Na tentativa de agradar quem vem de fora, é comum que o serviço de hotéis e restaurantes, especialmente os de luxo, descambe para uma cortesia excessivamente ensaiada, às vezes até tensa, que mina a espontaneidade característica do bem receber em favor de uma certa pompa que parece inevitável em boa parte da hotelaria.
Justamente por isso, soa especial encontrar opções que ainda prezam por um serviço mais despojado, onde a qualidade do atendimento se dá pela leveza despretensiosa das interações. É o caso do Saline Boutique Hotel, no Ceará.
A 1h30 da capital, Fortaleza, o hotel fica pertinho da Taíba, que ainda guarda um clima de vila, com crianças brincando soltas, e pescadores e seus barcos indo e vindo, especialmente pela manhã e pela tarde.
Nessa região o litoral é cravejado de pedras, que apesar de formarem belas piscinas naturais na maré baixa, na prática impossibilitam o banho e o nado, ainda que rapidinho. Quem quer praia deve ir até a Taíba, que fica a uma breve caminhada pelo asfalto (mais acessível) ou, para os mais aventureiros, pela areia, por entre as pedras, que em alguns pontos chegam a formar grutas.
Essa pequena distância da praia mais favorável ao banho faz do Saline um hotel para quem gosta da famosa vidinha de hotel preconizada pelos melhores bon vivants. E é por isso também que a tal da hospitalidade é tão definitiva para a qualidade da experiência.
O trunfo do Saline está, justamente, da valorização local. O hotel foi criado por um casal de piauienses que escolheram a Taíba para morar durante a pandemia. Cerca de 90% dos funcionários são nativos da cidade e adjacências —o que define o tom despretensioso e acolhedor do serviço.
Apesar dos extemporâneas lençóis e toalhas Trousseau e dos produtinhos da Bulgari, as almofadas e outros detalhes dos quartos e das áreas comuns (como um simpático polvo de crochê usado como aviso de não perturbe) foram produzidos por uma cooperativa de costureiras da região. Elas também assinam mimos personalizados, como uma necessaire bordada com os nomes dos hóspedes.
O menu do restaurante abusa de pescados frescos e itens típicos nordetinos como cuscuz e carne de sol. Propõe, inclusive, uma mescla da cozinha internacional com ingredientes locais, como os deliciosos ovos beneditinos com carne seca, os ovos do seu Benedito, ou o sushi de tapioca, uma tapioca com tempero asiático, servida cortadinha em formato de hot roll. Outro serviço imperdível é o assado de peixe, preparado e servido na beira da praia, à luz do luar.
Entre as 22 acomodações do Saline, as melhores estão de frente para o mar. Enquanto a vila Oceá dá acesso direto e privativo à areia, as suítes Brisa e Eolo tem apenas a vista, que pode ser apreciada a partir da hidromassagem externa. Algumas das suítes internas do hotel também oferecem uma pequena piscina privativa –são as melhores opções pensando em custo-benefício.
Mas mesmo quem opta pelas suítes mais em conta, que não têm piscina privativa, consegue se divertir bastante no Saline. Na área central do hotel, de frente para o mar, há uma enorme piscina de borda infinita, bastante funda mas com um cercadinho para crianças, que garante o divertimento (ou o relaxamento) durante o dia todo.
É possível pedir bebidas, drinques e pestiscos do restaurante na beira da piscina, e até vinhos da adega do hotel. Essa adega, aliás, fica ali pertinho, toda de vidro, e também funciona no esquema self-service: a qualquer hora do dia ou da noite, o hóspede pode entrar, escolher seu vinho, suas taças e registrar seu consumo numa prancheta. É um diferencial interessante, que reforça ao hóspede que ele pode mesmo se sentir em casa.
O jornalista viajou a convite do hotel
Fonte.:Folha de S.Paulo


