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25 de junho de 2026

Um clássico da gastronomia paulistana, Bolinha prepara festa de 80 anos

Um clássico da gastronomia paulistana, Bolinha prepara festa de 80 anos

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O mais longevo restaurante brasileiro da cidade chega, em breve, aos oitenta anos. Sempre no mesmo ponto da Avenida Cidade Jardim e servindo o mais emblemático prato da culinária nacional, a feijoada, o Bolinha foi fundado em 13 de agosto de 1946.

Uma comemoração para 500 convidados está marcada para 15 de agosto, um sábado, no Parque Mirante, no Estádio do Palmeiras. É neste ponto que a história do passado se cruza com a festa do presente.

Tudo começou quando Bolinha e Zé Gordinho — uma dupla de motoristas de praça, como eram chamados os taxistas na época — arremataram um botequim coberto por folhas de zinco em uma região do Jardim Europa que ainda não era um bairro de grã-finos.

Fachada de um bar simples em preto e branco, com uma bicicleta estacionada na frente. Uma placa indica Bar do Bolinha e outra Dom Merino. No canto superior, texto BOLINHA 45 ANOS 13 AGOSTO 1946
Fim da década de 1940: fachada original do restaurante (Acervo Bolinha/Divulgação)

“Seis meses depois, o Zé Gordinho falou: ‘Olha, isso aqui não é para mim não’ e deu área”, recorda-se José Orlando Paulillo, 80, o primogênito de Bolinha, ou melhor, Affonso Paulillo, um palmeirense tão roxo que tinha o símbolo do clube em seu cartão de visita.

“Meu pai já tinha sido mordido pelo bichinho de ter o negócio dele”, completa o irmão e sócio Paulo Affonso Paulillo, 78. A primeira feijoada foi servida a um time de várzea que tinha campo na Rua Escócia, que faceia o Solar Fábio Prado, antigo Museu da Casa Brasileira.

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Dois homens idosos sorrindo para a câmera, um de suéter verde e azul com óculos pendurados, e outro de camiseta cinza, suspensórios pretos e jeans, com óculos na gola, em frente a uma parede de pedra com quadros de jornais antigos
Os irmãos Paulo Affonso e José Orlando Paulillo (Arnaldo Lorençato/Divulgação)

Os irmãos, hoje ajudados por Renato e Paulo Dionizio, filhos de José Orlando e Paulo Affonso, respectivamente, não se recordam ao certo do ano. Pode ter sido em 1951 ou em 1954.

Foi só no final dos anos 1970 que o feijão rico, servido três vezes por semana, passou a ser diário. Com o tempo, a receita tradicional ganhou uma versão magra e até uma kosher, sugerida por um rabino.

Com fãs em todos os cantos da cidade e um sucesso no iFood desde que a plataforma de delivery era Disk Cook, os irmãos começaram a montar, às vésperas da pandemia, em 2019, uma dark kitchen, que só entrou em operação em 2021. Desde então, o Bolinha atende partes da Zona Leste, da Zona Norte e do ABC.

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Voltando à celebração, ela está também intrinsecamente ligada à bola. “A feijoada do Bolinha nasceu de um time de futebol que veio comemorar um título aqui. A gente rodou, rodou e foi acabar no estádio do time de coração do meu avô para fazer a festa de oitenta anos”, diz Dionizio.

Na lista de atrações que estão organizando, com patrocínios como o do iFood, tem até uma escola de samba. Só não dá para ter dúvida de qual. Mancha Verde, é claro.

Com sabor de história

Embora o Bolinha tenha um cardápio extenso, ninguém presta atenção a ele. Faz sucesso a feijoada de todo dia.

O rico feijão-pretopode ser servido à vontade (R$ 188,00 ou R$ 233,00 aos sábados) ou em porção individual (R$ 165,50, de domingo a sexta).

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Mesa de madeira com feijoada completa em panelas de barro: feijão preto com carnes, arroz branco, couve refogada com torresmo, farofa, linguiça, mandioca frita e caipirinha
Feijoada do Bolinha: à vontade ou individual (Acervo Bolinha/Divulgação)

Começa com o caldinho, o torresmo, o bacon e a mandioca frita. Logo em seguida, chega a estrela do menu com linguiças, costelinha, carne-seca…

É complementada por couve com bacon, bisteca de porco dourada, linguiça, farinha de mandioca, arroz e uma banana empanada. Além da versão tradicional, há uma light e outra kosher.

Bolinha

Avenida Cidade Jardim, 53, Jardim Europa, tel. 3061-2010. Tem acessibilidade. $$

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Publicado em VEJA São Paulo de 19 de junho de 2026, edição nº 3000

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Fonte.: Veja SP Abril

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