Mudar de endereço é comum. Mudar uma cidade inteira de lugar, com igreja replicada e ossadas transferidas, aconteceu poucas vezes no Brasil. Foi o que se passou em Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, sertão do Ceará: a sede antiga foi demolida e submersa pelo maior reservatório do país, e os moradores estrearam, em 2001, a primeira cidade totalmente planejada do estado.
Por que a sede antiga precisou desaparecer?
Porque ficava exatamente onde a água ia se acumular. Segundo a Prefeitura de Jaguaribara, a construção do Açude Castanhão deixou submersos dois terços do território municipal, obrigou a demolição da sede e levou à reconstrução em outro local, dando origem à primeira cidade totalmente planejada cearense.
O deslocamento não foi pequeno. A prefeitura registra que cerca de 3.600 pessoas saíram da área urbana, além do reassentamento da população rural atingida pelas obras, o que envolveu por volta de 8.000 pessoas. Para amenizar a ruptura, a nova sede recebeu réplicas da igreja matriz e da igreja de Poço Comprido, antigo distrito do município.

O que justificou uma obra desse tamanho no semiárido?
A necessidade de estocar água em uma região de chuva irregular. Conforme o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), a barragem Padre Cícero, nome oficial do Castanhão, tem capacidade de 6,7 bilhões de metros cúbicos, abastece o Vale do Jaguaribe e ajuda no fornecimento à Região Metropolitana de Fortaleza quando necessário.
A ideia é antiga: os estudos geológicos e topográficos começaram por volta de 1910, quando o órgão ainda se chamava Inspetoria de Obras Contra as Secas. Coube ao engenheiro Roderic Crandall identificar no Boqueirão do Cunha os marcadores geológicos que indicavam ser aquele o melhor ponto para represar o rio. A obra só começou em 1995 e foi concluída em 23 de dezembro de 2002. Para comparação, o antes maior açude do estado, o Orós, comporta pouco mais da metade desse volume.

O que ver na cidade que nasceu do zero?
O roteiro combina urbanismo planejado, memória da sede antiga e a paisagem do maior espelho d’água do Nordeste. Confira abaixo os pontos que costumam organizar a visita:
- Casa da Memória: espaço que reúne registros e objetos da antiga sede, transferidos antes da inundação.
- Igreja matriz replicada: reprodução do templo original, erguida na nova cidade para manter o vínculo com o traçado antigo.
- Açude Castanhão: barragem e vertedouro, com o conjunto de comportas que virou imagem-símbolo da obra.
- Mirantes do reservatório: pontos de onde se avista a extensão do espelho d’água em pleno sertão.
- Ruínas da antiga Jaguaribara: em estiagens severas, ruas e fundações voltam à superfície quando o nível baixa.
- Rio Jaguaribe: o curso represado que atravessa o Vale e sustenta a agricultura irrigada da região.
O programa do canal TV Canal do Turismo – SP apresenta uma viagem detalhada a Jaguaribara, localizada no sertão do Ceará, a 220 km de Fortaleza.
Como é o clima em Jaguaribara ao longo do ano?
Jaguaribara tem clima semiárido, com temperaturas altas e chuvas concentradas em poucos meses do ano. Veja abaixo a divisão por estação:
22-33°C
☀️ Baixa
Dias quentes com baixa chance de chuva, ideais para passeios de barco pelo Açude Castanhão.
PASSEIOS DE BARCO PELO CASTANHÃO
22-32°C
☔ Alta
Período com maior incidência de chuvas, propício para o turismo cultural e a Casa da Memória.
TURISMO CULTURAL E MEMÓRIA
18-30°C
🌤️ Média
Ideal! Período mais ameno perfeito para visitar as famosas ruínas da cidade velha.
RUÍNAS DA CIDADE VELHA
22-35°C
☀️ Baixa
Temperaturas elevadas e tempo seco excelentes para a pesca esportiva e o ecoturismo na região.
PESCA ESPORTIVA E ECOTURISMO
Temperaturas e médias de chuva aproximadas com base no Climatempo para Jaguaribara. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes da viagem.
Como chegar em Jaguaribara?
De Fortaleza, o trajeto é de cerca de 250 km, com aproximadamente 4 horas de carro pela BR-116 e depois pela CE-138. O Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, é o mais próximo, com voos de todas as capitais brasileiras. Ônibus intermunicipais fazem a ligação com a capital cearense. O acesso final é feito por rodovias estaduais em bom estado.
Conheça a cidade que trocou de lugar para segurar a água do sertão
Poucos episódios da história urbana brasileira mostram tão bem o custo humano de uma grande obra hídrica. A água que hoje abastece parte do estado cobriu ruas, praça e cemitério, e a resposta foi construir tudo outra vez algumas dezenas de quilômetros adiante, com réplicas das igrejas para não perder a referência.
Você precisa ver o espelho d’água do Castanhão e conhecer Jaguaribara sabendo que, lá embaixo, existe outra cidade.
Fonte. MG.Superesportes


