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Introdução
O Carnaval eleva sinistros no trânsito, mas a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) lança uma campanha permanente, com a PRF, para um trânsito consciente. Em 2024, 37 mil vidas foram perdidas, com motociclistas como maiores vítimas. “Acidentes” são, na verdade, “sinistros” evitáveis. Sua atitude salva vidas.
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- A SBOT, em parceria com a PRF e outras instituições, lança campanha permanente por um trânsito mais consciente, com foco na prevenção de “sinistros”.
- O termo “acidente” é substituído por “sinistro” para reforçar que a maioria das ocorrências é evitável, causada por excesso de velocidade, uso de celular, álcool e drogas.
- O Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, com o Nordeste liderando as estatísticas e motociclistas representando a maioria das vítimas.
- A velocidade é crucial: cada 10 km/h acima do limite pode aumentar em dez vezes a probabilidade de lesões graves.
- A segurança no trânsito começa na atitude individual: respeitar limites, usar equipamentos de proteção e manter atenção plena são escolhas que salvam vidas.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O Carnaval é, tradicionalmente, um período de celebração, encontros e alegria. No entanto, todos os anos, essa época também é marcada por um aumento preocupante no número de ocorrências no trânsito, muitas delas com consequências graves e irreversíveis.
Lesões musculoesqueléticas, traumas raquimedulares, amputações e mortes ainda fazem parte de uma realidade que pode, e deve, ser transformada.
É com esse propósito que a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), em parceria com instituições ligadas à mobilidade, como a Polícia Rodoviária Federal, órgãos fiscalizadores e entidades responsáveis pelo atendimento às vítimas, está lançando uma campanha permanente por um trânsito mais consciente.
A iniciativa começa agora, no Carnaval, e se estenderá ao longo de todo o ano.
Hoje, o termo “acidente” vem sendo substituído por “sinistro”, justamente para reforçar que a maioria dessas ocorrências não é fruto do acaso.
Elas resultam, em grande parte, de comportamentos evitáveis: excesso de velocidade, imprudência, distrações, uso de celular ao volante, falta do cinto de segurança, inclusive no banco traseiro, ausência de cadeirinhas para crianças e, principalmente, consumo de álcool e drogas.
Essas condutas de alto risco são responsáveis por um impacto direto na saúde pública. Além de causarem sofrimento às vítimas e às famílias, sobrecarregam hospitais, ocupam leitos por longos períodos e interferem na assistência a pacientes com outras doenças.
Dados levantados pela SBOT com base em registros oficiais mostram a dimensão do problema. Em 2024, 37.150 pessoas perderam a vida no trânsito brasileiro. E nenhuma região está imune:
- Nordeste: 11.894 mortes
- Sudeste: 10.995
- Sul: 6.162
- Centro-Oeste: 4.186
- Norte: 3.913
Os números vieram à tona na virada do ano de 2025 para 2026.
Em comparação, entre 2010 e 2020, o país registrou uma redução nas mortes. Porém, a partir desse período, os números voltaram a crescer, evidenciando a necessidade urgente de novas estratégias de prevenção.
As motocicletas lideram as estatísticas, com 15.500 mortes, seguidas por veículos de passeio (7.853), pedestres atropelados (5.682) e ciclistas (1.549). Outro dado alarmante é que 50,7% das vítimas morrem ainda na via pública, antes mesmo de receber atendimento. Outros 42% falecem em hospitais e serviços de saúde.
As internações também permanecem em patamar elevado há pelo menos 15 anos. Foram registradas 251.699 hospitalizações, sendo:
- 166.026 motociclistas
- 32.720 pedestres
- 17.067 ciclistas
- 14.767 motoristas
Diante desse cenário, o Brasil integra a Década de Ação pela Segurança no Trânsito, iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem como meta reduzir em 50% o número de mortes nas vias. No entanto, ainda estamos distantes desse objetivo.
Cuidados importantes
Como médicos ortopedistas, lidamos diariamente com as consequências desses números. Sabemos, por experiência e por evidências científicas, que a biomecânica do impacto é determinante para a gravidade das lesões.
Quanto maior a velocidade, maior a energia envolvida na colisão. A cada quilômetro por hora a mais, o impacto sobre o corpo aumenta cerca de 4%. Com apenas 10 km/h acima do limite, a probabilidade de lesões graves pode ser até dez vezes maior.
Um exemplo simples ajuda a entender essa realidade: uma criança de 20 quilos, sem cinto de segurança no banco traseiro, em uma freada brusca, tem seu peso multiplicado pela força da velocidade ao quadrado. Em um veículo a 60 km/h, ela pode ser projetada com força equivalente à de um elefante, colocando em risco a própria vida e a dos ocupantes à frente.
A campanha da SBOT busca conscientizar a sociedade de que o trânsito seguro não depende apenas de fiscalização ou de infraestrutura. Ele começa na atitude individual de cada condutor, passageiro e pedestre.
Respeitar limites, usar equipamentos de proteção, não dirigir sob efeito de substâncias e manter atenção plena são escolhas que salvam vidas.
Neste Carnaval e ao longo de todo o ano, reforçamos esse compromisso: reduzir ao mínimo o número de vítimas no trânsito urbano e rodoviário.
Colisões, atropelamentos e acidentes não são inevitáveis. Eles podem ser prevenidos. Cuidar no trânsito é um ato de respeito à própria vida, à família, aos amigos e à sociedade. É uma forma concreta de celebrar a vida todos os dias, não apenas durante as festas, mas em cada trajeto que percorremos.
*Miguel Akkari é ortopedista pediátrico e presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).
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Fonte.:Saúde Abril