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11 de agosto de 2026

Ônibus têm menos passageiros e mais subsídios – 11/08/2026 – Cotidiano

Ônibus têm menos passageiros e mais subsídios – 11/08/2026 – Cotidiano

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Após quatro anos de alta, o número de passageiros transportados em nove capitais brasileiras caiu em 2025. Ao mesmo tempo, disparou o número de municípios que subsidiam ônibus no país.

Os dados fazem parte do Anuário 2025-2026 da NTU (Associação Nacional de Transporte Urbano), apresentado nesta terça-feira (11) durante seminário do setor na cidade de São Paulo.

Conforme o o documento, nas cidades de Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, em 2025 —até outubro— cerca de 395 milhões de pessoas usaram o transporte público rodoviário. O número é 4% menor que os 404,3 milhões de usuários no mesmo período anterior.

A retração interrompeu a recuperação iniciada após a pandemia e deixou a demanda em um patamar equivalente a 77,5% do registrado em 2019.

A demanda continua longe dos 530,6 milhões de passageiros registrados nas nove capitais em 2018 (sempre até outubro).

Na análise do documento, a queda no ano passado pode significar uma acomodação do setor.

O estudo confirma mudanças no perfil dos deslocamentos urbanos. Há predominância das viagens realizadas por automóveis, motocicletas e serviços de aplicativos.

O documento do setor de ônibus critica a falta de regulação dos serviços de transporte oferecidos por aplicativos e a ausência de medidas para restringir uso de transporte individual.

O índice de passageiros transportados por quilômetro ficou em aproximadamente 1,48 em 2025, praticamente no mesmo nível de 2024.

A quilometragem percorrida pelos ônibus nas capitais analisadas caiu de 157 milhões de km para 148,1 milhões de km entre os períodos comparados de 2024 e 2025.

“Os dados mostram que chegamos a um momento decisivo. Ou construímos um novo modelo de financiamento permanente, compatível com os benefícios que o transporte público gera para toda a sociedade, ou continuaremos assistindo ao avanço da motorização individual e ao enfraquecimento dos sistemas coletivos” diz Francisco Christovam, presidente da NTU.

Segundo a NTU, o segmento no país custa anualmente cerca de R$ 75,7 bilhões, dos quais 20% são cobertos por subsídios públicos.

Aumentou a quantidade de cidades brasileiras que custeiam de alguma forma esse tipo de transporte público. Atualmente, 440 contam com subsídios.

A alta foi de quase 10% em um ano — em 2024, eram 404 municípios que subsidiavam o transporte. Antes da pandemia, eram 175.

O levantamento mostra que todos os subsídios existentes estão concentrados em capitais e regiões metropolitanas e continuam sendo financiados, em sua maioria, pelos municípios e estados, sem participação permanente da União no custeio operacional.

“A tarifa paga pelo usuário não é suficiente como a única ou a principal fonte de financiamento, especialmente em contexto de queda de passageiros pagantes, com ampliação de benefícios tarifários e necessidade de retomada dos investimentos orientados à qualidade”, analisa o relatório.

Do total em 2026 de municípios com subsídios, 294 bancam parcialmente o sistema e 146 adotam tarifa zero para o passageiro.

Há 46 cidades com catraca livre para determinadas categorias de usuários ou dias da semana —o município de São Paulo, por exemplo, tem isenção total de pagamentos aos domingos.

O ritmo de adesão à política de gratuidade segue concentrada em cidades de pequeno porte. Como mostrou a Folha, também com base em estudo da NTU, oito municípios recuaram na tarifa zero nos últimos anos e voltaram a cobrar passagem.

O documento dedica bom espaço para a recente sanção do Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano. A legislação estabelece, entre outros avanços, a separação entre o custo real da operação e a tarifa paga pelo usuário, criando bases para novos modelos de financiamento.

ÔNIBUS VELHOS NAS RUAS

A frota também enfrenta dificuldades de renovação. A idade média dos ônibus caiu, de 6,44 anos em 2024 para 6,38 anos em 2025, mas continua muito acima dos níveis registrados no início da década passada. Entre 2011 e 2013, a média estava entre 4,2 e 4,5 anos. Desde 2021, permanece acima dos seis anos.

A renovação lenta é consequência, segundo a NTU, do desequilíbrio financeiro acumulado pelos sistemas, que reduziu a capacidade de investimento das empresas e alterou os calendários de renovação previstos em contratos.

A quantidade de ônibus urbanos elétricos a bateria, trólebus e movidos a biometano chegou a 2.235 unidades em 2026, contra 597 em 2023. O documento aponta que são 1.905 elétricos a bateria, 321 trólebus e nove veículos a biometano.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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