A polícia da Bolívia voltou a entrar em confronto nesta quarta-feira (10) com manifestantes que chegaram nos arredores da Praça Murillo, onde está localizada a sede do governo do país, em La Paz. Os atos, que já duram cinco semanas, exigem a renúncia e aumentam a pressão sobre o presidente de centro-direita Rodrigo Paz, que avalia decretar estado de exceção e mobilizar as Forças Armadas para conter a crise.
Os manifestantes, formados principalmente por trabalhadores, camponeses, mineiros e professores, ergueram barricadas com contêineres de lixo nas proximidades do palácio do governo. A polícia respondeu com bombas de gás lacrimogêneo, enquanto os ativistas atiravam pedras contra os agentes. Pelo menos cinco pessoas foram detidas durante os confrontos, segundo a imprensa local.
Vindos de diferentes regiões do país, milhares de manifestantes marcharam cerca de 15 km desde a cidade vizinha de El Alto até o centro da capital. Vestidos com ponchos, capacetes de mineração e carregando bandeiras indígenas, eles gritavam palavras de ordem pedindo a saída do presidente.
A mobilização reflete a insatisfação com as reformas propostas por Rodrigo Paz e com a falta de resultados para enfrentar a grave crise econômica no país. O presidente, eleito após duas décadas de governos socialistas liderados por Evo Morales e Luis Arce, lida com um cenário marcado pela escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos, além da disparada dos preços.
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A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo
Em La Paz e El Alto, a população convive com filas em postos de gasolina, dificuldades de abastecimento e falta de insumos médicos em hospitais. De acordo com o governo, os bloqueios de estradas organizados pelos manifestantes já causaram prejuízos superiores a US$ 1,2 bilhão (R$ 6,2 bilhões).
Há sete meses no poder, Paz acusa os manifestantes de serem incentivados por grupos ligados ao narcotráfico. Ele sancionou uma lei que amplia seus poderes para decretar estado de exceção. A medida permitiria restringir a liberdade de circulação e reunião, além de autorizar a participação das Forças Armadas na remoção de bloqueios em rodovias.
O governo também atribui a mobilização ao ex-presidente Evo Morales, atualmente foragido após ser alvo de uma investigação por suposto envolvimento em tráfico de menor, em acusação que ele nega. Nesta quarta, falando a apoiadores na região cocaleira do Trópico de Cochabamba, Morales desafiou o atual presidente a discutir os problemas do país e afirmou que está disposto a mostrar “como se governa”.
A Bolívia atravessa uma crise econômica desde 2023, devido à falta de dólares. A gestão anterior, de Luis Arce (2020-2025), esgotou as reservas do país para financiar uma política de subsídios aos combustíveis, que comprava a preço internacional e revendia internamente com prejuízo. Paz a eliminou em dezembro.
Fonte.:Folha de S.Paulo


