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18 de julho de 2026

Como autismo do filho mudou vida de Cucurella, da Espanha – 17/07/2026 – Esporte

Como autismo do filho mudou vida de Cucurella, da Espanha – 17/07/2026 – Esporte

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É impossível não reparar nos longos cabelos cacheados que balançam de um lado para o outro no campo durante os jogos disputados pela Espanha nesta Copa do Mundo.

Eles são marca do lateral espanhol Marc Cucurella, recém-contratado pelo Real Madrid —clube pelo qual jogará na próxima temporada após atuar quatro anos pelo Chelsea, da Inglaterra. Foi no time inglês que passou a comemorar seus gols pulando como um pinguim.

“Vi na internet que os pinguins escolhem um parceiro e uma família para a vida toda. E permanecem juntos para sempre. Por isso quero lembrar da minha família, que sempre me apoia nos melhores e nos piores momentos. Essa comemoração é para eles”, explicou o jogador em uma entrevista coletiva.

O atleta, de 28 anos, tem três filhos —Mateo, Río e Bella— com Claudia Rodríguez. Sempre que pode, ele reforça que a família está acima do futebol.

Cucurella vive um momento especial na carreira. Além da transferência para o Real Madrid, ele disputará no domingo (197) a final da Copa do Mundo de 2026 contra a Argentina.

Mas, embora, como ele próprio diz, pareça que a vida dos jogadores de futebol é perfeita, “que não temos problemas pessoais”, a realidade é outra: “nós também temos”.

Entre os desafios cotidianos que raramente são vistos das arquibancadas está a jornada que ele enfrenta ao lado do filho Mateo, diagnosticado aos 3 anos de idade com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de nível 1 de suporte.

Segundo o Boston Children’s Hospital, o TEA é um transtorno do “desenvolvimento neurológico”. Isso significa que ele afeta a maneira como uma criança pensa, se movimenta, fala ou se comporta.

O transtorno é caracterizado por dificuldades na comunicação social, comportamentos repetitivos e, em alguns casos, habilidades cognitivas limitadas ou desiguais.

‘Mudou nossa vida’

“Meu filho mais velho foi quem, de certa forma, mudou a nossa vida. Quando ele começou na escola infantil, começamos a perceber algumas diferenças. Víamos que, nas fotos das crianças brincando, ele sempre aparecia um pouco sozinho”, contou o jogador à emissora pública espanhola RTVE ao lembrar como a família percebeu que o filho era autista.

“À medida que ele foi crescendo, percebemos que ele não falava, que não balbuciava muito. Essa fase foi provavelmente a mais difícil. Ver seu filho sofrer, acredito que seja uma das coisas mais duras que existem”, afirmou.

Cucurella diz que tem dificuldade para falar sobre o assunto e admite que “às vezes não sabe como ajudar o filho”.

Mas tudo isso o ensinou a enxergar a vida com mais paciência, empatia e sensibilidade. O jogador reconhece que sua posição como atleta de elite lhe dá uma voz importante para dar visibilidade ao tema e ajudar outras famílias.

“Estou muito feliz que, com o alcance que temos, isso ganhe repercussão e sirva para ajudar mais famílias, para que sejam abertas mais escolas ou mais centros de ajuda e apoio. Para mim, isso serviu para dar valor e priorizar as coisas que realmente são importantes”, afirmou.

Principalmente porque, no início, a família não recebeu muito apoio da escola que Mateo frequentava e, como pais, se sentiram perdidos em muitos momentos.

“Não recebemos muita ajuda da escola e passamos pelos piores meses. Todos os dias íamos juntos levar o Mateo e voltávamos para casa chorando. Todos os dias”, contou Claudia Rodríguez, esposa do jogador.

‘Temos muito a aprender’

“Temos que pensar no Mateo o tempo todo. Às vezes queremos fazer determinadas coisas e não podemos porque não são boas para ele. As férias sempre são difíceis, porque representam muitas mudanças para ele.”

“Tudo bem, você recebe o diagnóstico de que seu filho é autista, mas nós, pais, não estamos preparados para isso. Então, temos que aprender muito. Provavelmente Mateo também nos ensinou bastante”, afirmou o jogador.

Em uma entrevista, Cucurella chegou a se emocionar ao falar sobre o assunto e disse que sofre ao ver o filho passando por dificuldades.

Até agora, o filho mais velho do jogador não ficou nas arquibancadas ao lado dos irmãos para evitar que se sinta mal. Mas o atleta da seleção espanhola contou à rádio Cadena Cope que Mateo estará presente na final da Copa do Mundo, assim como aconteceu na decisão da Eurocopa masculina de 2024, conquistada pela Espanha.

“Nos Estados Unidos faz muito calor e ele fica muito incomodado. Ele gosta mais de ficar em lugares frescos, com ar-condicionado, piscina…”, explicou o jogador do Real Madrid.

Em um tom mais descontraído, Cucurella afirmou que, caso a Espanha vença a Argentina na final do Mundial, fará uma tatuagem com o rosto do técnico da seleção, Luis de la Fuente.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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