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5 de agosto de 2026

O Convite: vinhos que ajudariam a quebrar o gelo – 05/08/2026 – Isabelle Moreira Lima

O Convite: vinhos que ajudariam a quebrar o gelo – 05/08/2026 – Isabelle Moreira Lima

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Escolher a garrafa certa quando se tem convidados é algo que gera muita ansiedade. Vide o filme “O Convite“, de Olivia Wilde, um dos mais comentados do ano, que tem no vinho um personagem importante: ele funcionaria como lubrificante social, mas acaba virando um ponto de tensão.

No longa, a mulher de um casal em crise prepara uma mesa daquelas para receber os vizinhos, mas o marido não vê a mensagem com o pedido para que trouxesse um vinho ao voltar para casa. Resta escavar despensa, geladeira e armário em busca de algo que sirva.

Mas só há duas garrafas na casa. Um champanhe, presente nunca aberto, que parece pomposo demais e evapora, de tão rápido que é sorvido; e um Bordeaux 1982, que estava reservado desde as bodas do casal, e também entra na roda. Claro que nada funciona: os dois vinhos, tão chiques que podem dar a impressão errada aos visitantes, viram mais um ponto de conflito.

Pensando nesse tipo de situação, montei uma listinha de vinhos com alguns rótulos excelentes ou bons na medida —nem pomposos nem simples demais. Há ainda um bônus: se a conversa acabar, eles mesmos podem virar assunto.

Para começar, o espumante português Julia Kemper Nature (R$ 290 na Caves Santa Cruz) harmoniza muito bem com a mesa do filme, cheia de queijos e com presunto cru. Se o suflê não tivesse queimado, ele também estaria a salvo. É um vinho bem fino, muito elegante, cheio de frescor —dá a sensação de morder uma maçã verde—, com perlage (borbulha) bem fininha e persistente. E bem menos sisudo que um champanhe. Vem do Dão, em Portugal, e é feito com encruzado e malvasia fina, uma uva conhecida pela mineralidade, outra pela nota floral.

Como Piña, a personagem de Penélope Cruz em “O Convite“, só comeu azeitonas durante todo o jantar, um jerez do tipo fino ou manzanilla teria caído muito bem. Ele faz uma harmonização clássica com esses acepipes, bem como com o jamón —que talvez fosse um presunto cru, como a personagem acusou. Um rótulo de que gosto muito é o Barbadillo Manzanilla Sanlúcar de Barrameda (R$ 121 em promoção na World Wine), que deixa a boca salgada e com seus 15% de álcool é capaz de relaxar os mais tensos anfitriões.

Se a ideia for passar rápido para o tinto, como acontece no filme, eu iria para um vinho leve como o Domaine Jean David Côtes du Rhône 2022 (R$ 158 em promoção da Peso da Régua), que é muito, muito gostoso com suas notas de cereja e framboesa. Lembra geleia boa. É fresco, bem macio e perigoso, desses que vão embora tão rápido que parece que a garrafa está vazando.

Se o clima pesar e você quiser mudar de assunto rapidamente —ou se a conversa esquentar e você gostar—, não há rótulo melhor que o vinho laranja brasileiro Vanessa Kohlrausch Medin Despertar da Memória Chardonnay 2022 (R$ 170 no site da vinícola). Ele é intenso, muito aromático, com bom corpo e bastante textura. É também versátil para acompanhar o que você quiser comer. Impressiona e vai deixar ótima lembrança.

Por fim, para a sobremesa, especialmente se for um pudim ou um flã como o de Piña, recomendo o Madeira Barbeito 3 Anos (R$ 93 na promoção da Grapy Vinhos), que tem corpo médio, nota de caramelo e de amêndoa e 18% de álcool —para, se nada tiver funcionado, servir como o tiro de misericórdia.

Leilão de estrelas

Está aberto o pregão do leilão beneficente promovido pela Confraria pela Cura, da Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (TUCCA), que vai até 18 de agosto na Superbid. São 40 garrafas raras, reunidas ao longo de um ano nos encontros da confraria e cuja arrecadação será destinada integralmente à instituição. Com rótulos avaliados entre R$ 59 mil e R$ 71 mil, a lista inclui um Barbaresco 2000 de Angelo Gaja, um Pera Manca 1998 e um Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande 2008 (França), entre outros.


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Fonte.:Folha de São Paulo

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