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26 de março de 2026

Atlantic Nickel vai criar mina subterrânea na Bahia – 26/03/2026 – Economia

Atlantic Nickel vai criar mina subterrânea na Bahia – 26/03/2026 – Economia

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A mineradora Atlantic Nickel pretende começar no ano que vem a extrair minério de níquel em uma mina subterrânea no interior da Bahia. Nesta quinta-feira (26), a empresa, que é controlada por uma gestora de investimentos britânica, iniciou a construção da nova estrutura.

O plano da companhia é ampliar a produção anual de 15 mil toneladas de níquel contido para 30 mil toneladas até 2030. A expansão na mina não exigirá ajustes na planta de beneficiamento, onde ocorre a concentração do mineral.

No caso da Atlantic Nickel, o níquel é vendido na forma de concentrado, nome dado ao produto da cadeia após o primeiro beneficiamento. Na prática, a mineradora extrai o minério que contém entre 0,3% e 0,6% de níquel e, a partir de um processo industrial, aumenta a concentração para 13,5%. O mineral também tem cobre e cobalto como subprodutos.

Os investimentos totais na ampliação são de cerca de R$ 3,3 bilhões, com uma previsão de aumentar o faturamento da empresa em 60%, considerando os atuais preços de níquel —a mineradora faturou US$ 274,5 milhões no ano passado. Apesar de as obras já terem começado, a decisão final de investimento deverá ser feita nos próximos meses.

“Uma característica que a gente tem para diminuir o risco para os investidores é começar as obras mesmo antes da decisão final de investimento, porque aí a gente vai fazendo os trabalhos preliminares, que ajudam a tirar os gargalos e, portanto, diminuem o risco de cronograma geral”, afirma Milson Mundim, country manager do Appian Capital no Brasil, fundo britânico dono da mineradora.

O investimento possibilitará que a operação da empresa na cidade de Itagibá dure ao menos até 2050. O horizonte, que pode variar a depender do preço do níquel, é importante para municípios da região, muito dependentes das receitas provenientes da mineração.

Por ora, segundo Mundim, não há previsão de avançar na cadeia do mineral. Na rota típica do níquel sulfetado, como é chamado o minério extraído pela Atlantic, o concentrado é transformado em um produto chamado matte e refinado mais algumas vezes até virar sulfato de níquel, material presente em baterias de carros elétricos. Esse tipo de mineral também pode ser usado na confecção de matéria-prima para turbinas de avião.

Ainda assim, com a ampliação da produção, a Atlantic Nickel aumentará sua influência na política mineral do país.

Hoje, Vale e Anglo American são as maiores produtoras do mineral no Brasil, mas se concentram no ferroníquel, produto ligado à fabricação de aço –ambas têm capacidade de produzir cerca de 40 mil toneladas de níquel contido.

A Atlantic Nickel pertence à gestora britânica Appian Capital, que no ano passado criou um fundo de US$ 1 bilhão com um braço do Banco Mundial. Desse total, segundo Mundim, ao menos US$ 50 milhões irão para a construção da mina subterrânea, em troca de participação societária no projeto.

Hoje, as exportações da Atlantic são distribuídas entre China, Finlândia e Canadá. A empresa faz parte da iniciativa SAFE, que visa garantir o fornecimento de minerais críticos para os EUA e aliados ocidentais. De acordo com Mundim, no entanto, a gestora ainda não definiu se a nova produção será enviada apenas ao Ocidente.

Na Bahia, a Appian opera a mina de níquel partir de um contrato de arrendamento com a CBPM, estatal que tem o direito de lavrar a área. O acordo dá à empresa baiana o direito de receber 2,5% de 60% do faturamento da Atlantic com a venda de níquel e 2,5% de todo o faturamento com outros minerais.

A Atlantic escolheu construir uma mina subterrânea devido à profundidade do corpo mineral na região. Além disso, apesar de ter mil metros de profundidade e poder chegar a 200 quilômetros de extensão, a estrutura gera menos impactos ambientais do que aquelas a céu aberto.

MERCADO DE NÍQUEL

Atualmente, a Indonésia é responsável por quase 70% da produção mundial de níquel. O país asiático domina este mercado desde 2021, quando uma série de empresas chinesas entrou no país devido a políticas locais que impediram a exportação bruta do minério.

A concentração de níquel na mão de indonésios e chineses, no entanto, chamou atenção de países ocidentais, que nos últimos anos têm buscado diversificar seus fornecedores.

O Brasil é uma alternativa. O país tem 11% das reservas mundiais desse mineral, mas representa apenas 2% da produção.


RAIO-X | ATLANTIC NICKEL

Fundação: 2018 (antes, era conhecida como Mirabela Nickel)

Faturamento em 2025: US$ 274,5 milhões

Ebitda em 2025: US$ 103,4 milhões

Capacidade de produção: 15 mil toneladas de níquel contido

Funcionários: 2.000 (diretos e indiretos)

Outros produtores de níquel no Brasil: Vale e Anglo American



Fonte.:Folha de S.Paulo

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