A Europa vive sobre intenso calor, e a quebra de produção de cereais deverá ser grande no continente. As expectativas de produção de milho na França, por exemplo, indicam que o país deverá obter o menor volume em 50 anos.
Pesquisa da WWA (World Weather Attribution) aponta que a umidade do solo está desaparecendo a uma taxa alarmante. A região tem um ressecamento incomum do solo já na primavera, com complicações ainda maiores no verão, informa a Euronews. Verões quentes e secos devem ser o novo normal da Europa. Os períodos de seca são impulsionados mais pelo calor intenso do que pela falta de chuva, o que faz a umidade do solo desaparecer, apontam analistas.
Um estudo da Soil Capital, em parceria com a universidade KU Leuven, da Bélgica, mostra, no entanto, que os produtores que apostaram na agricultura regenerativa estão com um potencial de perda bem menor do que os que mantêm o sistema tradicional de produção.
Uma coleta de dados em uma área de 332 mil hectares na França, e engloba 1.262 propriedades, aponta que, com a seca de 2023, as fazendas que utilizam a agricultura regenerativa tiveram perda de 8%, enquanto as que têm o sistema tradicional perderam 22%. O estudo, que utiliza dados de 2021 a 2024, considerou o produto de maior redução na produtividade.
Dados da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam que o prejuízo com as secas já chega a US$ 307 bilhões (R$ 1,5 trilhão) por ano no mundo. Na Europa, é de US$ 57 bilhões (R$ 290 bilhões), segundo a Comissão Europeia.
A agricultura regenerativa visa restaurar a saúde do solo e aumentar a biodiversidade. Solos saudáveis e ricos em matéria orgânica retêm mais umidade. É o que visualizou Guilherme Scheffer, um dos pioneiros na aplicação da agricultura regenerativa em larga escala no Brasil. O objetivo, segundo ele, é fazer algo ambientalmente sustentável, mas também financeiramente sustentável.
A grande diferença da agricultura regenerativa para a de hoje é que ela é uma cultura mais holística, mais sistêmica. Você olha não só uma praga ou uma doença, mas também a causa das coisas e busca o reequilíbrio. Olha os inimigos naturais, usa fertilizantes menos agressivos, e um conjunto de pequenas coisas gera um bom resultado. Não existe bala de prata, mas compactação e fertilizantes ácidos tiram a vida do solo, segundo o empresário agrícola.
O biológico é usado para uma redução do químico, mas o importante também é a manutenção da palhada. Sob o sol e decomposição biológica a palhada nas áreas regenerativas é feita mais por fungos do que por oxidação, e isso se converte mais rapidamente em mineral, que vai voltar para a planta de uma forma disponível.
A agricultura regenerativa não é uma ação de grande impacto logo no começo, mas, com o tempo, o produtor vai ter um sistema mais resiliente. O segredo da agricultura regenerativa é que cada vez mais o mundo passa por variações climáticas. Em um ano normal, tudo pode ser igual. Mas em um período atípico, o solo aguenta mais a seca ou o excesso de chuva. Aí vêm os ganhos.
São necessárias ciência, qualidade e visão de longo prazo no processo. O alvo tem de ser um solo mais resiliente e com mais vida. Os benefícios serão consequências, afirma Scheffer.
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Fonte.:Folha de S.Paulo


