O prefeito cuiabano Abilio Brunini (PL) viralizou nas redes sociais nesta quinta-feira (23), após circular um vídeo em que comenta o veto a um ato público de “farmar aura” em um parque público da cidade. Ele disse não fazer ideia do que se tratava por “ser hétero” (heterossexual).
A polêmica teve início depois de ele negar o uso do Parque das Águas para a realização do evento, com a justificativa de não haver “interesse público”. Durante coletiva de imprensa, o prefeito foi questionado por repórteres se saberia o que é “farmar aura”.
“O que é ‘farmar aura’? Cara, não sei, eu sou hétero, eu não sei como são essas coisas”, respondeu.
“Vão trabalhar”
A reação na internet foi imediata, e o poder público aproveitou o engajamento para divulgar a existência de centenas de vagas de trabalho, com remunerações que vão de um salário mínimo a R$ 10 mil mensais.
Em um vídeo nas redes sociais, um jovem aparece fazendo o gesto relativo ao ato e pergunta: “Quer farmar aura máxima esta semana? Procure um emprego”.
Como justificativa, Brunini associou a atividade a problemas de “saúde mental”, reiterando que apenas atos de interesse público poderiam ser realizados em um espaço público.
“Farmar aura? Temos 67 motivos para negar esta atividade em área pública. Alguns dos principais motivos são saúde mental coletiva, falta de interesse público, bem-estar social e preservação do bom uso do espaço público.”
“Boa sorte aos organizadores do evento e que, na iniciativa privada, encontrem o espaço apropriado para estas manifestações incomuns”, escreveu o prefeito em sua conta no Instagram.
O que é “Farmar aura”?
“Farmar aura” é uma gíria jovem usada nas redes sociais para descrever alguém que ganhou prestígio, estilo ou admiração por meio de atitudes consideradas descoladas.
O termo mistura “farmar” (acumular recursos repetitivamente, expressão vinda dos videogames) com “aura” (a presença ou energia que envolve uma pessoa). Na prática, significa fazer algo para melhorar a própria imagem e parecer mais interessante.
O campeonato de “farmar aura” consistiria em uma competição na qual os participantes teriam um minuto para impressionar os jurados. A performance envolve fazer movimentos frenéticos com os braços enquanto se grita “six-seven” — um gesto que lembra uma crise convulsiva.
“Farmando aura” no Congresso
O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) usou recentemente no plenário da Câmara dos Deputados as gírias adolescentes para ironizar a colega Tabata Amaral (PSB-SP), relatora do PL da misoginia. Ela denunciou o uso de gírias supostamente machistas por meninos em idade escolar.
“Eu quero pedir licença aqui para farmar aura e ‘moggar’ a betinha. E eu digo isso para tirar sarro de um tuíte que foi feito sobre o PL da Misoginia”, afirmou o parlamentar.
Fonte. Gazeta do Povo




