
- Author, Alejandra Martins
- Role, BBC News Mundo
- e
- Author, Caroline Souza, Laís Alegretti e Daniel Arce
- Role, Equipe de Jornalismo Visual da BBC
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Tempo de leitura: 6 min
O epicentro do tremor ocorreu a uma profundidade de cerca de 107 km, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), no município de San José del Palmar, no Departamento colombiano de Chocó.
Mas o terremoto foi sentido em grande parte da Colômbia, além do Panamá, Venezuela e várias províncias do Equador, incluindo Pichincha, onde fica a capital equatoriana, Quito.
O novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, tomou posse menos de 72 horas antes do terremoto. Ele declarou estado de emergência no país e anunciou que, no momento, “a prioridade é resgatar as pessoas que estão sob os escombros”.

O terremoto de 10 de agosto de 2026 foi o “mais forte da última década” no país, segundo o diretor-geral do Serviço Geológico Colombiano, Julio Fierro Morales.
Devido à sua localização na zona de interação das placas tectônicas de Nazca, do Caribe e Sul-Americana, a Colômbia é um dos países com maior atividade sísmica da América Latina e já foi o cenário de terremotos de grande magnitude.
A crosta rochosa da Terra “está partida em pedaços como um quebra-cabeça e esses pedaços se movem. O movimento entre os pedaços é o que gera os terremotos”, explica o professor Germán Prieto, do Departamento de Geociências da Universidade Nacional da Colômbia.

O terremoto registrado na segunda-feira ocorreu porque a placa de Nazca, localizada no oceano Pacífico, deslizou por baixo da placa Sul-Americana em direção a leste, onde se encontra a Colômbia, segundo Prieto.

A zona de subducção da placa de Nazca (onde uma placa tectônica afunda e desliza sob a outra) avança sob o continente a uma velocidade de 55-60 milímetros por ano. Este movimento acumula pressão e energia que, em algum momento, é liberada na forma de terremotos.

A Colômbia se encontra no chamado Cinturão de Fogo do Pacífico, uma extensa faixa que rodeia o oceano Pacífico e concentra a maior parte da atividade sísmica e vulcânica do mundo.
O cinturão vai do Chile e do Peru até a Colômbia, passando pela América Central, dali até o Canadá, o Alasca, a península russa de Kamchatka, o Japão e as ilhas Marianas, até terminar em Tonga e na Nova Zelândia.
“Todas estas regiões possuem vulcões ativos e terremotos”, destaca Prieto.

A Colômbia registra, em média, cerca de 2,5 mil terremotos por mês, ou cerca de 80 por dia.
A maioria deles tem baixa magnitude. Por isso, a população não percebe os tremores, que ficam registrados apenas nos relatórios técnicos, segundo o Serviço Geológico Colombiano.
Entre os maiores terremotos já registrados no país, está o de 31 de janeiro de 1906. Ele teve magnitude 8,8 e epicentro em frente ao litoral colombiano e equatoriano do oceano Pacífico. A enorme força liberada pelo tremor gerou um tsunami que atingiu boa parte da costa.
Outro terremoto importante foi o de 1979, com magnitude 8,1, em frente ao litoral de Nariño, no sudoeste da Colômbia.
Os terremotos são medidos utilizando diversas escalas, que avaliam sua magnitude e intensidade.
A magnitude reflete a energia liberada no epicentro. Já a intensidade descreve os efeitos observados na superfície terrestre.
A escala de magnitude do momento é logarítmica, não linear. Cada salto unitário equivale a uma liberação de energia cerca de 32 vezes maior.
Já a intensidade é a medida do abalo em cada local. Ela varia de um lugar para outro, dependendo principalmente da distância em relação à zona de ruptura da falha.

Diversos países do continente americano ofereceram equipes de resgate para colaborar com o trabalho de busca de vítimas e sobreviventes. Eles incluem o Brasil, Estados Unidos, Equador, El Salvador e Venezuela.
Os hospitais de Cali, a terceira cidade mais populosa da Colômbia e uma das mais atingidas pelo terremoto, declararam alerta hospitalar vermelho. Sua ocupação atingiu 100% da capacidade.
As cidades de Cali, Pereira e Manizales decretaram toque de recolher, frente à situação de emergência causada pelo terremoto.
“Temos ameaças de saques e, por isso, ordenei o toque de recolher e a militarização de Cali”, afirmou o prefeito da cidade, Alejando Eder. Ele pediu aos cidadãos que informem sobre qualquer tentativa de saque ou situação de insegurança.
“Estas primeiras 48 horas são críticas para podermos regatar com vida todas as pessoas que possam estar presas nos edifícios que desabaram”, destacou Eder.
Por outro lado, o prefeito de Pereira, Mauricio Salazar, também declarou toque de recolher para evitar saques após o terremoto.
Uma das torres da catedral do município de Manizales, capital do Departamento colombiano de Caldas, desabou durante o terremoto.
A catedral de Manizales é considerada um dos símbolos arquitetônicos da região. Ela foi construída entre 1928 e 1939.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


