12:47 AM
29 de agosto de 2025

Banco Genial renuncia à gestão de fundo investigado em operação contra o PCC

Banco Genial renuncia à gestão de fundo investigado em operação contra o PCC

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Administrador do Radford Fundo de Investimento Financeiro Multimercado Crédito Privado, citado como destino de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) nas investigações da Operação Carbono Oculto, o banco Genial disse que renunciou à prestação de todos os serviços do fundo até que o caso seja esclarecido pelas autoridades.

De acordo com os levantamentos da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo, o fundo é citado em uma exceção de indisponibilidade de bens, sugerindo que a retirada de valores da Usina Itajobi, outra citada na operação, ocorreu por meio deste fundo.

Sob gestão do grupo Mourad, a usina teria encaminhado R$ 100 milhões para o fundo Radford através do BK Instituição de Pagamento, uma fintech que atuaria como banco paralelo do PCC.

Em nota divulgada no início da noite desta quinta, o banco Genial disse que tomou conhecimento da operação pela imprensa e que, até o momento, não recebeu notificação oficial sobre a existência de investigações diretas ou indiretas envolvendo a instituição.

O Genial também explicou que o fundo Radford foi originalmente estruturado por outros prestadores de serviços e transferido ao banco em agosto de 2024.

“Na ocasião, a instituição promoveu as devidas diligências, abrangendo o investidor exclusivo e os ativos que integravam a carteira. Desde então, o Fundo opera nos termos do seu regulamento”, disse o banco.

O banco disse que, diante de menções negativas, e até que os fatos sejam esclarecidos, renunciou à prestação de todos os serviços do fundo.

“O Banco Genial sempre conduziu suas atividades com base nos mais elevados padrões de governança corporativa, ética e compliance regulatório, em estrita observância à legislação e regulamentação aplicáveis”, disse em nota.

A instituição bancária reiterou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e que repudia qualquer tipo de ilação apontando o envolvimento da instituição com os fatos veiculados pela imprensa.

ENTENDA O CASO

A fintech BK Instituição de Pagamento S.A., também conhecida como BK Bank, tornou-se um dos principais alvos da operação Carbono Oculto, deflagrada pela Receita Federal e pelo MP para desarticular uma suposta infiltração do PCC no setor de combustíveis e no sistema financeiro.

Segundo a Receita Federal, a fintech atuaria como banco paralelo da organização e teria movimentado sozinha R$ 46 bilhões não rastreáveis de 2020 a 2024. Abarcando um período maior, a apuração da PF, por sua vez, afirma ter identificado R$ 68,9 milhões movimentados em contas na BK Bank entre janeiro de 2020 e agosto de 2025.

A reportagem não localizou os responsáveis pela empresa até a publicação deste texto.

Parte das transações, segundo os investigadores, envolveria diretamente a circulação de valores oriundos da venda clandestina de metanol desviado, inseridos no mercado formal por meio das chamadas “contas-bolsão” -mecanismo típico de fintechs que concentra depósitos de múltiplos clientes em uma única conta, dificultando o rastreamento da origem do dinheiro.

Com sede em Barueri (SP), a fintech é apontada pelos investigadores como peça central na engrenagem de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial ligada ao desvio de metanol e à adulteração de combustíveis.

A força-tarefa também investiga os ativos do Grupo Mourad, uma empresa atuante em toda a cadeia do setor de combustíveis -de usinas sucroalcooleiras a lojas de conveniência, entre elas a Usina Itajobi. Essa holding mantinha relações com membros conhecidos do PCC, segundo os investigadores, e é suspeita de sonegação de impostos e lavagem de dinheiro, de acordo com pedido de busca de provas do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).

Pessoas associadas ao grupo Mourad, presidido por Mohamad Hussein Mourad, mantinham investimentos em fundos administrados por sete gestoras.

No total, a Operação Carbono Oculto tem 350 alvos. É a maior operação desse tipo na história, segundo a Receita, mobilizou 1.400 agentes em oito estados numa megaoperação nesta quinta-feira (28) e busca desarticular a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis e em instituições financeiras utilizadas como suporte dessa cadeia.

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Fonte Noticias ao Minuto

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