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O processo de transição começou com Keir Starmer se reunindo com o rei Charles 3º para apresentar formalmente sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro. Em seguida, o monarca se reuniu com Burnham e o convidou a formar um governo.
Depois, Burnham seguiu para Downing Street, endereço oficial do gabinete do primeiro-ministro, onde fez um discurso em frente ao número 10, abordando questões que preocupam os britânicos no momento, como o custo de vida no Reino Unido.
Na semana passada, Burnham já havia assumido a liderança do Partido Trabalhista no lugar de Keir Starmer, após conquistar o apoio dos parlamentares da legenda.
Burnham chega a Downing Street herdando problemas complexos que sucessivos primeiros-ministros e governos tentaram enfrentar — na maioria das vezes, sem sucesso.
Na sexta-feira, ao assumir a liderança dos Trabalhistas, Burnham fez um discurso no qual se comprometeu a construir um partido unido, praticar um novo tipo de política, ser um líder para todo o país e descentralizar o governo.
Ele também prometeu a construção de novas moradias, a revitalização dos centros comerciais e melhorias na educação.
O que ele disse em seu primeiro discurso
Andy Burnham fez seu primeiro discurso como primeiro-ministro na manhã desta segunda-feira.
Falando ao microfone — sem o habitual púlpito — do lado de fora do número 10 da Dawning Street, ele disse que está “plenamente ciente” de que é o sétimo primeiro-ministro desde 2016, descrevendo o momento como uma ocasião para “reflexão e nova determinação”.
Afirmou ainda que os políticos “não têm estado à altura”, mas comprometeu-se a melhorar, prometendo as maiores mudanças dos últimos 40 anos.
Burnham prometeu transferir o poder de Downing Street para “cada código postal do país” e disse que apresentará, a partir de amanhã, medidas para dar às pessoas “um pouco de alívio” em relação ao custo de vida.
O primeiro-ministro afirmou que mais jovens receberão ajuda para ingressar no mercado de trabalho por meio de mudanças no sistema educacional e que haverá mais apoio disponível, inclusive na área de saúde mental.
Ele declarou que mais habitações públicas serão construídas, apontando essa como a “maneira justa e sustentável” de reduzir os gastos com assistência social, e acrescentou que, assim que entrasse no gabinete, “daria as primeiras instruções para acabar com a situação de pessoas dormindo nas ruas”.
Ao assumir o cargo de prefeito de Manchester, em 2017, Burnham estabeleceu como uma de suas prioridades acabar com essa realidade até 2020.
Todos os anos, autoridades locais na Inglaterra fazem um levantamento da quantidade de pessoas que passam a noite nas ruas em uma única noite do outono. O método, porém, não contabiliza toda a população em situação de rua, como quem está hospedado em albergues.
Em 2017, as autoridades estimaram que havia 268 pessoas nessa situação em Manchester. Três anos depois — durante a pandemia de coronavírus —, essa estimativa havia caído para menos da metade, chegando a 125. Embora Burnham não tenha alcançado sua meta, o total continuou diminuindo e chegou a 90 em 2021.
No entanto, os dados mais recentes, de 2025, mostram que o contingente voltou a subir, alcançando 197.
A quantidade de pessoas que passam a noite nas ruas também aumentou em todo o país nos últimos anos. No outono de 2025, a estimativa era de que 4.793 pessoas dormiam ao relento na Inglaterra — um recorde histórico.
Quem é Andy Burnham?
Burnham nasceu em Liverpool, em 1970, e cresceu em Cheshire. Torcedor do Everton, ele é um apaixonado por esportes.
Burnham estudou literatura inglesa na Universidade de Cambridge e trabalhou inicialmente com jornalismo, antes de ingressar na política quando tinha pouco mais de 20 anos.
Foi eleito deputado pela primeira vez em 2001 e ocupou cargos no gabinete do então primeiro-ministro Gordon Brown, antes de deixar o Parlamento em 2017.
Nesse período, concorreu duas vezes à liderança do Partido Trabalhista, sendo derrotado em ambas as ocasiões. Mais recentemente, Burnham atuou como prefeito de Manchester, cargo que ocupou de 2017 até o mês passado.
Durante sua gestão como prefeito, foi elogiado pelo trabalho de transformação do sistema de transporte da região e consolidou uma forte reputação como porta-voz do Norte da Inglaterra.
Ele chegou ao cargo de primeiro-ministro devido a diferentes crises no governo de Keir Starmer, que havia sido empossado em 2024.
Starmer obteve uma vitória esmagadora nas eleições gerais há dois anos, mas começou a perder o apoio popular poucas semanas após assumir devido a uma série de decisões políticas consideradas equivocadas e mudanças bruscas de rumo.

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A gota d’água para muitos parlamentares trabalhistas foi o desempenho avassalador do partido de direita Reform UK nas eleições locais de maio de 2026, o que levou muitos a temer que o líder do partido, Nigel Farage, vencesse as próximas eleições gerais.
Burnham nutria há muito tempo a ambição de liderar o Partido Trabalhista, mas só poderia disputar o cargo máximo se estivesse exercendo um mandato parlamentar.
Ele retornou ao Parlamento há um mês, após vencer a eleição para deputado do seu distrito. Sua vitória sobre o candidato do Reform UK convenceu muitos parlamentares trabalhistas de que ele é o nome ideal para substituir Starmer.
Outros nomes de peso do partido — como o ex-secretário de Saúde Wes Streeting — abriram mão de suas próprias ambições de liderança e declararam apoio a Burnham, juntando-se à maioria dos parlamentares trabalhistas.
Isso significa que ele assumiu a liderança do partido sem enfrentar disputa interna.
No Reino Unido, os primeiros-ministros não são eleitos diretamente — ao contrário dos presidentes do Brasil ou dos EUA —, mas escolhidos como líderes do partido que detém a maioria dos assentos na Câmara dos Comuns, no Parlamento.
Isso permite que o Reino Unido troque de primeiro-ministro sem a necessidade de novas eleições, algo que tem ocorrido com frequência nos últimos anos.
Burnham poderia convocar eleições gerais ao assumir o cargo de primeiro-ministro, mas ele parece ter descartado essa possibilidade.
Poucos líderes internacionais comentaram a ascensão de Burnham ao poder.
O presidente dos EUA, Donald Trump, não falou muito sobre Burnham até o momento, mas disse suspeitar que ele seja “extremamente liberal”. Ambos estão em lados opostos do espectro político.
A Rússia afirmou não esperar mudanças em suas relações precárias com o Reino Unido sob o comando de Burnham. O apoio britânico à Ucrânia e a hostilidade russa em relação ao Reino Unido têm sido aspectos centrais da história recente entre os dois países.
Na Ucrânia, há certa preocupação com o risco de instabilidade política no Reino Unido. Starmer declarou que o apoio do Reino Unido “não vacilará” quando o novo primeiro-ministro assumir o cargo.
Desafios
Burnham afirmou que manterá, em linhas gerais, as políticas com as quais o Partido Trabalhista foi eleito em 2024 — em particular, não vai aumentar as alíquotas principais do imposto de renda, do imposto sobre valor agregado ou da contribuição para a seguridade social.
No entanto, ele também começou a apresentar alguns planos políticos próprios.
Uma prioridade fundamental será transferir mais poder do Parlamento para os conselhos locais e autoridades regionais. Isso envolveria conceder maior controle em áreas como habitação e transporte.
Como parte dessa iniciativa, ele pretende criar uma equipe de apoio em Manchester, a mais de 240 quilômetros ao norte de Londres.
Burnham também deu pistas sobre seus planos para assistência social, cuidados sociais, imigração e defesa — e sugeriu que a criação de um imposto sobre grandes fortunas poderia estar em pauta —, mas, em muitas áreas, ainda não anunciou políticas específicas.
Ele também precisará nomear ministros para cargos-chave em seu gabinete, como para Finanças, Interior e Relações Exteriores.

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Burnham terá pela frente uma série de desafios nos quais outros primeiros-ministros recentes fracassaram.
Entre os mais urgentes estão o aumento acelerado dos gastos com benefícios por incapacidade e doenças, impulsionado pelo crescimento do número de pessoas pedindo esses benefícios, e a pressão para elevar os investimentos em defesa para cumprir as metas da aliança militar Otan.
O Reino Unido também tem problemas de habitação e emprego entre jovens. A meta trabalhista de construir 1,5 milhão de moradias está longe de ser alcançada, com apenas 204 mil entregues até março, e a proposta de Burnham de implementar um amplo programa de construção de habitações populares exigiria investimentos públicos significativos.
Além disso, mais de um milhão de jovens no Reino Unido não estudam nem trabalham, o que coloca o país entre os piores da Europa nesse indicador. Para reverter essa situação, seria necessário ampliar programas de aprendizagem profissional, educação técnica e oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


