A SpaceX de Elon Musk perdeu US$ 400 bilhões (R$ 2,07 trilhões) em valor de mercado na segunda-feira (22), em uma nova onda de volatilidade para a empresa de foguetes e IA após sua estreia histórica em Wall Street.
As ações da SpaceX encerraram a segunda-feira em queda de 16,4%, a US$ 154,60 (R$ 799,85), ficando 31,5% abaixo da máxima atingida após a oferta pública inicial de US$ 86 bilhões (R$ 445 bilhões) do grupo em 11 de junho. As ações foram listadas a US$ 135 (R$ 698,44).
A forte reversão nas ações da SpaceX ocorre em um momento em que os rendimentos dos títulos do governo dos EUA subiram acentuadamente diante das expectativas de que o Federal Reserve precisará elevar as taxas de juros nos próximos meses para conter a inflação. Rendimentos mais altos em títulos do Tesouro de risco ultrabaixo são corrosivos para grupos de tecnologia com valuations elevados, como a SpaceX, que é negociada a mais de 100 vezes sua receita do ano passado.
O impacto de US$ 400 bilhões na capitalização de mercado da SpaceX na segunda-feira é a segunda maior perda em um único dia sofrida por qualquer empresa, de acordo com análise do FT de dados da Bloomberg. A SpaceX encerrou o pregão com um valor de mercado de US$ 2,03 trilhões (R$ 10,5 trilhões), abaixo do pico intradiário de quase US$ 3 trilhões (R$ 15,5 trilhões) em 16 de junho.
“Todo mundo que queria comprar [SpaceX] comprou nos primeiros dias, e parece que basicamente eles terminaram”, disse Mike O’Rourke, da Jones Trading.
O setor de tecnologia em geral também foi atingido na segunda-feira, com o Nasdaq Composite em queda de 1,3%. Grandes ações de tecnologia, incluindo Google, Amazon e Broadcom, caíram mais de 4%.
Os mercados asiáticos caíram na terça-feira, com o Kospi da Coreia do Sul afundando mais de 8%, provocando uma interrupção das negociações à tarde. A SK Hynix perdeu quase 12% e a Samsung caiu pouco mais de 9%.
Em Tóquio, o Nikkei 225 recuou 2,7% e o Hang Seng em Hong Kong caiu 1,5%. Wall Street estava prestes a abrir em baixa, com os futuros do S&P 500 recuando quase 1% e o Nasdaq 100 prestes a perder 1,7%.
Folha Mercado
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O presidente do Fed, Kevin Warsh, prometeu na semana passada conter a onda de inflação desencadeada pela guerra do presidente Donald Trump no Irã, enquanto seus colegas no banco central dos EUA apresentaram um conjunto de projeções inesperadamente hawkish. Nove dos 18 dirigentes do Fed que apresentaram estimativas esperavam taxas mais altas até o final deste ano. Nenhum membro esperava um aumento de taxa em março.
Os mercados agora apostam que o banco central elevará as taxas já em setembro, de acordo com as negociações de segunda-feira nos futuros de Fed funds.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro de dois anos, que são particularmente sensíveis às expectativas de política monetária, subiram 0,05 ponto percentual na segunda-feira, para 4,23%, o nível mais alto em mais de um ano.
Taxas mais altas também elevam o custo de emissão de dívida. A SpaceX está planejando levantar até US$ 20 bilhões em uma venda de títulos ainda esta semana para pagar um empréstimo-ponte de US$ 20 bilhões tomado em março, quando Musk fundiu sua startup de IA endividada, xAI, e a plataforma de mídia social X com a empresa de foguetes.
A enorme avaliação da SpaceX se baseia na suposição de que sua divisão de IA — que teve prejuízo de US$ 6,4 bilhões em 2025 — tem um mercado endereçável total de US$ 26,5 trilhões.
Na segunda-feira, a SpaceX concordou em fornecer recursos de computação em seu data center Colossus dois para a startup Reflection AI, o mais recente de uma série de acordos que Musk fechou com outros grupos envolvidos no boom de investimentos em IA.
A SpaceX fechou acordos semelhantes com a Anthropic e a Alphabet, controladora do Google, em maio e início de junho, respectivamente, imitando o modelo de negócios da CoreWeave, que aluga capacidade de computação para empresas de tecnologia que desenvolvem seus próprios modelos de IA.
O Grok, o chatbot oferecido pela xAI, até agora se mostrou menos popular do que o ChatGPT da OpenAI, o Gemini do Google e o Claude da Anthropic.
Fonte.:Folha de S.Paulo


