Pequena semente que movimenta produtores e comerciantes em regiões serranas do Sudeste e Sul do Brasil entre os meses de abril e julho, o pinhão é uma iguaria típica da transição do outono para o inverno, celebrada em festividades locais.
Nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a expectativa é que a safra do pinhão tenha início no dia 1º de abril. Já o Paraná anunciou um adiamento no começo da colheita, agora fixada para o dia 15 do mesmo mês.
O pinhão é a semente da araucária, uma árvore nativa da Mata Atlântica com um formato semelhante a um cálice ou uma taça. A coleta é feita quando as pinhas (uma estrutura esférica que pode conter mais de 100 pinhões) caem no solo, ou retirando-as diretamente das árvores, geralmente com o apoio de uma vara de bambu. Após o plantio, leva em torno de 15 anos para o “pinheiro brasileiro” produzir os primeiros pinhões.
O que fazer com pinhão?
Em geral, o pinhão é consumido de forma simples: a semente pode ser assada ou cozida e nem precisa de acompanhamentos. Nas regiões produtoras, a sapecada de pinhão é um modo de preparo bastante tradicional e fácil. Basta separar uma boa quantidade de grimpas – galhos secos da Araucária –, colocar o pinhão entre elas e pôr fogo. Depois das chamas cessarem, só falta tirar a casca e comer.
A sapecada é uma herança cultural dos tropeiros, que priorizavam preparos simples pela falta de utensílios de cozinha em suas viagens. Hoje, porém, outros pratos são comuns, como o entrevero, feito com diversos tipos de carnes, e a farofa de pinhão. Para além de receitas salgadas, há também doces. Algumas delas e seus modos de preparo podem ser conferidos neste material da Embrapa.

Além de ser uma delícia, o pinhão também traz benefícios à saúde: é rico em potássio e possui boas concentrações de ômega 6 e 9. Essas características fazem dele um ótimo aliado no controle da pressão arterial, prevenindo doenças cardiovasculares e reduzindo o colesterol no sangue. Ele também fornece antioxidantes, mas é bom consumir com moderação, já que é bastante calórico. Não à toa, era cultuado pelos tropeiros como uma forma rápida de obter energia nas longas viagens.
O pinhão ainda possui boas quantidades de fibras e, recentemente, um estudo da Embrapa revelou que ele possui efeitos prebióticos. Essas características ajudam a manter a saúde e o funcionamento intestinal em dia.
Festas do Pinhão
Lages, na região serrana catarinense, promoverá a 36ª Festa Nacional do Pinhão entre os dias 22 de maio e 7 de junho. Espalhados pela cidade, vendedores locais ocupam feiras repletas de comidas típicas, enquanto cantores da região apresentam músicas tradicionais – tudo isso somado a uma programação rica, que também inclui artistas nacionais.
Já no interior de São Paulo, a Festa do Pinhão de Campos do Jordão terá a sua 60ª edição entre os dias 6 e 10 de maio. O evento, promovido desde 1962, será realizado no Mercado Municipal e na Praça do Gazebo. A programação pode ser conferida aqui.
Ainda no estado de São Paulo, outro destaque é o Festival Gastronômico Sabores de Cunha. Entre os dias 11 de abril e 3 de maio, 25 restaurantes, cafés e bistrôs da cidade vão preparar receitas especiais em torno do pinhão. Saiba mais aqui.
Proteção da Araucária
Antes do início da safra do pinhão em abril, a colheita, o transporte, a comercialização e o armazenamento são proibidos. Essa é uma iniciativa para proteção da araucária: ela já perdeu 87% de sua cobertura original e está ameaçada de extinção. A legislação vigente também proíbe o seu corte.
Um estudo prevê que, caso não haja estratégias de conservação da espécie, a árvore poderá ser extinta até 2070. Mas este cenário nem sempre foi assim: a araucária é tão antiga quanto os dinossauros – estima-se que vive na Terra há 150 milhões de anos – e ao longo dos últimos milênios já ocupou áreas extensas, formando grandes florestas.
Sob o nome científico de Araucaria angustifolia, a árvore é natural da Mata Atlântica. Ela está presente principalmente nos estados do sul do Brasil, mas pode ser vista de forma esparsa também em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. É, inclusive, um dos símbolos do estado do Paraná.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024 (último ano com dados consolidados), o Brasil produziu cerca de 13,5 mil toneladas de pinhão, movimentando R$ 76,8 milhões. O maior produtor é o estado do Paraná, com 4,7 mil toneladas. Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo completam a lista de maiores produtores – os únicos cinco estados que produziram comercialmente em 2024.
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Fonte.:Viagen


