São Paulo
Dentro do complexo Mata São Paulo, que propaga uma ideia de luxo ao mesmo tempo sofisticada e acessível ao lado da avenida Paulista, abre nesta sexta (17) o Preta Maria, restaurante de cozinha autoral africana comandado pela apresentadora e chef Bela Gil.
O nome escolhido homenageia a irmã da cozinheira, a cantora Preta Gil, que morreu no ano passado.

Chef Bela Gil, em seu restaurante Preta Maria
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Thiago Britto/Divulgação restaurante Preta Maria
A ideia de escolher a cozinha africana como especialidade é inédita entre restaurantes de fine dining do cenário gastronômico atual da cidade. Para Bela Gil, o movimento guarda certa semelhança com o caminho que ela percorreu dentro da cozinha saudável. “Acho que as pessoas já esperam de mim algo como ‘eu vou experimentar uma coisa que nunca provei na vida’”, diz.
O restaurante não se propõe a servir exatamente aquilo que se come na África hoje, explica Bela. As receitas foram pesquisadas ao longo de três anos a partir de seu olhar para a cozinha de países como Nigéria, Angola, Moçambique e Senegal.
Entre as sugestões, estão o mafé (R$ 70), ensopado cremoso à base de amendoim com legumes e sobrecoxa de frango, finalizado com espuma de leite de coco e chilli oil. A receita lembra que a cozinha da casa, apesar de ter base vegetal, também traz opções para quem quer comer carne —diferente do Camélia Òdòdó, restaurante que Bela inaugurou em 2021 na Vila Madalena.
Também é o caso do arroz jollof (R$ 89), preparado com tomate, cebola, pimentões, gengibre e especiarias, servido com camarões e lulas grelhados, e do sega wat (R$ 80), guisado de carne bovina preparado com mistura de especiarias inspiradas na culinária etíope, acompanhado de purê de cará, arroz da terra, couve crispy, picles de cebola e ovo.
“Não tenho a pretensão de falar: ‘ó, você vai conhecer toda a culinária africana aqui’. Mas é a porta de entrada, sabe?”. A aposta da cozinha africana, na opinião da chef, pode ajudar a inserir essa cultura alimentar em outros espaços da cidade.
“E estamos aqui no Mata São Paulo, que é um lugar de alto padrão. Estar nele também representa muita coisa, né?”, diz.
Durante o processo de pesquisa, a chef conta que encontrou poucos modelos de apresentação dessas receitas, um aspecto valorizado nesse tipo de restaurante. “Para quem vem no Preta Maria com essa proposta, a comida precisa ser uma coisa impactante. Mas tem pouca referência de fine dining para essa comida. Como se apresenta um mafé? Agora você pega uma massa, tem mil apresentações. É só abrir o Instagram”, afirma ela.
Para Bela, que também participa do programa “Saia Justa”, da GNT, o público está mais receptivo para a cozinha e também o protagonismo negro na cena cultural. “Antigamente não tinha esse respeito. Isso é uma consequência da atuação do movimento antirracista e o movimento preto no Brasil”, diz ela.
A herança baiana da chef, que cresceu com uma mãe que é filha de santo, também está no cardápio e aparece em preparos como acarajé, croquete de efó e moqueca.
Para ela, os drinques são outro destaque do menu —o jurubeba sour (R$ 55), com cachaça de amburana, jurubeba, limão, espuma frisante de abacaxi e cumaru é um dos seus preferidos. Mas a carta também tem uma versão de negroni com dendê (R$ 65) e outra de spritz que leva cajuína, licor de ervas e espumante (R$ 59).
O balcão do bar, todo revestido em pedra granito azul Bahia, chama atenção no ambiente. Mas é uma grande estrutura circular feita de ripas de bambu recobrindo as paredes do salão até o teto que dá o tom da decoração, completada por sofás estampados com padronagens em azul e amarelo e espelhos em formatos geométricos.
A casa funciona em soft opening por um mês. Para encontrá-la, é preciso entrar no complexo de luxo e atravessar um caminho lateral ladeado por plantas até encontrar o Preta Maria, em um espaço de 165m². Além dele, outros dois restaurantes funcionam no complexo, o Matta Città e o Lavva. Há também um centro cultural, a Casa Bradesco, e outro de compras.
Preta Maria
Complexo Mata São Paulo – al. Rio Claro, 190, Bela Vista, região central. @restaurante.pretamaria
Fonte.:Folha de São Paulo


