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Os Estados Unidos planejam fazer ataques terrestres para desmantelar cartéis de drogas na América Latina, afirmou o secretário de Defesa do país, Pete Hegseth, na quarta-feira (12/08).
Em visita ao Panamá, Hegseth afirmou que o governo de Donald Trump está “trabalhando” com o Equador, com a Colômbia e com outros “parceiros” para levar a “luta contra as organizações de tráfico de drogas para a terra”.
“Como você viu com as ofensivas contra barcos de organizações de tráfico de drogas — será o mesmo efeito em terra”, disse o secretário ao responder a pergunta de um jornalista, durante entrevista coletiva em um centro de treinamento militar.
“Em qualquer lugar que você traficar drogas, em que você ameaçar o povo americano e nossos parceiros, você é um alvo, assim como o Estado Islâmico ou a Al-Qaeda.”
“Passamos 25 anos aperfeiçoando a cadeia de operações para diagnosticar e atacar redes do outro lado do mundo. Que tal aproveitarmos essas competências, com os melhores profissionais americanos, e aplicá-las aqui? Foi por isso que falei sério ao dizer que os cartéis estão sendo advertidos — desde a base do tráfico de cocaína até o fentanil e o controle territorial no México.”
Perguntado se os EUA podem atacar remanescentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) na Colômbia em parceria com o governo local, Pete Hegseth respondeu que sim.
Na visita ao Panamá, Hegseth se encontrou com representantes dos 19 países que fazem parte da Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis (ACCC, na sigla em inglês) — incluindo a Colômbia, que aderiu recentemente ao grupo, após a posse de Abelardo de la Espriella, mais alinhado ideologicamente ao governo de Donald Trump que seu antecessor.
A ACCC, chamada também de Escudo das Américas, foi criada pelos EUA em março com o objetivo de combater o narcotráfico, a imigração irregular e “limitar a interferência estrangeira geopolítica”, conforme diz um texto de divulgação do governo americano — nas entrelinhas, isso indica o objetivo de frear o poder chinês na região.
Desde sua fundação, o grupo atraiu líderes alinhados politicamente a Trump, como Nayib Bukele e Javier Milei, presidentes de El Salvador e Argentina.
Alguns países da região, como Brasil e México — ambos liderados por presidentes associados à esquerda —, não fazem parte do grupo.
Datada de 1823, ela norteou a política externa dos EUA para a América Latina em vários governos — estabelecendo os chamados corolários, uma espécie de reinterpretação da doutrina por diferentes líderes.
O mais conhecido deles é o corolário de Theodore Roosevelt, presidente que determinou em 1904 que os EUA poderiam intervir nos assuntos internos de uma nação latino-americana se esta demonstrasse incapacidade de cumprir obrigações internacionais.
A gestão Trump vem exaltando a doutrina e reafirmando sua intenção de exercer o poder dos EUA na região e afastar a influência de outras potências.
“Levamos muito a sério o corolário Trump à Doutrina Monroe; não se trata apenas de retórica, nem apenas de uma extensão da política de Teddy Roosevelt. É o reconhecimento de que organizações terroristas estrangeiras não controlarão nosso hemisfério, em detrimento de nossos parceiros, e de que não permitiremos que influências estrangeiras maliciosas assumam o controle de áreas estratégicas, como o Canal do Panamá.”
O governo Trump tem pressionado por um maior controle do canal, construído pelos EUA no início do século 20 e sob controle do país centro-americano desde 1999. A Casa Branca teme a influência da China no canal marítimo, que liga os oceanos Pacífico e Atlântico.
O presidente panamenho José Raúl Mulino vem defendendo a soberania do seu país e seu domínio sobre o canal, mas mantém diálogo com o governo Trump. Durante a visita do secretário americano ao Panamá, Mulino encontrou-se com Pete Hegseth.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


