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Introdução
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem prejudicar os rins ao reduzir o fluxo sanguíneo renal, especialmente com uso prolongado, doses elevadas ou em grupos de risco. Os danos costumam ser silenciosos. É crucial usar com consciência, evitar automedicação e buscar alternativas para proteger a saúde renal.
- Como os anti-inflamatórios afetam a filtração dos rins e o fluxo sanguíneo.
- Quem são os grupos de risco mais suscetíveis a danos renais por AINEs.
- Sinais silenciosos que indicam comprometimento da função renal, muitas vezes detectados só em exames.
- A importância do uso consciente dos medicamentos e de evitar a automedicação.
- Alternativas mais seguras e medidas preventivas para preservar a saúde dos rins.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) atuam bloqueando substâncias conhecidas como prostaglandinas, que desempenham papel fundamental na regulação do fluxo sanguíneo renal.
Ao inibirem esse mecanismo, esses medicamentos podem reduzir a circulação nos rins e comprometer sua capacidade de filtrar adequadamente o sangue. Com o tempo, essa interferência pode contribuir para o desenvolvimento de alterações na função renal.
Em indivíduos saudáveis, o uso ocasional tende a ser bem tolerado. No entanto, o risco aumenta diante do consumo repetido, doses elevadas ou uso prolongado. Determinadas situações potencializam ainda mais esse efeito, como desidratação, infecções, exercícios intensos ou jejum prolongado – contextos em que o fluxo sanguíneo renal já pode estar reduzido.
Quem corre mais risco
Alguns grupos merecem atenção especial. Pessoas com condições pré-existentes como hipertensão arterial, diabetes, insuficiência cardíaca, doença renal prévia e indivíduos idosos são mais suscetíveis aos efeitos adversos renais dos anti-inflamatórios. Nessas condições, os rins já funcionam sob maior fragilidade hemodinâmica.
O uso concomitante de diuréticos também eleva o risco, pois pode reduzir ainda mais o volume de sangue que chega aos rins, aumentando a probabilidade de disfunção renal.
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Sinais silenciosos que pedem atenção
O aspecto mais preocupante é que esse processo nem sempre provoca sintomas evidentes. Os rins raramente causam dor, e o comprometimento de sua função pode se instalar de forma insidiosa e silenciosa.
Em muitos casos, a alteração é identificada apenas em exames laboratoriais, por meio da elevação da creatinina ou da redução da taxa de filtração renal.
Quando surgem sinais clínicos como diminuição do volume urinário, inchaço, fadiga ou mal-estar, o comprometimento funcional pode já estar estabelecido.
Uso consciente e alternativas mais seguras
O uso de anti-inflamatórios não deve ser demonizado, mas precisa ser criterioso. O problema reside menos na substância em si e mais na forma como é utilizada. A automedicação recorrente, o uso prolongado e a falsa percepção de inocuidade contribuem para a exposição contínua dos rins a um estresse potencialmente deletério.
Dores crônicas ou recorrentes devem ser avaliadas clinicamente e não apenas silenciadas com medicações. Em muitas situações, analgésicos com perfil de segurança mais favorável podem ser considerados. Em outras, intervenções não farmacológicas, como fisioterapia, fortalecimento muscular, ajustes posturais e controle de peso, podem reduzir de maneira significativa a necessidade de medicamentos.
A manutenção de hidratação adequada e a realização periódica de exames laboratoriais simples, como a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina, são medidas essenciais para o monitoramento da função renal, especialmente em indivíduos pertencentes a grupos de risco.
Pequenos ajustes adotados no momento oportuno podem evitar danos permanentes e preservar a saúde dos rins a longo prazo.
Os anti-inflamatórios são aliados importantes no controle da dor, mas não são isentos de riscos. Utilizá-los com consciência, respeitando indicações e limites, é uma medida simples e eficaz para prevenir complicações renais, que, em muitos casos, poderiam ser evitadas. Quando a dor se torna frequente, o melhor caminho não é repetir o remédio, mas buscar avaliação médica e investigar a causa do problema.
*Carlucci Ventura é nefrologista, membro da International Society of Nephrology e membro da Brazil Health
(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

Fonte.:Saúde Abril


