O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o BTG Pactual Asset Management, braço de gestão de recursos do banco BTG, lançaram, nesta quarta-feira (12), um novo produto financeiro no Brasil: um ETF (Exchange Traded Fund) —em português, fundo de investimento negociado em Bolsa— focado no desenvolvimento sustentável da Amazônia.
A cerimônia ocorreu na B3, a Bolsa brasileira, onde o fundo passa a ser listado.
O presidente do BID, Ilan Goldfajn, explicou à Folha que o novo ETF faz parte da iniciativa “Amazônia para Todos”, criada pelo Grupo BID para desenvolver instrumentos financeiros capazes de canalizar recursos privados para atividades sustentáveis na região, e integra o “Amazônia Sempre”, programa mais amplo do banco multilateral para apoiar o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Também conhecido como ETF Verde, esse tipo de fundo compra cestas de ações de empresas focadas em energia limpa, baixa emissão de carbono, hidrogênio verde e preservação ambiental. Por mirar projetos voltados exclusivamente para a Amazônia, esse novo ETF vai investir em títulos verdes, debêntures de empresas ligadas à região da Amazônia Legal e títulos públicos, por exemplo. O fundo será negociado na B3 com o código AMAB11.
O BID, mentor da iniciativa, busca não apenas dar mais visibilidade a negócios sustentáveis nessa região, que demanda crescimento econômico associado à preservação, mas garantir que os investimentos na região tenham a chamada liquidez —termo que no mercado financeiro indica facilidade e rapidez para transformar o investimento em algum ativo em dinheiro vivo, sem perda do valor real.
“Como o ETF é um instrumento líquido, mais empresas ou bancos podem lançar o que a gente chama de bônus amazônicos —qualquer título cuja finalidade é financiar projetos sustentáveis na Amazônia. Portanto, incentiva, dá escala, atrai mais recursos para projetos na Amazônia”, afirmou Goldfajn.
“Você também aumenta a visibilidade. Todo mundo pode acompanhar o avanço. Uma coisa é ler nossos artigos sobre o tema, falando dos projetos, outra coisa é acompanhar o resultado do produto que você comprou.”
O BID também quer que o novo ETF ajude a fomentar o acesso de investidores ao mercado financeiro. O valor inicial por cota é de R$ 10, o que facilita o acesso de pequenos investidores, e a taxa de administração cobrada é de 0,40% ao ano, considerada competitiva no mercado de fundos desse tipo.
Na parceria pelo novo produto, o Grupo BID contribui com o selo da sua iniciativa “Amazônia Para Todos” enquanto o BTG Pactual Asset faz a gestão e toma as decisões de investimento para o AMAB11.
Goldfajn espera que seja apenas o começo. “Esse é um produto que o BTG Pactual Asset Management lançou na B3 —e algum dia eu vou lançar em outros lugares também”, afirmou.
Fonte.:Folha de S.Paulo


