1:22 AM
25 de junho de 2026

Casa Magnólia, no Rio, decepciona com clássicos cariocas – 24/06/2026 – Restaurantes

Casa Magnólia, no Rio, decepciona com clássicos cariocas – 24/06/2026 – Restaurantes

PUBLICIDADE


CRÍTICA | RJ
Casa Magnólia
Uma estrela (Ruim)
R. Garcia d’Avila, 151, Ipanema, região sul, Rio de Janeiro. @casamagnolia.rj

Um restaurante novo e todo bonitinho que tem como premissa resgatar clássicos da gastronomia carioca (e internacional) sem invenções de moda. Você iria? A ideia me pareceu ótima. Eu fui. E concluí que, na Casa Magnólia, a teoria é muito superior à prática.

Inaugurada no início de abril após um reposicionamento radical (era um bar sem muita identidade), tem essa proposta admirável de oferecer o que já estamos acostumados a comer em outros lugares do Rio. Há, por exemplo, bife à milanesa, picadinho, galeto, steak tartare e arroz de pato —com alguns toques de nostalgia, como banana split de sobremesa.

Prato branco com borda vermelha contém polvo picado temperado com azeite, ervas e especiarias. Ao fundo, prato preto com pão fatiado sobre mesa branca.

Vinagrete de polvo da Casa Magnólia


Cleo Guimarães/Folhapress

Mas não deixa de ser uma aposta arriscada. São pratos com os quais temos muitos parâmetros e, à primeira garfada, a Casa Magnólia já deixa claro que suas versões não se comparam às que são originalmente servidas há anos, décadas, por seus concorrentes.

O gorduroso rissole de camarão (R$ 14 a unidade), por exemplo, me fez lembrar com saudades dos que são majestosamente servidos no Rancho Português, a poucos metros dali, ou no balcão d’O Caranguejo, em Copacabana.

As entradas também incluíram um vinagrete de polvo (R$ 52) correto, bem temperado, fresco, a melhor pedida do dia. Mas lá no meu inconsciente pensei: o da Adega Pérola dá de mil.



Bifinhos à Magnólia e cherne à belle meunnière da Casa Magnólia


Cleo Guimarães/Folhapress

Segui com o bolinho de bacalhau (R$ 22 cada). Aí foi incomparável. Ou melhor, muito comparável. Talvez tenha sido o pior que já comi. Diminuto, com o mesmo diâmetro de um Sonho de Valsa, não estava crocante e o peixe não parecia ser de qualidade.

Entre os principais, fiquei tentada a provar o filé ao poivre com batata prussiana (R$ 108), de descrição pouco modesta, “com o melhor molho da cidade”. Não quis arriscar e fui no bifinho à Magnólia com arroz à piamontese (R$ 112). Apesar da apresentação pouco caprichada, o molho de cogumelos à base de creme de leite, mostarda de Dijon e cebola caramelizada estava gostoso.

O arroz à piamontese, que não costumo pedir por motivos de trauma de infância, me pareceu superior aos que vejo por aí. Ele é gratinado com grana padano, e o queijo maçaricado dá um bem-vindo toque mais salgado ao muitas vezes adocicado arroz.



Bolinho de bacalhau da Casa Magnólia


Cleo Guimarães/Folhapress

Também experimentei o cherne à belle meunière com purê de batata (R$ 132). É a refeição mais cara do cardápio e segue a receita tradicional francesa, com molho à base de manteiga e vinho branco, camarões e alcaparras. Ruim o peixe não estava, os camarões é que destoaram. Eram pequenos e com maciez aquém da esperada. Pelo menos meia dúzia de outras opções melhores me vieram à cabeça. Foi mais forte que eu.

Entre as quatro alternativas de sobremesa, pedi a banana split (R$ 36): banana brûlée, farofa doce, sorvete de baunilha, cereja ao maraschino e calda de chocolate.

Nessa hora me comovi ao recordar da finada Chaika, também em Ipanema. Sua versão com calda industrializada, chantili e castanha-de-caju cala fundo na memória afetiva de muitos até hoje. Se a intenção da Casa Magnólia era trazer boas lembranças gastronômicas da cidade, acertou em cheio.





Fonte.:Folha de São Paulo

Leia mais

Rolar para cima