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12 de janeiro de 2026

As surpreendentes atrações da Macedônia do Norte, destino pouco conhecido nos Bálcãs

As surpreendentes atrações da Macedônia do Norte, destino pouco conhecido nos Bálcãs

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Fora dos roteiros mais tradicionais pelo sul da Europa, a Macedônia do Norte já começou a entrar no radar de quem quer curtir essa parte do continente sem ter que lidar com as multidões de turistas que deixam apinhados os destinos das redondezas, banhados pelo Mediterrâneo.

É verdade que esse país não tem mar, o que ajudou a mantê-lo relativamente obscuro nos 35 anos desde que se separou da antiga Iugoslávia. Mas uma série de parques nacionais com montanhas e lagos impressionantes, uma rica história que segue em pé em mosteiros milenares e até uma tradição na vitivinicultura vêm compensando com sobras o que falta em litoral. A chance de conhecer uma nação ainda pouco tocada pelo turismo massivo também se converteu, ironicamente, em um atrativo para visitantes.

Atrativos naturais do país

O ponto mais famoso da Macedônia do Norte é o Lago Ohrid (também chamado de Ocrida), considerado um Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade pela Unesco desde o começo dos anos 1980.

Corpo d’água mais profundo dos Bálcãs, esse lago dividido com a vizinha Albânia é rodeado por montanhas que sediam algumas construções históricas e faz o visitante esquecer que o país não tem litoral: todos os anos, milhares de habitantes dos países vizinhos vão ao Ohrid em busca de suas famosas praias. A zona também é pródiga em biodiversidade, com mais de 1,2 mil espécies de animais e plantas, o que a torna um destino popular de ecoturismo.

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No verão, águas e praias do Ohrid até fazem esquecer que a Macedônia do Norte não tem mar (Antonio Janeski/Unsplash)

A Macedônia do Norte conta ainda com uma série de parques nacionais com paisagens surpreendentes. O Galicica é talvez o mais famoso, situado entre o próprio Ohrid e outro lago bastante visitado do país, o Prespa. Já o parque Mavrovo é possivelmente o mais cênico, com uma série de trilhas em meio ao relevo montanhoso e um visual que se transforma com as estações, rendendo vários cartões-postais que o país tem usado para se promover ao longo dos anos.

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Passeio de barco em meio ao Cânion Matka (kallerna/Wikimedia Commons)
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Muito próximo da capital Skopje, a apenas 30 km de distância, outra atração natural popular da Macedônia do Norte é o Cânion Matka. O local é procurado por adeptos da escalada, com paredões rochosos propícios à subida, mas também pela variedade de atrações que as águas do Rio Treska – que corre no fundo do cânion – oferecem: seja para passear de barco, remar um caiaque ou nadar, a área é muito concorrida especialmente no verão. Ao longo do leito do rio, uma série de cavernas também atraem visitantes, com destaque para a Vrelo, repleta de estalagmites e estalactites.

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Matka também é um destino popular para a prática do caiaque (Bijonse/Wikimedia Commons)

Outros pontos imperdíveis

Se a natureza é um ponto forte da Macedônia do Norte, sua localização é privilegiada para que o país também seja cheio de história. Mais do que a reivindicada conexão com a antiguidade gloriosa de Alexandre, o Grande (tema, aliás, que rende uma disputa de décadas com a Grécia), os legados visíveis ao redor do mapa vêm sobretudo do período medieval e moderno, quando a área pertenceu primeiro ao Império Bizantino e, depois, ao Otomano.

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O Sveti Naum, visto a partir do lago Ohrid (Xhiliana/Unsplash)

Dois mosteiros em particular roubam a cena nesse assunto: à beira do Ohrid, o Sveti Naum rende algumas das vistas mais espetaculares do lago. Fundado pelo próprio São Naum (que dá nome ao lugar) no ano de 905, o monastério teve partes importantes reconstruídas ao longo do século 16, rendendo influências arquitetônicas e artísticas do período bizantino. Outro retiro religioso com essas características é Bigorski, que existe desde o ano 1020, embora tenha sido amplamente reconstruído no século 18.

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Afrescos no mosteiro de Bigorski (Enric/Wikimedia Commons)

Há uma razão para influências tão duradouras vindas do que hoje é a Turquia: o território da atual Macedônia do Norte passou mais de 500 anos sob domínio de Constantinopla, antigo nome de Istambul. Isso não rendeu apenas legados culturais nos mosteiros cristãos, que hoje pertencem à Igreja Ortodoxa Macedônia, mas também em templos muçulmanos.

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Detalhes no interior da Mesquita Pintada de Tetovo (Adam Jones/Wikimedia Commons)

O exemplar de arte islâmica mais famoso do país é a impressionante Sarena Dzamija, também conhecida como a Mesquita Pintada: construída originalmente em 1438, ela se destaca por uma arquitetura e decorações que se tornariam raras após a conquista otomana, sem um domo visível e com paredes pintadas (daí o apelido), ao invés de decoradas por azulejos e cerâmicas. A mesquita fica em Tetovo, a 50 km de Skopje.

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Mesquita Pintada: construída originalmente em 1438, ela tem influências da Anatólia. As que vieram mais tarde seguiriam as tradições de Constantinopla, com grandes domos e cerâmicas substituindo as pinturas nas paredes (Marјan Petkovski/Wikimedia Commons)
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Na capital Skopje, não deixe de visitar o Velho Bazar, no centro histórico, que há quase um milênio serve como coração pulsante da vida na cidade: inúmeras lojas e comércios de rua, herdados da tradição turca, estendendo-se por várias quadras ao longo do Rio Vardar.

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Rua comercial no Velho Bazar de Skopje (Markus Winkler/Wikimedia Commons)

Outra atração famosa na área central é a Casa Memorial Madre Teresa, que comemora a vida e os serviços da freira que depois ganharia o Nobel da Paz e se tornaria uma santa católica – apesar de sua maior fama vir da atuação em Calcutá, na Índia, ela nasceu em Skopje em 1910, onde viveria até os 18 anos, quando se juntou à ordem das Irmãs de Loreto e se mudou para um claustro irlandês.

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O observatório astronômico de Kokino, a “Stonehenge da Macedônia” (Martin Dimitrievski/Wikimedia Commons)

Outras atrações conhecidas do país, que valem um desvio de rota, incluem o observatório astronômico Kokino (um sítio megalítico de observação das estrelas apelidado de “Stonehenge Macedônia”), as ruínas e mosaicos greco-romanos da antiga cidade de Heraclea Lyncestis (próxima de Bitola, 170 km ao sul de Skopje) e a região vinícola de Tikves, que preserva a tradição mediterrânea de produção de bebidas de qualidade.

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Mosaico e ruínas de Heracea Lyncestis, cidade que testemunha o passado greco-romano na região de Bitola (Mister No/Wikimedia Commons)

Para uma atração diferentona e muito fotografada como exemplo da arquitetura em estilo “extraterrestre” que marcava monumentos iugoslavos, vale ir até a cidade de Krusevo e ver de perto o Ilinden. Também conhecida como Makedonium, esse memorial inaugurado em 1974 comemora uma revolta ocorrida sete décadas mais cedo, que ajudou a precipitar o fim do domínio otomano sobre esse pedaço da Europa.

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Arquitetura única do Makedonium ajudou a tornar monumento famoso na internet (Tashkoskim/Wikimedia Commons)

Por que Macedônia “do Norte”?

No começo dos anos 1990, após o colapso da Iugoslávia, o que hoje é a Macedônia do Norte se tornou um país independente e imediatamente adotou o nome, sem o qualificativo geográfico. O tema deu início a uma controvérsia que duraria três décadas com a vizinha Grécia, que também tem uma província importante chamada Macedônia: é onde fica a cidade de Tessalônica, a maior do país depois de Atenas.

Nos dois casos, há uma disputa pelo legado histórico do antigo Reino da Macedônia, que existiu no século 4 a.C. A área, que se tornou especialmente famosa sob o comando de Alexandre III (mais conhecido como Alexandre, o Grande), estendia-se sobre as duas Macedônias atuais. Hoje, no entanto, os dois vizinhos guardam poucos traços étnicos em comum, e a história do velho reino é muito mais vinculada culturalmente à Grécia do que ao outro lado, onde a maioria da população é de ascendência eslava.

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Sítio arqueológico da antiga cidade de Pella, onde nasceu Alexandre, o Grande: local fica na Macedônia “grega” e ajuda a exemplificar disputa pelo passado entre a nação helênica e os vizinhos “do Norte” (Joyofmuseums/Wikimedia Commons)

Para os gregos, o uso de “Macedônia” pelo país vizinho representava uma usurpação da história e até um risco de que, no futuro, movimentos nacionalistas tentassem anexar a província da Grécia que também usa o nome.

No final dos anos 2010, as relações melhoraram e os países anunciaram acordos para pacificar a questão. Em 2018, o Aeroporto Internacional de Skopje deixou de se chamar “Alexandre, o Grande” e, no ano seguinte, o que até então era a Antiga República Iugoslava da Macedônia mudou de nome para República da Macedônia do Norte, explicitando de vez a diferença em relação à região grega.

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Fonte.:Viagen

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