6:18 PM
13 de julho de 2026

Morre Hamad bin Khalifa Al Thani, ex-emir do Qatar – 13/07/2026 – Mundo

Morre Hamad bin Khalifa Al Thani, ex-emir do Qatar – 13/07/2026 – Mundo

PUBLICIDADE


O xeque Hamad bin Khalifa Al Thani, ex-monarca que supervisionou a transformação do Qatar de uma península desértica pouco conhecida no Golfo Pérsico em um país com vasta riqueza e influência global, morreu no domingo (12) aos 74 anos.

Sua morte foi anunciada pela corte real, que não especificou a causa. O país declarou um período de luto público de quatro dias. Hamad é frequentemente descrito como o pai fundador do Qatar moderno.

Quando derrubou seu pai em um golpe sem derramamento de sangue em 1995, o Qatar era rico em gás natural, mas amplamente subordinado à vizinha Arábia Saudita. Hamad ajudou a transformar o pequeno país em um Estado com mentalidade mais independente, com influência política e financeira muito maior do que seu tamanho, antes de passar o poder para seu filho, o atual emir, em 2013.

Durante seu reinado, o produto interno bruto do país cresceu 24 vezes, impulsionado por enormes investimentos para desenvolver sua indústria de exportação de gás natural. O Qatar criou a rede de notícias Al Jazeera e estabeleceu um fundo soberano que agora administra aproximadamente US$ 600 bilhões em ativos. Também conquistou os direitos de sediar a Copa do Mundo de futebol masculino de 2022, em uma candidatura que foi manchada por alegações de suborno.

Mais recentemente, sob o governo de seu filho, o xeque Tamim bin Hamad, o Qatar construiu uma reputação como mediador em uma série de guerras. Seus funcionários facilitaram a diplomacia entre nações ocidentais de um lado e o Irã, o grupo militante palestino Hamas ou o Talibã no Afeganistão do outro. O país tem sido um dos mediadores nos esforços para encerrar a atual guerra entre os Estados Unidos e o Irã.

Nascido na capital, Doha, em 1952, Hamad estudou na Real Academia Militar de Sandhurst, no Reino Unido, e depois retornou ao Qatar para se juntar às suas forças armadas, segundo uma biografia da corte real.

Ele foi preparado para o poder desde cedo; o Qatar é uma monarquia autoritária, com governo hereditário pelo clã Thani. O pai do emir, o xeque Khalifa bin Hamad, depôs um parente para se tornar monarca em 1972. Em 1977, Hamad foi nomeado herdeiro aparente.

Na mesma década, abundantes depósitos de gás natural foram descobertos, impulsionando o país — com uma minúscula população de cidadãos que hoje soma cerca de 400 mil — em direção a uma imensa riqueza.

Analistas e diplomatas da época retratavam o emir Khalifa como deferente às potências regionais, como a Arábia Saudita. Em 1995, Hamad realizou um golpe palaciano enquanto seu pai estava no exterior, tomando o poder.

“Não estou feliz com o que aconteceu, mas tinha que ser feito, e eu tinha que fazer”, disse Hamad na época, em um discurso televisionado.

Seu reinado foi definido por uma ambiciosa tentativa de tornar o Qatar mais conhecido e relevante muito além de suas fronteiras. Os Estados Unidos logo estabeleceram uma importante presença militar no Qatar, e Hamad buscou laços mais estreitos tanto com o Irã quanto com Israel.

O país se tornou um agente ativo de eventos em todo o Oriente Médio, apoiando rebeldes antigovernamentais na guerra civil da Síria e hospedando a liderança política do Hamas e do Talibã em Doha. Também ganhou a reputação de ser mais amigável ao islamismo político do que outras monarquias árabes.

Em 1996, Hamad supervisionou a criação da Al Jazeera, que causou consternação entre outros governos autoritários no Oriente Médio ao permitir uma cobertura mais aberta e crítica da região — embora não do próprio Qatar .

As revoluções da Primavera Árabe que abalaram o Bahrein e o leste da Arábia Saudita não se espalharam para Doha. O Qatar continua sendo uma monarquia absoluta, com uma legislatura consultiva de poder limitado. A família real do país desfruta de uma afluência espetacular, com a linha entre interesses governamentais e empresariais frequentemente borrada.

Em 2013, Hamad quebrou o precedente nacional e regional ao abdicar voluntariamente do poder em favor de seu filho Tamim. “Chegou a hora de virar uma nova página na história de nossa nação, onde uma nova geração avança para assumir a responsabilidade com seu potencial dinâmico e pensamentos criativos”, afirmou na época.

Hamad teve três esposas. A lei islâmica permite que um homem tenha até quatro simultaneamente, e é comum nas dinastias reais do Golfo que múltiplos casamentos sejam usados para cimentar laços familiares e políticos. Ele deixa o atual emir, vários outros filhos e uma de suas esposas, Moza bint Nasser.



Fonte.:Folha de S.Paulo

Leia mais

Rolar para cima