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27 de junho de 2026

Riscos do improviso com alunos autistas em crise nas escolas

Riscos do improviso com alunos autistas em crise nas escolas

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Professores da rede pública e privada enfrentam uma rotina de improviso e insegurança ao lidar com crises de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Sem diretrizes claras do Ministério da Educação, docentes ficam expostos a agressões físicas e processos judiciais ao tentar intervir.

Qual é a maior dificuldade enfrentada pelos professores em sala de aula?

O principal desafio é o manejo de crises comportamentais de alunos autistas. Como não existem protocolos oficiais sobre como agir, os professores recorrem ao improviso. Isso gera um ambiente de tensão onde tanto o docente quanto o estudante e os colegas correm riscos de se machucar fisicamente, já que intervenções intuitivas, como segurar a criança de forma inadequada, podem agravar o quadro ou causar acidentes.

Como a falta de orientação institucional afeta os profissionais?

A ausência de treinamento deixa o professor vulnerável em duas frentes: a física e a jurídica. Quando um docente tenta conter um aluno em crise sem técnica, ele pode ser alvo de denúncias e processos caso a família ou autoridades considerem a ação inadequada. Relatos de imobilizações bruscas ganham as redes sociais e viram casos de polícia, mas o pano de fundo é quase sempre a falta de uma formação específica oferecida pelo Estado.

O que o Ministério da Educação diz sobre essa situação?

O MEC tem evitado detalhar protocolos específicos para situações de crise, limitando-se a citar legislações genéricas sobre inclusão. A pasta afirma que o apoio deve ser definido caso a caso pelas redes de ensino, mas não oferece diretrizes nacionais que sirvam de referência. Especialistas criticam essa postura, argumentando que o gerenciamento de crises exige treinamento técnico e não pode depender apenas de planos individuais sem base científica.

O que é a terapia ABA mencionada por especialistas?

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma abordagem científica usada para entender o que motiva o comportamento de uma pessoa com autismo. Na escola, ela ajudaria o professor a identificar se uma crise é causada por uma sobrecarga sensorial (como excesso de barulho) ou por uma tentativa de evitar uma tarefa difícil. Com esse entendimento, a resposta do educador deixa de ser um improviso físico e passa a ser uma estratégia pedagógica eficiente.

Quais medidas são necessárias para melhorar a inclusão nas escolas?

Especialistas defendem três passos: o uso de práticas baseadas em evidências científicas, a criação de protocolos de manejo individualizados e o aumento de profissionais especializados nas escolas. Também é discutida a revisão do conceito de ‘inclusão total’, pois matricular todos os estudantes no ensino regular sem oferecer o suporte necessário pode prejudicar o aprendizado e a segurança de todos os envolvidos.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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Fonte. Gazeta do Povo

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