Em meio ao Vale Europeu de Santa Catarina e vizinha de Blumenau, a cidade de Pomerode é chamada por muitos de “a mais alemã do Brasil”, fama que os locais se orgulham em cultivar.
Com cerca de 34 mil habitantes, a calmaria reina em um lugar com muito verde e bairros espalhados, distantes da região central.
Porém, ao chegar ao Biergarten Pomerânia (@biergartenpomerania), a quietude fica da porta para fora. Ali o clima ordeiro é trocado por outra tradição germânica: as animadas festas cervejeiras, principalmente da região de Munique, berço da Oktoberfest que recebe anualmente a maior festa do gênero do mundo.
Em um casarão tombado de 1945, o biergarten faz jus ao nome, com um generoso quintal na entrada, que foi recentemente ampliado —ótima notícia para o calor acachapante neste começo de 2026 na região catarinense.
Ali, os clientes são recebidos por atendentes devidamente trajados com trajes típicos de Oktoberfest: o lederhosen, a bermuda de couro com suspensório, acompanhada por camisa quadriculada para os homens; e o dirndl, um vestido com corpete justo, combinado a uma blusa, normalmente branca, e um avental.
Há também música típica ao vivo (no tom certo) e brincadeiras tradicionais, como ver quem permanece mais tempo com o braço esticado segurando uma caneca de um litro. Mas se estamos falando de festa alemã, estamos falando de cerveja. No caso do biergarten, a marca é da casa, a Cervejaria Pomerânia.
Com uma fábrica a poucos quarteirões de distância,a Pomerânia produz cerca de 3.000 litros de chope por mês. O número pode parecer pequeno aos padrões paulistanos —o Tank Brewpub, em Pinheiros, chega a 8.000 litros mensais—, mas estamos falando de uma cidade com cerca da metade da população do distrito de Pinheiros.
São apenas quatro estilos, todos da escola alemã e fáceis de agradar aos diferentes tipos de consumidor: a tradicional pilsen (com 4,5% de teor alcoólico); a Festbier (5,0%), um pouco mais maltada e de corpo médio, típica nas Oktobers; a deliciosa braunbier (6,5%), escura e mais encorpada; e a rauchbier, rótulo da região de Bamberg, com aroma defumado —esta última é a única sem chope, disponível apenas em garrafa de 500 ml.
No entanto, a Pomerânia não dá conta de todo o consumo no biergarten, que recebe em suas torneiras o reforço de uma IPA (estilo não alemão), da cervejaria Das Bier, da vizinha Gaspar.
Outras sugestões podem causar estranheza aos mais desavisados, mas são perfeitamente aceitáveis em bares alemães, como a Berlim (com base de pilsen e xarope de grenadine ou maçã verde) e a radler, uma refrescante mistura de pilsen com soda (sem preconceitos).
Para acompanhar qualquer um dos canecos, de 300 ml, 500 ml ou 1 litro, um cardápio alemão-raiz, cortesia do chef alemão Heiko Grabolle, uma celebridade local, que desfila seu sorriso pelo salão, sempre parando em mesas que solicitam selfies —e não são poucas. A principal estrela do menu é o ótimo eisbein (o joelho de porco).
Mas se o apetite permitir, não deixe passar o torresmo de barriga ou a pipoca alemã (torresmo à pururuca). Ah, e ainda tem o strudel —convém levar um sal de frutas antes de se jogar na comida bávara.
O jornalista viajou a convite do Biergarten e Cervejaria Pomerânia
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Fonte.:Folha de São Paulo


