Cresci colado na velha televisão de tubo, assistindo repetidas vezes aos mesmos episódios de um desenho chamado “Os Jetsons“.
Era uma tentativa dos estúdios Hanna-Barbera de tentar replicar o sucesso de “Os Flintstones”, seguindo a mesmíssima fórmula: um olhar ligeiramente irônico sobre o cotidiano de uma família branca americana padrão, deslocada de seu tempo (ambas as séries foram produzidas na década de 1960).
Se Fred Flintstone vivia na pré-história, a família de George Jetson habitava uma ideia de futuro muito em voga naquela época.
Os automóveis eram máquinas voadoras. Robôs e máquinas afins executavam todo o trabalho duro, restando aos humanos o lazer e o tédio. As colônias de férias ficavam em planetas distantes.
Essa era a promessa de futuro que a indústria do entretenimento entregava às crianças. Enquanto os adultos se borravam de medo de um apocalipse nuclear, para nós o porvir haveria de ser brilhante.
E deveria chegar lá pelo ano 2000, data que por muito tempo se fixou como uma virada de chave no destino. Pois bem, estamos em 2026.
Das profecias do desenho de “Os Jetsons”, a única plenamente realizada é a reunião de trabalho por teleconferência.
Com que o futuro me presenteou? Carro voador? Turismo espacial? Imortalidade?
Nada disso: uma máquina de vender bananas sem a necessidade de interagir com outras pessoas.
A tal máquina de banana apareceu faz pouco tempo no supermercado em frente à minha casa. Você escolhe entre prata e nanica, seleciona o número da penca, e um mecanismo de última geração empurra as frutas para a gaveta de coleta. São três unidades de banana, climatizadas e envoltas numa fita adesiva com a marca que abraçou a genial ideia, vendidas a R$ 9,99.
Curioso que, perto dali, na seção de frutas, um cacho com 4 a 5 bananas sai por R$ 10,74. E você ainda pode cheirar, apalpar antes de adquirir. A máquina de banana é um sinal claro de que a humanidade não tem futuro. Não merece um futuro. Fiquem com uma receita de purê de banana-da-terra para acompanhar carnes e peixes —uma delícia com picadinho.
PURÊ DE BANANA-DA-TERRA
- Rendimento: 4 porções
- Dificuldade: fácil
- Tempo de preparo: 15 a 20 minutos
Ingredientes
- 4 bananas-da-terra
- 2 colheres (sopa) de manteiga
- ½ cebola picada
- 100 ml de leite
- Sal e pimenta-do-reino a gosto
Preparo
- Escolha bananas-da-terra um pouco maduras, com a casca começando a ter manchas pretas. A fruta verde é dura, tem muito amido; a plenamente madura pode ficar doce demais para uma receita salgada
- Derreta metade da manteiga e refogue a cebola até murchar. Pique a banana, refogue e cubra com água
- Cozinhe até a banana desmanchar. Acrescente mais água se necessário
- Amasse bem a banana. Adicione o leite e cozinhe, sempre mexendo, até obter um purê espesso. Tempere com sal e pimenta. Junte a manteiga restante e misture até ela derreter
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Fonte.:Folha de S.Paulo


