A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou ao TSE (Superior Tribunal Eleitoral) um novo questionamento em relação a uma pesquisa da AtlasIntel, argumentando que o instituto divulgou o levantamento sem apresentar dados estatísticos exigidos por lei.
Em maio, Flávio já havia pedido a suspensão de uma pesquisa Atlas/Bloomberg sob o argumento de que o questionário induzia as respostas dos entrevistados. No mês seguinte, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, atendeu o senador e determinou a suspensão da divulgação do levantamento, que mostrava vantagem de Lula (PT) sobre o bolsonarista.
Desta vez, a pré-campanha de Flávio afirma que a pesquisa, registrada sob o número BR-04582/2026, não apresentou no prazo legal dados como “a identificação dos municípios e áreas, o número de eleitores pesquisados em cada setor e a composição da amostra por gênero, idade, grau de instrução e nível econômico”.
No levantamento, divulgado no último dia 1º, Lula aparece à frente no segundo turno, com 48,8% ante 42,3% de Flávio.
Pelas redes sociais, o CEO da Atlas, Andrei Roman, afirmou que a impugnação da equipe de Flávio “está fundamentada em um erro do sistema do TSE”.
“O arquivo de detalhamento geográfico de municípios e bairros foi devidamente submetido dentro do prazo legal. […] A AtlasIntel não mudará sua técnica nem alterará seus estudos por conta de qualquer tipo de pressão política, econômica ou judicial”, publicou.
A pré-campanha de Flávio rebateu a resposta do instituto, afirmando que a AtlasIntel não comprovou a tentativa de apresentar os dados faltantes. “A falta de apresentação, no prazo legal, dos documentos mínimos legalmente exigidos, impossibilitou qualquer mínima auditabilidade de seus resultados pela Justiça Eleitoral e pela sociedade”, disse em nota.
Segundo integrantes da pré-campanha, a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) também não anexou o material completo no sistema do TSE e, caso o instituto não faça a complementação dos dados a tempo, a equipe avalia impugnar o levantamento.
A legislação eleitoral permite que os institutos enviem o material que comprova os resultados em um prazo após a divulgação da pesquisa. A Genial/Quaest mostrou que Lula ampliou a vantagem sobre Flávio para oito pontos, marcando 45% a 37% no segundo turno.
A assessoria da Quaest foi procurada pela reportagem, mas não respondeu antes da publicação.
Nas redes sociais, Flávio criticou nesta quarta-feira o levantamento da Quaest e elogiou iniciativa do presidente do TSE de sugerir um “selo” para institutos que acertem os resultados da eleição —proposta que é criticada por especialistas e pelas empresas.
“Parabéns ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques, pelo ‘selo de acerto’ para institutos de pesquisa que mais acertarem o resultado das eleições. Talvez se ele já existisse, teriam vergonha de publicar essa pesquisa da Quaest.”
Advogados da pré-campanha de Flávio afirmam que é preciso mudar o modelo de divulgação de pesquisas, exigindo que o material possa ser verificado antes da veiculação e não depois. Segundo eles, quando são detectados problemas na metodologia dos levantamentos, já não adianta pedir sua suspensão caso os dados já tenham sido amplamente publicados.
Em paralelo, o PL pediu ao TSE critérios mais rígidos de fiscalização. Em nota, a pré-campanha de Flávio afirma que o atual sistema de controle tem fragilidades.
Kassio propôs aos institutos de pesquisa a implementação de um “selo de acurácia eleitoral”, para premiar aqueles que mais acertarem os resultados do pleito, o que especialistas veem como um erro.
No pedido ao TSE, o PL afirma que as pesquisas deveriam ser divulgadas somente “após a disponibilização integral da documentação exigida pela legislação, permitindo que partidos, candidatos, Ministério Público e a própria Justiça Eleitoral tenham condições de verificar se a metodologia registrada foi efetivamente cumprida”.
Fonte.:Folha de S.Paulo


