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3 de julho de 2026

Haddad deve lançar candidatura ao Governo de SP em Ribeirão Preto, em aceno ao interior

Haddad deve lançar candidatura ao Governo de SP em Ribeirão Preto, em aceno ao interior

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(FOLHAPRESS) – O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) planeja lançar a candidatura ao Governo de São Paulo em Ribeirão Preto, a 313 km da capital, em um aceno ao eleitorado do interior paulista, que historicamente rejeita o PT.

Com isso, o partido fará, de forma inédita, a sua convenção estadual fora da capital paulista. A campanha prevê que o evento, obrigatório pela lei eleitoral, seja realizado no dia 25 de julho.

A data coincide com a escolhida pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para lançá-lo à Presidência da República, em convenção realizada em São Paulo. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve ter sua tentativa de reeleição oficializada no dia 1º de agosto, no Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista.

Segundo integrantes da campanha de Haddad, o próprio ex-ministro sinalizou interesse em realizar a convenção no interior e separada da que oficializará a tentativa de reeleição do presidente Lula (PT), prevista para o dia 2 de agosto em São Paulo.

A máxima de que é o interior quem elege o governador, repetida sempre entre os políticos paulistas, serviu de justificativa interna para que o PT se afastasse da capital. Haddad recebeu 54,41% dos votos na cidade de São Paulo, em 2022, ante 45,59% de Tarcísio, que foi eleito governador.

O resultado geral no estado, por outro lado, não refletiu a preferência do eleitorado da capital: Tarcísio foi eleito com 55,27% dos votos, contra 44,73% de Haddad. Em Ribeirão Preto, o petista teve 40,44% dos votos. Tarcísio, 59,56%.

CIDADE-SÍNTESE

Para o PT, o eleitorado de Ribeirão Preto sintetiza o paulista do interior: a cidade é a 8ª mais populosa do estado, com 698 mil habitantes, e é um importante polo econômico, palco da principal feira do agronegócio no país, a Agrishow, que acabou capitalizada por políticos de direita.

A atração foi integrada ao calendário dos políticos bolsonaristas. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) compareceu à feira entre 2018 e 2024 (exceto em 2020 e 2021, quando o evento não ocorreu pela pandemia). O filho mais velho dele, Flávio, compareceu à Agrishow deste ano, em abril, junto de Tarcísio, na primeira agenda conjunta dos dois após o governador ter definido que sairia candidato à reeleição, e não a presidente.

Representado na feira desde 2024 pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), Lula costuma ser alvo de críticas da oposição no local. Apesar disso, a campanha de Haddad disse ter identificado uma redução na aceitação de Tarcísio no interior, na totalidade, desde que o petista se lançou pré-candidato.

Entre os motivos apontados pelo diagnóstico interno do PT, estão o descontentamento de prefeitos com o governador pela falta de emendas, e da população com temas como saúde, saneamento básico e educação.

Nas últimas semanas, a equipe de Haddad intensificou as agendas dele pelo estado para, segundo auxiliares do petista, mapear as principais reclamações contra Tarcísio e colocar a candidatura do ex-ministro da Fazenda como necessária para a reeleição de Lula.

A missão de Haddad é justamente montar um palanque forte para garantir que o petista apresente, em 2026, resultados tão bons quanto os da última eleição presidencial. Em 2018, Haddad -que havia disputado a Presidência pelo partido- recebeu 7,2 milhões de votos em São Paulo. Quatro anos depois, Lula recebeu 11,5 milhões.

Diante das desistências de Paulo Serra (PSDB) e de Kim Kataguiri (Missão) na disputa, o PT tem receado que a eleição ao governo paulista antecipe a polarização entre Haddad e Tarcísio e possa ser definida já no primeiro turno.

Na última pesquisa Datafolha para o governo do estado, divulgada em março, antes das desistências dos outros adversários, Tarcísio liderava com 44% das intenções de voto, seguido por Haddad, com 31%.

O palanque paulista em um eventual segundo turno é visto como crucial para que Lula se mantenha no mesmo patamar de votos da última eleição. Por isso, a campanha de Haddad trata a aproximação com o eleitorado do interior como prioridade e espera contar com Alckmin e Márcio França (PSB), que será o vice do petista na chapa, como quadros capazes de frear a desconfiança dos eleitores.

Além disso, a equipe de Haddad encontrou nos números das eleições presidenciais passadas outro motivo para tentar romper a resistência na cidade: a diferença de votos à Presidência no local desde as eleições de 2018.

Há oito anos, Bolsonaro recebeu 72,27% dos votos em Ribeirão. Haddad, que foi candidato a presidente no lugar de Lula, que estava preso, teve 27,73% dos votos. 

Já nas eleições de 2022, a vantagem de Bolsonaro foi de 59,62%, contra 40,38% de Lula.

Segundo os petistas, os resultados indicam que ainda há espaço para sangrar a candidatura adversária.



Fonte Noticias ao Minuto

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