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6 de agosto de 2026

Grupo de Ratinho Junior monta frente contra Moro, que atrai Novo e família de bolsonaristas

Grupo de Ratinho Junior monta frente contra Moro, que atrai Novo e família de bolsonaristas

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(FOLHAPRESS) – O grupo do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), chega ao fim das convenções partidárias abocanhando as principais siglas do centrão para a aliança em torno da candidatura do deputado federal Sandro Alex (PSD) ao Palácio Iguaçu.

Já o senador Sergio Moro (PL), líder nas pesquisas de intenção de voto ao Executivo, fará campanha com o apoio da família Francischini e do partido Novo de Deltan Dallagnol, ambos arrancados da base de Ratinho Junior.

Além de Alex e Moro, outro nome de peso na corrida ao governo é o deputado estadual Requião Filho (PDT), que aparece em segundo lugar nas pesquisas. Ele tem o apoio do PT, em uma costura feita ainda no final do ano passado que também agrega PV, PC do B e a federação PSOL-Rede, além de PRD e Solidariedade. Para o Senado, a chapa traz dois nomes petistas: a ex-ministra de Lula e deputada federal Gleisi Hoffmann e o ex-deputado federal Dr. Rosinha.

O grupo de Ratinho Junior demorou mais para definir um nome para as urnas e sentiu o impacto da filiação de Moro ao PL, no final de março. O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tem hoje a segunda maior bancada na Assembleia Legislativa do Paraná, integrava a base aliada do governador.

Para garantir uma ampla aliança contra Moro, Ratinho Junior articulou para tirar da corrida dois nomes que estavam dispostos a concorrer à cadeira de governador: o deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos), presidente da Assembleia, e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB).

Curi aceitou uma das vagas de candidato ao Senado na chapa do PSD. E Greca concordou em ser candidato a vice-governador de Alex, que na última pesquisa Genial/Quaest aparecia atrás do emedebista, na quarta posição.

Ratinho Junior também chamou a apresentadora e comentarista política Cristina Graeml para se filiar ao PSD, na tentativa de assegurar alguma fatia do eleitorado bolsonarista para a chapa de Alex. Deu a ela a segunda vaga da disputa ao Senado, inviabilizando a candidatura do ex-senador Alvaro Dias (MDB), que na dobradinha com Greca aparecia em primeiro lugar nas pesquisas.

Além de MDB e Republicanos, o PSD conseguiu atrair ainda a federação formada pelo PP e União Brasil, na esteira dos desgastes entre Moro e lideranças das duas siglas. Avante e a federação PSDB-Cidadania também formam a aliança.

Mas a composição da chapa também trouxe conflitos, e correligionários do PSD temem efeitos na campanha -a propaganda eleitoral começa dia 16 de agosto.

“Aprendi que nenhuma candidatura se sustenta apenas na vontade de um homem ou da opinião pública. Na política atual, prevalecem os arranjos, as composições e a vontade dos políticos”, disse Alvaro Dias em comunicado ao sair da disputa ao Senado, na segunda-feira (3).

Outro preterido na chapa, o ex-secretário das Cidades Guto Silva (PSD) agora se mantém mais distante do grupo. “Silêncio também é posição e toda posição tem prazo”, escreveu ele em rede social.

Braço direito de Ratinho Junior ao longo dos dois mandatos no Palácio Iguaçu, Guto era o nome mais cotado para disputar a sucessão até o início do ano. Mas ele não decolou nas pesquisas o suficiente para ser considerado competitivo contra Moro, na justificativa de correligionários.

O desconforto maior na chapa do PSD, contudo, tem relação com a presença de Cristina Graeml, que disputou a Prefeitura de Curitiba em 2024 filiada ao PMB e contra o candidato de Greca e Ratinho Junior, Eduardo Pimentel (PSD), vencedor daquele pleito.

Da direita radical afinada com o bolsonarismo, Graeml conseguiu levar a corrida eleitoral para o segundo turno, mesmo sem estrutura partidária. A campanha foi acirrada, com troca de acusações de lado a lado. A então candidata costumava chamar Pimentel de “candidato do sistema”.

Na terça-feira (4), ao confirmar o nome de Graeml na chapa, o governador disse que a vê como “um talento da nova safra da política do Paraná” e justificou “valores em comum”, como “proteção da propriedade privada e liberdade econômica”.

Dois anos atrás, ao enfrentar a concorrente, o PSD se uniu em um discurso contra o que classificou de “pauta ideológica que não coloca comida na mesa”. Agora, tom semelhante tem sido utilizado para enfrentar Moro, conhecido pelas falas contra o PT.

“O Paraná é gigante. E ele é gigante porque não entrou numa briga, uma briga ideológica, sem sentido. Por isso crescemos mais do que o Brasil”, disse Ratinho Junior em um vídeo distribuído em julho.

Alex também já adotou a estratégia, ao repetir que a função do governador “não é destruir” e que “política não se faz com discurso de ódio”. “Seguimos em frente unidos e em paz”, vende o slogan do grupo.

Moro tenta entusiasmar a militância bolsonarista sem perder a pauta paranaense do roteiro. Nas entrevistas que tem concedido, evita críticas diretas ao governador, que detém aprovação de 80% junto ao eleitorado, mas passou a enumerar problemas locais.

Durante a convenção do PL estadual, Moro usou uma camiseta com a frase “Curitiba prendeu. Brasília soltou”, em referência aos processos de Lula na Operação Lava Jato, e também defendeu a liberdade de Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

Filiado ao PL, Moro conseguiu fechar uma aliança com o Novo, o Podemos e o DC (Democracia Cristã). Na chapa, os candidatos ao Senado são o deputado federal Filipe Barros (PL) e o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo), ambos defensores de pautas conservadoras e ferrenhos críticos do presidente Lula.

A bandeira anti-PT também está atrelada à trajetória política da família Francischini, que era aliada de Ratinho Junior, mas migrou para a aliança de Moro. Primeiro deputado cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por espalhar fake news, Fernando Francischini se filiou ao PL e quer concorrer a deputado federal no pleito de outubro.

A deputada estadual Flávia Francischini, esposa de Fernando, fez o mesmo movimento e vai tentar a reeleição, de olho na presidência da Assembleia, em caso de vitória de Moro. Outro pré-candidato à reeleição, o deputado federal Felipe Francischini, filho de Fernando, assumiu o comando do Podemos.

“Fomos [na aliança] porque queremos estar num projeto de direita estadual e nacional. Sempre caminhei com a direita em todas as eleições”, disse Felipe à reportagem.

Além de Moro, Requião Filho e Alex, vão concorrer ao governo o advogado Luiz França, pelo Missão, e o professor Samuel Mattos, do PSTU.

Greca vai anunciar aliança com grupo de Ratinho Junior ao Governo do Paraná

Rafael Greca deve retirar a pré-candidatura ao governo do Paraná e integrar como vice a chapa de Sandro Alex. A aliança articulada por Ratinho Junior também pode levar Alvaro Dias à disputa pelo Senado

Folhapress | 14:00 – 31/07/2026



Fonte Noticias ao Minuto

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