12:48 AM
5 de fevereiro de 2026

Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028; veja os principais

Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028; veja os principais

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O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. É o que apontam previsões do Instituto Nacional do Câncer (INCA), publicadas nesta quarta-feira (4), Dia Mundial do Câncer.

Desse total, aproximadamente 518 mil diagnósticos anuais devem corresponder a tumores de maior gravidade. O restante é formado pelos cânceres de pele não melanoma, tipos mais frequentes, mas de baixa letalidade.

De acordo com o INCA, os números, que fazem parte do documento Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, refletem o envelhecimento da população, desigualdades regionais e desafios persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.

Entre os homens, os cinco tipos de câncer mais incidentes serão os de próstata (30,5%), cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,8%).

Entre as mulheres, em ordem de incidência, predominam os cânceres de mama (30,0%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e glândula tireoide (5,1%).

O câncer de pele não melanoma permanece como o mais frequente para os dois sexos, mas é apresentado separadamente pelo INCA, devido a sua alta incidência, mas baixa letalidade. 

+Leia também: Dia Mundial do Câncer: conheça 14 novas orientações para evitar a doença

Desigualdades

Os dados também apresentam importantes informações sobre desigualdades sociais e entre as regiões do Brasil, especialmente quando olhamos para as doenças com mais chances de prevenção e tratamento.

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Por exemplo, o câncer do colo do útero tem grande possibilidade de prevenção e, até, erradicação, por meio da vacina contra o vírus HPV. Ainda assim, ele ocupa posição de destaque no Brasil: a doença é a segunda neoplasia mais incidente nas regiões Norte e Nordeste e a terceira nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Segundo o INCA, esse é um dado que reflete problemas no acesso às ações de prevenção, como a vacinação, e de detecção precoce, como o rastreamento e o tratamento das lesões precursoras.

Em relação às assimetrias regionais, os dados mostram que, nas regiões Norte e Nordeste, o câncer de estômago ocupa o segundo e terceiro lugar, respectivamente, na lista de tumores mais frequentes. Já nas regiões Sul e Sudeste, predominam os cânceres de pulmão e cavidade oral, fortemente associados ao tabagismo.

Segundo o INCA, esses padrões refletem a interação entre fatores demográficos, exposições ambientais e ocupacionais, estilos de vida e desigualdades no acesso aos serviços de saúde.

Para o oncologista Ariel Kann, chefe do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, essa disparidade é o principal motivo de preocupação.

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“Enquanto no Sul e no Sudeste cresce a incidência de câncer colorretal e de pulmão — fenômeno muito ligado ao estilo de vida e ao tabagismo —, no Norte e no Nordeste há protagonismo de cânceres associados à baixa renda e à falta de saneamento”, diz o médico.

Para o oncologista, quadros como câncer de colo útero e de estômago refletem falhas no rastreamento, como a realização de exames de triagem e check-ups, incluindo endoscopia e papanicolau. Por isso, os dados chamam a atenção para a necessidade de melhorar o acesso à atenção primária.

Tabagismo segue preocupante

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, os cânceres de traqueia, brônquio e pulmão ocupam a quarta posição entre os tipos mais incidentes, atrás dos cânceres de mama, próstata e colorretal.

Mundialmente, o câncer de pulmão é o segundo mais incidente, com aproximadamente 2,5 milhões de casos novos estimados em 2022, representando 12,4% de todos os cânceres.

O principal fator de risco para esse quadro é o tabagismo ativo, seguido da exposição passiva à fumaça do tabaco.

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Apesar dos riscos, dados recentes da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, apontam para um crescimento do número de fumantes no Brasil.

As estimativas subiram de 9,2% em 2023 para um percentual de 11,5% fumantes em 2024. É a primeira vez, em 20 anos, que se observa um crescimento considerável de fumantes, embora, segundo a Vigitel, os números ainda sejam considerados estáveis.

“Esse crescimento do tabagismo representa um grande desafio para a saúde pública, especialmente entre os mais jovens, e certamente terá impacto no aumento de cânceres associados ao cigarro”, alerta Kann. 

O médico lembra, ainda, que as neoplasias ligadas ao cigarro são diversas. “A gente tem que lembrar não só do câncer de pulmão, mas também de tumores de cabeça e pescoço, bexiga, pâncreas, etc. Temos que ter muito cuidado”, diz.

Para ter ideia, o câncer de cólon e reto, terceiro mais incidente do país, também pode ser relacionado aos cigarros, embora tenha ainda relação com o sedentarismo, excesso de gordura corporal, consumo de bebidas alcoólicas e consumo elevado de carne vermelha e carnes processadas.

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Prevenção é a chave

De acordo com Kann, ter 781 mil novos casos de câncer ao ano significa que a doença está prestes a se tornar a principal causa de morte no Brasil e deve superar, em breve, as doenças cardiovasculares.

Segundo o oncologista, isso reflete, em parte, o envelhecimento da população. “E ter uma população mais longeva também é um sinal de desenvolvimento. No passado, havia menos câncer porque as pessoas viviam menos”, considera.

A grande preocupação, portanto, é afastar os casos preveníveis, especialmente os precoces, e reduzir desigualdades.

Por isso, de acordo com o INCA, de maneira geral, os achados reiteram a importância de fortalecer a prevenção primária, incluindo a vacinação contra o HPV, controle do tabaco, promoção da alimentação saudável e da atividade física.

Para Kann, isso simboliza os diversos desafios da saúde pública que deverão ser enfrentados melhorar os indicadores de saúde do Brasil. E um ponto, segundo o médico, é o principal: “o país ainda precisa avançar no acesso aos exames básicos de prevenção”, avalia.

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Desse modo, a mensagem final do estudo é a de que é preciso estruturar políticas voltadas ao diagnóstico e o tratamento oportuno, sobretudo para cânceres de mama, do colo do útero e colorretal, principais neoplasias do Brasil.

“Esta estimativa reafirma que investir em políticas públicas de saúde é investir em vidas, garantindo que cada brasileiro e cada brasileira tenham melhores chances de prevenção, cuidado e sobrevida diante do câncer”, diz o INCA, em nota.

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Fonte.:Saúde Abril

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