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2 de julho de 2026

Bar do Biu: o assassinato de um boteco em Pinheiros – 02/07/2026 – Cozinha Bruta

Bar do Biu: o assassinato de um boteco em Pinheiros – 02/07/2026 – Cozinha Bruta

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Bares podem morrer ou ser assassinados.

A morte natural ocorre quando a clientela começa a escassear, o que derruba a qualidade da birosca e afasta mais a freguesia, num ciclo difícil de interromper.


O fechamento do Bar do Biu é um flagrante caso de execução sumária pelas costas, agravada pela localização: a fuliginosa rua Cardeal Arcoverde. É lá, na principal artéria de Pinheiros, que a vítima jaz insepulta —e, até segunda ordem, ainda viva.

Você pode ter motivos razoáveis para não gostar do Bar do Biu. Pode achá-lo corintiano demais, rústico demais, barulhento ou calorento demais. Pode reclamar, resmungar e chiar. O Biu seguirá sucesso de público, assim como o Paris 6, mas em outra categoria.


O bar fechará apenas porque a dona do imóvel o vendeu para uma construtora, em negociação que excluiu os botequeiros e suas demandas. A esquina do Biu terá, em breve, mais um belíssimo prédio desses que têm brotado aos borbotões. Por determinação do Plano Diretor, muitas das torres que sobem têm comércio no térreo, a tal fachada ativa.

São padarias gourmet, salões de beleza, butiques, farmácias e, claro, o famigerado Oxxo. Une-os o caixa polpudo para pagar o aluguel cobrado nas lojas das torres residenciais. Você já reparou que nunca é um boteco? Botecos verdadeiros, como o Bar do Biu, nascem no improviso, sem branding, sem metas.


Se a gentrificação de áreas como Pinheiros já havia dizimado esse tipo de iniciativa familiar, as fachadas ativas são terreno estéril para botecos ou qualquer comércio mambembe de bairro. Ficamos com as redes e as franquias. A paisagem de São Paulo caminha para a monotonia absoluta.

O Bar do Biu é célebre pelas travessas colossais de baião de dois, servido com vários tipos de carne. Por isso, a receita da semana será minha interpretação desse clássico nordestino.

Usei, em vez do feijão-de-corda, um feijãozinho que dá bastante nesta época: feijão-corado. É vendido fresco, em vagens rajadas de rosa ou roxo, e cozinha bem mais rápido.

Baião com linguiça

Rendimento

4 porções

Dificuldade

Média

Tempo de preparo

40 a 60 minutos

Ingredientes

  • 100g de feijão corado ou feijão-de-corda verde, catado
  • 1 folha de louro
  • 1 colher (sopa) de manteiga de garrafa
  • 100 g de queijo de coalho em cubos
  • 150 g de bacon em cubos
  • 300 g de linguiça fresca
  • 2 dentes de alho picados
  • 1 cebola roxa fatiada
  • 1 colher (chá) de cominho
  • 1 colher (chá) de colorau
  • 150 g de arroz
  • Sal, coentro e cebolinha a gosto

Preparo

  • Cozinhe o feijão e água salgada com louro, até ficar a dente. Reserve separadamente os grãos e o caldo.
  • Enquanto o feijão cozinha, aqueça a manteiga e frite o queijo até dourar. Reserve. Repita a operação com o bacon e a linguiça.
  • Na mesma panela, refogue o alho e a cebola. Tempere com cominho e colorau. Junte o feijão, o queijo, o bacon e metade da linguiça, picada. Adicione o arroz e 600 ml do caldo de feijão. Deixe em fogo baixo, com a panela tampada, até o arroz cozinhar.
  • Desligue o fogo, misture as ervas, ajuste o sal e sirva com a linguiça restante e, se quiser, ovos fritos.


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Fonte.:Folha de S.Paulo

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