninguém tinha o direito de falar de uma primeira-ministra italiana em tom tão arrogante, segundo o senador italiano de esquerda Filippo Sensi, do Partido Democrata, de oposição a Meloni.
A Itália não merecia esta humilhação, afirmou o líder do Movimento Cinco Estrelas, Giuseppe Conte. Ele destacou que buscar favores de Washington nunca deverá vir às custas do interesse e da dignidade nacional.
Entre os colegas de partido de Meloni, Irmãos da Itália, o líder do grupo no Senado, Lucio Malan, destacou que as palavras de Trump eram parte de um padrão maior de comentários ofensivos dirigidos por ele a diversos líderes europeus, prejudicando, acima de tudo, a própria imagem e autoridade do presidente americano.
Malan indicou que o vídeo do G7, na verdade, exibiu uma dinâmica muito diferente da descrita por Trump. Ele sugeriu que o que realmente irritou o presidente americano talvez tenha sido o histórico de Meloni dizendo “não” para Washington, quando necessário.
O aliado do governo italiano Matteo Salvini, do partido Liga, declarou simplesmente que “quem atacar Giorgia, ataca a todos nós”.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


