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- Author, Santiago Vanegas
- Role, BBC News Mundo
- e
- Author, Isabel Caro
- Role, BBC News Mundo
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Tempo de leitura: 4 min
Sem ter para onde ir, sem comida e vagando pelas ruas.
A grande maioria acabou retornando voluntariamente, informou o Ministério do Interior da Espanha. O cenário que encontraram em Ceuta era completamente desolador.
“Isso não é nada bom, também não é divertido”, disse à agência Reuters um migrante que estava retornando para Marrocos.
“As pessoas estão morrendo aqui. Se você ainda não veio, não venha, eu imploro, por favor. Não faça isso.”
Outro migrante contou que ficou preso em meio a uma debandada enquanto fazia a travessia e temeu pela própria vida.
Pelo menos 57 pessoas morreram afogadas ao tentar chegar ao território, segundo informaram as autoridades.
A chegada repentina de multidões de migrantes deixou Ceuta, uma cidade com pouco mais de 80 mil habitantes, em colapso.
A imprensa local informou que os comércios amanheceram fechados, os serviços de saúde estavam sobrecarregados e um grande contingente de militares e policiais tentava controlar a tensão social.
Nas imagens, era possível ver centenas e centenas de pessoas amontoadas sobre as rochas diante do mar e vagando entre militares espanhóis.

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‘Nunca vi nada tão grande assim’
Por estar localizada em uma das duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia na África, Ceuta costuma receber migrantes em situação irregular, mas há anos não se registrava uma situação semelhante.
“Isso não tem precedentes, nunca vi nada tão grande assim”, disse à BBC News Mundo um homem que vive no centro do Marrocos e decidiu manter o anonimato.
Ele explica que muitos jovens marroquinos se sentem motivados a cruzar a fronteira porque acreditam que teriam um futuro melhor na Europa.
“Eles têm a ideia de ir para a Espanha, começar a trabalhar e enviar dinheiro para ajudar suas famílias. Sentem que têm essa responsabilidade.”
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, responsabilizou “as máfias que traficam pessoas” pela situação.

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O homem que falou com a BBC News Mundo diz, contudo, que o fenômeno ganhou proporções maiores depois que imagens de grandes grupos de pessoas que haviam conseguido cruzar a fronteira foram exibidas na televisão.
“Pessoas de diferentes partes do Marrocos tentaram se aproximar da fronteira para ver se conseguiam fazer o mesmo”, acrescenta.
Embora viva a centenas de quilômetros da fronteira, o homem relata que essa crise migratória e a resposta do governo marroquino estão presentes em todas as conversas.
“Nas casas, nas cafeterias, no mercado, todos falam com irritação em relação ao governo por causa do desemprego, da economia, do custo de vida e da forma como está lidando com a crise.”
‘Estamos presas aqui, sem poder voltar pra casa’

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Diante da magnitude do que aconteceu na quinta-feira (30/7), as autoridades marroquinas reforçaram a segurança e se mobilizaram para impedir que os migrantes chegassem aos pontos de passagem da fronteira.
Em alguns casos, chegaram a usar canhões de água para repelir os migrantes que ainda esperavam para atravessar.
Um ônibus e pelo menos sete carros ficaram destruídos pelo fogo do lado marroquino, em uma via que levava à fronteira, após confrontos entre os migrantes e as forças de segurança.
“Cheguei tarde”, disse à Reuters um homem de 32 anos chamado Brahim, que não conseguiu atravessar.
Fatima, uma mulher de Tetuão, afirmou que, enquanto estava sentada ao lado das duas filhas ainda do lado marroquino, seu marido havia ido nadando até Ceuta e as deixado para trás.
“Eu esperava que pudéssemos atravessar como família, mas meu marido acordou cedo e foi primeiro, nadando.”
“Eu pensei que conseguiria atravessar a fronteira a pé. Mas estamos presas aqui, sem poder voltar pra casa”, acrescentou.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


