12:34 AM
21 de fevereiro de 2026

Aprenda a identificar as lesões do mpox e o que fazer se notar sintomas

Aprenda a identificar as lesões do mpox e o que fazer se notar sintomas

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Desde janeiro, pelo menos 62 casos de mpox foram confirmados no Brasil em 2026, segundo balanços divulgados pelo Ministério da Saúde e por secretarias estaduais. Apesar das preocupações quanto aos riscos da doença, os quadros documentados, de acordo com as autoridades sanitárias, são predominantemente leves ou moderados.

A mpox é causada pelo vírus MPXV, um micro-organismo do gênero Orthopoxvirus, o mesmo grupo da antiga varíola humana. A infecção geralmente tem uma evolução benigna, envolvendo sintomas como febre, dor de cabeça, mal-estar e dores no corpo.

Além disso, o sinal mais característico dessa virose são as lesões cutâneas, que se parecem bolhas. E um estudo publicado pela Revista da Academia Americana de Dermatologia (JAAD, na sigla em inglês) ajuda a entender o porquê.

O registro internacional, coordenado pela Academia, reuniu 101 casos de 13 países durante o surto da doença ocorrido em 2022 e mostrou que, em 54% dos pacientes, as lesões de pele foram o primeiro sinal da infecção, antes mesmo da febre.

No entanto, o quadro pode ser confundido com outras doenças que também provocam alterações cutâneas. Por isso, especialistas destacam a importância de observar os sintomas com atenção e procurar avaliação médica em caso de suspeita.

Como saber se uma lesão de pele é mpox?

Para diferenciá-la de outros quadros, é importante saber as características desta infecção.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os sinais da doença geralmente começam uma semana após o contato com o vírus, mas podem surgir de um a 21 dias depois. Em geral, eles duram de duas a quatro semanas, podendo se prolongar em pessoas com a imunidade baixa.

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“O início dos sintomas geralmente inclui febre, mal-estar e aumento dos gânglios linfáticos (caroços doloridos no pescoço, axilas ou virilha)”, explica Cristhieni Rodrigues, infectologista do Hospital Santa Paula, da Rede Américas.

De um a cinco dias após a febre, surge a erupção na pele ou nas mucosas, que pode causar bolhas que se parecem com catapora ou herpes.

Esses sinais costumam aparecer primeiro no rosto e podem se espalhar pelo corpo, atingindo inclusive palmas das mãos e solas dos pés. Também podem aparecer em outras áreas de contato direto com o vírus, como boca, genitais e ânus. Daí em diante, as lesões passam por diferentes estágios, explica a médica:

Os machucados se iniciam como manchas planas (máculas), transformam-se em pápulas (caroços duros e elevados, que lembram espinhas), depois em vesículas (bolhas com líquido dentro, como as de catapora ou queimaduras), que evoluem para pústulas (vesículas cheias de pus) e, por fim, formam crostas (as cascas de cicatrização) que caem.

mpox real
Diferentes fases de uma lesão por mpox (da esquerda para a direita): a) Vesícula inicial; b) e c) Pústula; d) Lesão ulcerada (formação de crosta); e) Crosta parcialmente removida (Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido/gov.uk/guidance/monkeypox/Reprodução)
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Apesar dos padrões, não há regras claras. Algumas pessoas podem ter uma ou poucas lesões de pele, enquanto outras podem ter centenas ou mais. Além disso, ainda é possível ser infectado sem desenvolver quaisquer sintomas.

O estudo do JAAD também detalhou essas diferenças na progressão das marcas na pele. Por exemplo, somente em 39% dos casos havia menos de cinco lesões marcadas pelo corpo dos pacientes.

Além disso, eles viram que, nos primeiros cinco dias, predominavam pápulas (em 36% dos pacientes), vesículas (em 17%) e pústulas (em 20%); entre o sexto e o décimo dia, as pústulas se tornavam mais comuns, seguidas por erosões e crostas. Após o 11º dia, as crostas eram a forma predominante. Em 13% dos pacientes, houve formação de cicatriz.

Por fim, a análise para saber se uma lesão de pele é ou não mpox deve ser feita por um profissional de saúde.

Para o diagnóstico, um médico deve correlacionar características como o aspecto das lesões, sintomas associados e o histórico de exposição do paciente.

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Isso é importante, haja vista que a mpox pode se parecer com uma série de outras condições: catapora, sarampo, infecções bacterianas da pele, sarna, herpes, sífilis, além de infecções sexualmente transmissíveis e até reações alérgicas.

O teste laboratorial também é necessário. O exame ideal, segundo a OMS, é a detecção do DNA do vírus por meio da chamada reação em cadeia da polimerase (PCR).

Sempre que possível, a amostra é coletada diretamente das lesões da pele, onde há maior concentração viral. Na ausência delas, também dá para realizar a coleta com swabs na garganta ou na região anal, a depender da avaliação clínica.

+Leia também: Mpox: veja em detalhes o que a doença viral pode fazer com a pele

O que fazer em caso de sintomas?

“Se alguém perceber que estão aparecendo bolhas pelo corpo, visíveis e relativamente grandes, deverá procurar um atendimento de saúde”, reforça Juvencio Furtado, infectologista do Hospital Heliópolis, gerido pelo Einstein.

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Confirmado o diagnóstico, a recomendação é permanecer em casa, de preferência em um quarto bem ventilado, lavar as mãos com frequência e cobrir as lesões ao estar perto de outras pessoas. Máscara também é indicada enquanto houver feridas ativas.

Já o tratamento é de suporte: controlar dor e febre, manter boa hidratação, alimentação adequada e atenção redobrada à pele para prevenir infecções bacterianas.

Outra recomendação da OMS é evitar estourar bolhas ou coçar as lesões, já que isso atrasa a cicatrização e pode espalhar o vírus para outras áreas do corpo. Além disso, lembre-se: a transmissão só deixa de ser um risco quando todas as feridas cicatrizam e uma nova camada de pele se forma.

Como visto, com os devidos cuidados, a maioria das pessoas se recupera em duas a quatro semanas.

A principal preocupação recai sobre as crianças, gestantes e pessoas com sistema imunológico debilitado, incluindo pessoas vivendo com HIV não controlado.

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Especialmente entre esses grupos, podem ocorrer complicações como infecção bacteriana na pele, levando a abscessos ou outros danos graves.

Também há relatos de sequelas como pneumonia; infecção da córnea com perda de visão; dor ou dificuldade para engolir; vômitos e diarreia, além de infecções do sangue (sepse), cérebro (encefalite), coração e reto.

Ainda assim, Furtado reforça que nem todo mundo que se contamina vai ter um quadro mais intenso da doença. “Aliás, a maioria não é grave, embora ela seja altamente contagiosa”, tranquiliza o médico.



Fonte.:Saúde Abril

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