12:28 PM
14 de janeiro de 2026

Ala do centrão ameaça poder de Motta, que tenta se aproximar de Lula por sobrevivência

Ala do centrão ameaça poder de Motta, que tenta se aproximar de Lula por sobrevivência

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(FOLHAPRESS) — A possibilidade de crescimento de uma ala do centrão nas eleições de outubro ameaça o poder do atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Hoje, a recondução de Motta ao comando da Casa, em eleição interna prevista para 2027, é considerada incerta por líderes da Câmara. O deputado saiu fragilizado após enfrentar um motim que inviabilizou os trabalhos do plenário por 30 horas, no ano passado. Integrantes do centrão atribuem ao paraibano parte do desgaste da Casa junto à opinião pública, como no episódio do projeto que ampliava o número de deputados. A insatisfação culminou em um atrito com seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL).

Em paralelo, aliados apontam uma reaproximação entre o presidente da Câmara e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao longo de 2026, diante da necessidade de Motta preservar o cargo e ampliar a influência eleitoral da família na Paraíba.

Motta esteve com Lula nesta terça-feira (13) em uma cerimônia do governo que marcou uma nova etapa da regulamentação da reforma tributária. Ele viajou a Brasília para participar do evento, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), optou por não comparecer.

Neste ano, partidos que anteriormente lançaram candidaturas de oposição a Motta, como PSD e União Brasil, traçam planos robustos de crescimento de bancadas na Câmara. O PSD, comandado por Gilberto Kassab, projeta alcançar 100 cadeiras. Já a federação formada por União Brasil e PP também mira uma expansão significativa.

Segundo aliados, a perspectiva de um desequilíbrio nas forças do centrão eleva o risco à recondução de Motta à presidência da Câmara em 2027. Mesmo se reeleito deputado, ele teria de negociar com legendas mais fortalecidas para permanecer no cargo após um primeiro ano considerado turbulento.

Nesse contexto, interlocutores avaliam que Motta deve intensificar a reaproximação com Lula em 2026, buscando garantir o apoio da bancada governista à sua permanência no comando da Casa. A federação PT-PCdoB-PV, núcleo da base lulista, projeta eleger cerca de 90 deputados no próximo pleito, impulsionada pelo controle da máquina administrativa.

Além disso, a aproximação com o Planalto pode ajudar Motta a ampliar seu capital eleitoral na Paraíba. Além de renovar o próprio mandato, o presidente da Câmara pretende viabilizar a candidatura do pai, Nabor Wanderley, ao Senado.

A Paraíba é historicamente lulista e deu 64,2% dos votos ao petista no primeiro turno de 2022. O apoio, ou ao menos a neutralidade do PT, seria decisivo para fortalecer a candidatura de Nabor. O principal adversário é o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que busca a reeleição e também integra a base de Lula.

Do lado do governo, há o interesse em evitar surpresas em ano eleitoral. Em 2025, Motta impôs derrotas ao Planalto ao entregar relatorias da PEC da Segurança Pública e do projeto de lei antifacções a parlamentares da oposição. Também deixou caducar a medida provisória do IOF e pautou a discussão sobre a dosimetria das penas dos réus do 8 de Janeiro.

Segundo interlocutores, movimentos recentes de Motta buscam pavimentar essa reaproximação. O primeiro foi se afastar da condução direta do debate sobre a dosimetria das penas. O segundo, a cassação, de ofício, dos mandatos dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Lula, por sua vez, também tem interesse na reaproximação. O Planalto pretende aprovar rapidamente pautas como a Medida Provisória do Gás do Povo, que precisa ser votada até 11 de fevereiro para não perder validade. A iniciativa é vista pelo governo como de forte apelo eleitoral.

Planos partidários

O PSD perdeu quatro cadeiras nas eleições de 2022 com o fim das coligações, elegendo 42 deputados. Para este ano, a sigla aposta na filiação de governadores e candidatos a cargos majoritários em estados onde teve baixo desempenho, buscando ampliar sua capilaridade eleitoral.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, o partido tinha apenas um deputado e agora conta com o governador Eduardo Leite. Em Pernambuco, filiou a governadora Raquel Lyra, em um estado onde não havia conquistado nenhuma vaga na última eleição. Em Minas Gerais, onde tem cinco deputados, a expectativa é crescer com a filiação do vice-governador Mateus Simões, pré-candidato ao governo estadual.

Outra aposta do PSD é o chamado “voto de estrutura”, baseado na transferência de apoio da base de prefeitos para candidatos a deputado. A legenda foi a maior vencedora das eleições municipais de 2024, ao conquistar o comando de 887 municípios, incluindo cinco capitais.

Já União Brasil e PP formam uma federação que atuará de forma conjunta no pleito. O modelo favorece a eleição de deputados ao somar votos proporcionais das duas siglas. Atualmente, juntas, elas somam 109 cadeiras na Câmara e almejam chegar a 120 na próxima legislatura.

A federação também deverá concentrar a maior fatia do fundo eleitoral e o maior tempo de propaganda na televisão, fatores que tendem a atrair candidatos e reforçar o peso político do grupo no próximo Congresso.
 

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Fonte. Noticias ao minuto

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