12:28 AM
2 de abril de 2026

Andar de tuk-tuk pelas ruas indianas é uma aventura inusitada e divertida – 01/04/2026 – Turismo

Andar de tuk-tuk pelas ruas indianas é uma aventura inusitada e divertida – 01/04/2026 – Turismo

PUBLICIDADE


Além de ser um dos meios de transporte mais eficientes para se locomover pelas cidades indianas, o tuk-tuk é uma baita passeio. Mas esse veículo diminuto e versátil que toma conta da paisagem não é para amadores.

O trânsito das metrópoles indianas é um emaranhado de fluxos desordenados, em que cada um define seu próprio trajeto. Mas sejam caminhões ou carros de luxo, vacas ou ônibus, todos conseguem chegar ao seu destino. Basta ser corajoso e cara de pau.

Os condutores dos tuk-tuks são muito solícitos. Eles desaceleram diante de paisagens bonitas e aceleram quando notam o apetite do passageiro por aventura. Também deixam tirar fotos no banco do condutor (com o veículo parado, é claro). Mas na lista dos mais destemidos, eles têm o segundo lugar garantido. Perdem só para os pedestres que atravessam vias sem nem sinal de faixas apropriadas —apenas com a confiança de que chegarão ao outro lado.

Numa referência bastante ocidental, andar de tuk-tuk na Índia é como viajar Nôitibus Andante de “Harry Potter“. O veículo, também chamado de autorriquixá, costura os caminhos mais surpreendentes e passa em espaços que parecem impossíveis.

Os tuk-tuks existem nos mais variados tamanhos, formatos e cores —curiosamente, o verde e amarelo predominam, mas há também aqueles decorados com estampados de flores e imagens de deuses. A maioria leva até três passageiros, além do condutor. Algumas versões maiores comportam, de maneira não tão confortável, até seis pessoas, e outras levam apenas carga.

Há aqueles motorizados, os movidos à tração humana (como uma bicicleta) e também animal. O primeiro é a melhor opção para longas distâncias e grandes centros; o segundo é ideal para complexos turísticos, onde eles circulam até mesmo no meio de pedestres; já os últimos não são lá muito indicados, já que ver um cavalo ou até um ser humano beirando a exaustão física por te carregar não é a situação mais aceitável para boa parte dos turistas.

Além de coragem, andar de autorriquixá requer frieza. É que, diferente da Europa, onde os problemas geralmente ficam distantes das áreas turísticas, na Índia a desigualdade social faz parte da paisagem. O país é bastante sincero sobre todas as suas facetas.

Esteja preparado para o assédio de pedintes, por exemplo. Assim que o tuk-tuk para no engarrafamento, muitos se amontoam no entorno para pedir dinheiro aos passageiros. Alguns encostam, outros suplicam, crianças e idosos. Não há violência —nem se preocupe em ser furtado ou roubado—, mas é preciso ter jogo de cintura.

Também é necessário ter pulso firme para pechinchar antes de embarcar no tuk-tuk. Embora muitos autorriquixás tenham um taxímetro, a maioria deles não o usa, e também não existem preços fixos ou médias de custo. O valor de cada viagem varia de acordo com a distância, mas é definido mesmo na argumentação entre passageiro e condutor.

O que torna o momento da barganha ainda mais delicado é que os indianos, principalmente ao prestar um serviço, não costumam dizer não. Eles vão dar um sorriso amarelo, contra argumentar com outro valor e reclamar do preço oferecido, mas é raro que neguem a proposta.

Só embarque no tuk-tuk depois de ouvir um preço que lhe agrade e que soe justo. Assim que você se senta, está aceitando que o preço final será o último proferido na barganha. A gorjeta, não inclusa no total combinado, costuma ser 10% do valor da conta.

Sabendo de tudo isso, alguns podem se questionar se vale a pena optar pelo tuk-tuk em vez de simplesmente pedir um Uber —que, aliás, funciona normalmente por lá. É claro que vale. Não apenas por ser um transporte super versátil, acessível e disponível em quase todos os lugares, mas também pela experiência, bastante inusitada e divertida



Fonte.:Folha de S.Paulo

Leia mais

Rolar para cima